Selecção semanal
5 achados que vão mudar sua rotina Descobrir

Coleção pessoal de IsabelMoraisRibeiro

401 - 420 do total de 947 pensamentos na coleção de IsabelMoraisRibeiro

"DESÇO NA ESPERANÇA"

Desço, a rua escura
Mal iluminada, empedrada
Desço-a ao sabor
Do vento de pés descalços
Lentamente
As noites douradas descem as serras
O rio passa pelas árvores
Olmos que balançam
Brincam com as folhas caídas, coloridas no outono
Alma incompreendida envolta numa esfera de sonhos
Chega à vila envolta de solidão
Na alta madrugada
Inegável capacidade
De sempre em permanecer sozinha
Compreensão incompreendida
Que procura por um navio
Que traga um tesouro
E que juntos naveguem por mares
Onde a noite na serra, seja iluminada
Com o brilho das estrelas.
Alegre como as águas do rio
Perfumada como as flores do campo.
Desço a rua escura, empedrada
Mal iluminada, ao sabor do vento
Entre as águas do rio de pés descalços
Desço na corrente da esperança.

02-01-2015

"CASA DAS PALAVRAS"

Contigo os meus olhos não te largam
Não te deixam, viajar para longe de mim
As minhas lágrimas, precipitam-se abruptamente
Dou-te um tempo, para reencontrar-te
Dou-te um beijo, um abraço na alma
Noite eterna que esqueceu-se de esperar
Como se não fosse fácil acreditar
Tal como o amor, o tempo
Pode não ser mais que um mercador de palavras.
Nada sente na sua loucura estilhaçada.
Nem as pedras dos distraídos
Onde alcançarão os vidros partidos das janelas
Sem vidros, sem portadas
Numa casa abandonada por todas as palavras
A minha mão cravou na tua, porque não quer que tu vás.
Tocou na tua alma
Onde perco-te nessa imensidão de felicidade.

"ESCRITOS DESENCONTRADOS"

O nosso limite ultrapassou
A fronteira do visível ao invisível
Perder o tempo, perder a paz
Fugir para trás, sem pensamento

Num contratempo, sem ser capaz
Enfurecendo-me assim a minha própria alma
Perder a vida, já que nada me satisfaz
Até de joelhos, supliquei a Deus, aos anjos

Esvaziei-me por dentro, dum só lamento
Foge-me o momento, já nada me apraz
Perdida ferida, sem um caminho a percorrer
Envenenada, amordaçada por tão grande amor

Onde os versos escritos paridos, são lágrimas de dor
Sem palavras para escrever, linhas para corrigir
Um ar amargo de desilusão, talvez seja só decepção
Tornei-me um cativeiro de um amor impossível

Como uma flor perdida no quente deserto do Saara
Entre secas, tempestades irei sobreviver às palavras
Destino meu, onde a minha dor envenenou os versos
Escritos paridos que estou a perder, sem letras para escrever.

"MEU MENINO JESUS"

Dá-me meu menino Jesus
Paciência com o meu semelhante
Dá-me meu menino Jesus
Um abraço que tire toda a dor
Dá-me meu menino Jesus
Ser a mão estendida para tirar a fome
Dá-me meu menino Jesus
Que possa ser o sorriso da tristeza
Dá-me meu menino Jesus
A fé de tantos que não a têm e querem
Dá-me meu menino Jesus
Ficar muda sobre as atitudes pré concebidas
Dá-me meu menino Jesus
O silêncio para sentir e escutar o que me falta
Dá-me meu menino Jesus
A paciência que me falta a mim mesma
Dá-me meu menino Jesus
Residir perto do teu coração inocente
Dá-me meu menino Jesus
A sensibilidade de acreditar nas pessoas
Dá-me meu menino Jesus
Aprendizagem para reacreditar neste mundo materialista.

