Coleção pessoal de IsabelRibeiroFonseca
O nosso sorriso é a porta do nosso coração
A janela do nosso corpo é um sopro de vida
- Sorria sem medo com os olhos da alma
A vida é muito bela
Só temos que aprender a viver
Temos de ver a luz que ilumina o nosso caminho
Quem é iluminado vive em paz consigo e com os outros.
FROUXO SENTIMENTO
Frouxo oh talvez pálida esta rima
Destes meus delírios inconstantes
Porém odeio o pó em que me deixa
Tedioso, gela-me o sangue nas veias
Não existe nada além do meu vazio
Onde a vida não nos permite ensaios
Somos eternos amadores na vivência
Numa dura aprendizagem das dores
Nesse mundo tu és o meu maior vício
Sou uma viciada, portanto, sem ter cura
Na procura interminável da tua ternura
Matei a criança que havia dentro de mim
Pelos teus lábios, pelo meu desejo de ti
A tua ausência tortura os meus sonhos
Frouxo delírio inconstante, rimas soltas
Veias de sangue que correm à tua procura
Amo-te no silêncio das palavras, frouxo
Sentimento de escritas no teu corpo (...)
DESPOJADA
Despojada de mim, atravesso o tal inverno
Na existência de uma flor, desconheço o nome
No regresso ao esquecimento, espelho vazio
Cega de uma tal solidão, na pureza abandonada
O tempo flui no que procuro sem procurar
Demanda do que sou, foi ou talvez, seja ainda
Eu já sei que o teu desejo espreita o meu corpo
Ele refugia-se nas trevas, num triste, belo sonho
Sono de uma batalha, travada na madrugada
Corpo ferido, que escorre de mim nas trevas
Refugio-me no corpo vazio, de que disponho
Sendo réu e o meu próprio juiz do desencanto.
ERGÁSTULO
Ergástulo sombra, desta escura vida
Uma prisão solitária, onde nada mais
Posso, fazer se não chorar, chorar e
Nas lágrimas vertidas peço o perdão
De todos aqueles que em vida, não pude
Mas que também nunca quis, quis amar
Ó rude este caminho de fragas no monte
Que levam as águas turbulentas para o mar
Calabouço na alma presa entre as grades
Liberdade mortal para um pobre imortal
Rasga a carne entre os grilhões de mudos
Dentes, almas presas, abandonada prisão
Masmorra fria, labirinto perdido de sombras
Carcereiro de rosto atroz, silêncios solitários
Aprisionando amordaçado de correntes no chão
Cárcere de amargura, chave na imensa solidão
Tu senhor és o melhor
Jardineiro que eu conheço
Apesar dos meus espinhos
Fico muito feliz por ter sido a escolhida
Tenho dias de tempestades
Intermináveis dos mares revoltos e tristes.
Mas nesses dia sei que Deus está ao meu lado
TU TALVEZ NUNCA SAIBAS
Talvez tu nunca saibas
Mas dormes nos meus dedos
Entre o tiramisu de manga
Do queijo mascarpone
E dos biscoitos com chocolate
Talvez tu nunca saibas
Onde as andorinhas fazem os ninhos
Mas sabes bem o sabor do frango
Com mel e gengibre como é maravilhoso
Talvez tu nunca saibas
Que há segredos entre as árvores do campo
No lombo assado com vinho do Porto
Talvez tu nunca saibas
Como as letras constroem a palavra amor
Onde os morangos se juntam ao chocolate quente
Com a paprika, gengibre, caril, pimenta
Talvez tu nunca saibas
Que por ti chamo a toda a hora e digo que amo
Nas espetadas de camarão com abacate
E batatas em cubos com alecrim
Talvez tu nunca saibas
Que de noite as minhas asas te cobrem do frio
Do nosso filme, o sabor da magia
Talvez tu nunca saibas
Que o vento espalha os meus recados em ti
No arroz basmati com leite de coco e amêndoas
E o pudim de anis que é delicioso
Talvez tu nunca saibas
Que os meus pensamentos são dias perfumados
Do bacalhau à lagareiro e do chocolate quente com canela
Oh meu amor quem sabe se tu sabes
Ou talvez tu nunca saibas que sem ti eu não existo.
No cocktail de vinho do Porto rosé com café.
DESISTIR NUNCA
Podemos desistir de uma casa
Podemos desistir de um carro
Podemos desistir de um emprego
Podemos desistir de um amor
Podemos desistir de tudo que gostamos
Podemos desistir das pessoas.
Podemos desistir de qualquer coisa
Podemos desistir, mas nunca
Podemos desistir de nós próprios
- Insista, persista, lute
Nunca desista pois um dia você venceu
Por não ter desistido
- Desistir nunca, persistir sim .!
SOLIDÃO DE SONHOS
A solidão é deixada na brisa do outono
Com tantos beijos já perdidos no verão
Nas manhãs tão quentes de breves sigilos
Monólogos da nossa imensidão da noite
No progresso talvez incontrolável do dia
Onde o silêncio, o espaço declaram guerra
Quando os sonhos contemplam a velha lua
De desejos, das estrelas que brilham nos olhos
No despir dos sentidos ao encontro dos meus
Cobrem o chão, a cama com pétalas brancas
Rosas plantadas por mim do nosso belo jardim
Solidão de sonhos, nos beijos perdidos de verão.