"SEARA DOCE"

Sonhos desfeitos feitos prisioneiros
Amarguradas mágoas que ceifam vidas
Mergulhos na escuridão que o vento levou
Em grãos de areia que repousam no silêncio
Vida coberta de esplendor da anunciada morte

Onde a alma renascia de humilde transparência
Vidas feitas de esperança, que correm de águas cristalinas
Num mundo que se transforma num novo amanhecer.
Seara verde pela planície, montanhas da nossa vida
Sementes caídas em terra fértil, regadas de amor!

MENDIGO

Dorme agasalhado
Um vulto numa saca de sal
Alegria ao espelho, lerdo pano
Salgada doce, carne velha
Aperto a mão ao mar dando-lhe o bom dia
Ele manda as suas ondas de maresia
Palavras que brilham
Adormecem na mentira
De quem tem ou tinha pernas curtas
O silêncio do barracão perturba os ouvidos
Sons adaptados calmos da rua.
Estranha escuridão que permanecia calada.
Caminha entre os passos baralhados
Tenta silenciar os pensamentos que gritam congelados.

"LINHAS DE FLORES"

Lendo, relendo as linhas que escrevi
Das palavras que foram traduzidas
Em sentimentos tão intensos
Que transformaram-se em amor
Na leitura das linhas retratadas
Em sinceridade, lágrimas que descem
Nas linhas escritas, lidas, desprezadas
Cicatrizes de felicidade nos meus olhos
Lapidei os meus caminhos em belas paisagens
Onde sobrevivi as minhas próprias dores
Podei com paixão as flores no meu jardim
Para colher nele o mais belo perfume
Lendo, relendo as linhas que escrevi
Onde as palavras transformaram-se em amor.

"UM SÓ CAMINHO"


Um só caminho de uma alma doente
Dum receio tantas vezes prematuro
Caminhante sereno, rosto marcado
Pelo sofrimento da vida, tão vivida

Madrugada orvalhada de sonhos cruéis
Embebido nas arestas do futuro
Com medo das saudades do presente
Desta dor que em vão procura

Onde cobre o coração dum escuro véu
Alma de luz desgrenhada
Caminho de uma jornada
Amiga aurora da manhã, eu te saúdo

Neste caminho de fragas, giestas, estevas
Desçamos o monte, a serra juntos
Bebamos juntos o vinho doce de morangueiro
Com um travo suave a alecrim

Espinho encontrado de escombros
Onde encontro-te no caminho, tão só, tão sozinho
Repartamos os dois o mesmo vinho
Amargo da nossa jornada

Taberna escura cheia de amargura
Secura na alma, no corpo doente
Prematuras sombras, frias e cruéis
Calvário onde choramos o mesmo pranto

Das saudades, já esquecidas, perdidas
Caminhante sereno, rosto marcado
Pelo sofrimento da vida, num só caminho
Embebecido nas arestas do presente sem futuro.

"AME E SEJA AMADO"

Ame o próximo momento
Ame o sorriso que lhe for dado
Ame a atitude demonstrada
Ame o abraço oferecido
Ame o tempo, o presente que lhe é dado
Apenas ame, ame para amar e ser amado
Afinal como é maravilhoso começar e chegar ao fim do dia
Agradecendo a Deus, pela vida
Que ele tão generosamente nos concedeu
Tenham todos um bom dia
Um final de tarde e um anoitecer maravilhoso.
Fiquem com Deus meus amigos.

"CALVÁRIO"

Sofrimento, desprezível
Dum inútil invejoso
Com o terço nas mãos ajoelhado
Ferro quente cruel
Termo da crueldade humana
Lança perversa, madeiro companheiro
Pregado, sofrido, morto
Rastro de sangue derramado
Amado, odiado entre caminho de pedras
Monte calvário, a passos dados
Dores de amor, peito trespassado
Sangue do pecado só nosso
Onde foi consumado, madeiro nos ombros
Cordeiro morto inocente
Pedras quebradas, tesouro do mundo
Fonte de vida da pouca humanidade.

"PROCURO-TE"

Procuro-te e busco-te
Nas fragas do caminho
Pelos vidros da janela
Em cada nascer do sol
E não consigo encontrar-te.

Procuro-te e busco-te
Nos seixos da rua
Nas brechas da porta
Nos grãos de areia.
E não consigo encontrar-te.

Procuro-te e busco-te
No brilho das folhas à chuva
No nevoeiro estampado na serra
Nos espelhos do orvalho
E não consigo encontrar-te.

Procuro-te e busco-te
Na tempestade dos ventos
Nas nuvens altas e azuis
No escuro da noite.
E não te encontro, mas tu revelas-te!

"DESTINO"


Mais uma noite de espera
Pois o meu destino é amar-te.
Olho o espelho do nosso quarto
E vejo refletido o teu rosto
Viajo na amplidão de meus anseios
E ouço a tua voz em devaneios.
Fica na minha pele e não só, nos meus desejos
Quero fundir-me contigo
Perder-me nos teus braços e que dure para sempre
Fica com a minha ternura nas tuas mãos
Beija-me com carinho para que seja eterno
Deixa-me amar a tua alma
Quero viver cada momento, cada segundo
Cada minuto com o bater do teu maravilhoso coração
Mais uma noite à tua espera
Pois o meu destino é ser amada!

"DRAGÃO"


Dragão fingidor
Fugindo por insônias
Pesadelos,sofrimento que mortifica a loucura
Amnésias pinceladas de tantas conveniências
Demônio, inferno benevolente
Que não nos deixa indiferente
Mastiga-nos inteiros, a nu descrevendo-nos
Tártaro corpo, quente sol, salgada sede
Lua intransigente, cega luz
Lágrimas de uma cegueira
Inexplicavelmente permanente
Bastardo, inferno que nos deixa incoerentes
Misturados de gestos, colados, secos na alma
Da chávena, do chá, do reflexo, ao mar
Feitos de desabafos, abafos
De água, de fogo, de sorte, de azar
Companheira feita em compaixão
Dragão, benevolente, demônio da nossa mente
Alma cercada pelo sofrimento
Desfeita em insônias, do pensamento
Cravado no peito, do nosso encantamento
Fingidor de pesadelos
De amnésias, cegueira nossa
Mortifica a carne do nosso sentimento
Fingindo que é dor
Colados nos ossos da nossa loucura
Perdida, esquecida, sem olhos, sem sangue
Sem veias, do nosso desentendimento!

"RECUSO"

Recuso-me a ter...
A minha alma sedenta de ódio
Aceitar que sou uma flor no meio das silvas
Estar escondida entre sonhos
De sentir-me com as mãos acorrentadas
Tentar fechar os olhos a alegria e a felicidade
A de não me sentir amada...
E não amar tudo apaixonadamente
Viver a vida sem paixão como se nada se passasse
Sofrer de dor, de saudade
De magoa, de solidão
A morrer como uma cópia, afinal só existe uma eu!

"PASTOR"

Repousa o cego perdido por culpa merecida
Geme de frio, suspira, suspira a saudade
Chora, chora a chuva toda a sua vaidade
Agua corrente entre seixos de ervas sombrias

Pensamento atroz, desmontado de palavras
Cansaço nas pálpebras, no vale das flores
Enjeitadas, vestidas de lindas cores no monte
Fortaleza de terra fértil, colhidas no tempo

Ardendo, queimando como se carne viva fosse
Levanta-se o vento, onde pasmo, tremo e desfaleço
Daquele amor inocente de olhos tapados, vendados
Divino entre o céu e a terra, do teu tempo encantado

Como um lindo pássaro doce canta uma melodia
Serra dura do homem pastor, amigo da mãe natureza
Alma acesa rodeada de fogo, do entardecer que me foge
No momento mais puro e seguro, amor fraco no peito

Dor no escombros, frio da guerra vivida talvez esquecida
Mente sã, corpo termo ferido, mar morto, em fim de vida
Pecados seus, lembranças suas, tão firmes de esperança
Dores estranhas rasgadas em lágrimas, banhadas de confiança
Onde as mãos brandas estão cegas de miseras, cercadas.

LÂMINAS

Malditos sejam malditos
Carrascos que castram
De lâminas que penetraram
No teu corpo já tão frágil
Gritos de dor
Sangue inocente derramado de uma menina
Será cultura, ignorância ou egoísmo!
Menina, mulher submissa
Facas cortantes, lâminas que castram
No ritual da passagem
De menina a mulher já mutilada
Deixam marcas dolorosas
No corpo
Na alma
Malditas, malditos carrascos
Que derramam o sangue dos inocentes
Hadem arder nas labaredas do inferno, malditos.

"PORTA ABERTA"

De um sonho angelical
Segurei as minhas lágrimas...
Procurei por mim...nas noites caladas
Lembro-me o quanto eu vivi
Encontrei a porta aberta...
Vi que procuravas por mim
Senti a leveza das horas.
Que passavam por, mim suavemente
Grito de dor, do meu peito rasgado.
Punhal de prata ensanguentado.
Caprichos da vida
Lembranças no amanhecer.
Nascemos sozinhos e morreremos sozinhos
Sente-se a falta de amor, de conforto e carinho.
Então só fica a solidão.
A alma encontra-se; vazia e sem cor...
Procurei por mim, nas noites quentes e caladas.
Encontrei a porta aberta e vi que procuravas por mim.
Iluminas os meus caminhos; as minhas noites e manhãs!

AMO-TE
Amo-te, em cada recomeço de mim em ti
Amo-te, nas noites frias de insônia
Amo-te, nas horas que padeço de saudade de ti
Amo-te, na ânsia sinto que me tira a calma
Amo-te, na liberdade que assola-me a minha alma
Amo-te, unicamente em cada batimento cardíaco
Amo-te, em cada pedaço meu em ti
Amo-te, em cada fragmento vivo no meu peito
Amo-te, nas horas que padeço de solidão
Amo-te, no silêncio marcado, calado de dor
Amo-te, da forma mais selvagem que há em mim!

"RELER-TE"


Quero escrever letras engarrafadas
Fazer um poema no teu corpo
Com a ponta dos meus dedos
Seres sempre o meu poema predileto
Onde eu gosto de ler-te e reler-te
Em cada verso que faço
Afinal moras na margem esquerda do meu peito
Onde permaneces inteiro
No final se recortares em pedaços
Cada palavra que escrevo
Irás encontrar o teu nome
Escondido em cada letra do meu poema
Porque é assim que o teu corpo escreve no meu
O significado das palavras
Páginas escritas para sempre
Onde posso folhear os teus livros de letras minhas
Escrever um poema no teu corpo
Sem ser uma tatuagem permanente!

"GUERRA ABERTA"


A carne é fraca, a guerra é constante
Quando o espírito deixa e não é forte
Desejo maldito, bendito, profano, covarde.
Boca que a língua invade, no corpo, na carne

Do sangue que é alarme, onde a brasa inflama.
Na luta onde o sangue que se exalta, pecado capital.
Dor, amor salgado que a vida nos dá muitas vezes
Navalha que corta a fraca carne do nosso pecado

Guerra constante, constantemente sem vencedores
Besuntados estão os corpos estendidos
Na lama antiga no chão do nosso instinto
Com a mesma intensidade num labirinto

Rugem as carnes sem sangue já apodrecidas
Memórias de um tempo de batalhas de glórias
Palavras ditas talvez corrompidas na noite
Flor de um jardim bela ardente e misteriosa

Religião com o terço na mão de quem ama
Vertigem no passo longo de um precipício
Boca que ruge na selvajaria do instante
Gemido do homem que ama já feito amante

Muralha com a bandeira mais bela do mundo
A fé de uma sombra num templo perdido
Insanidade de todos os descrentes e ferozes
O vento que guia-nos no céu com o seu rastro.

A carne é fraca, a guerra é tantas vezes constante
Como é constantemente vencida sem vencedores
Quando o espírito é fraco, na luta do sangue
Sombra da navalha, gemido do homem descrente.