Coleção pessoal de IsabelMoraisRibeiro
Tenho sede dos teus beijos
Fome para saciar os meus desejos
Onde descanso o meu cansaço
No teu carinhoso abraço (...)
A minha alma voará para longe
Onde o meu coração terá sempre asas
Mas a minha razão ainda anda
E andará sempre a pé.
SENHORA DA MINHA VIDA
Preciso dormir
Para não esquecer-me de quem sou
Dona do ar......Da escuridão
Da claridade.....Da imensidão
Dona de mim mesma
Do maldito.....Do bendito
A minha cama é a estrada
Que me leva a ti
No caminho do infinito
Onde canta a voz de um luar
Alma de orvalho
Trago-te nos meus braços cansados
Flores sem os galhos
Deixei para trás os espinhos
Os espinhos...Ficaram nos galhos.
Das rosas vermelhas que me deste
A pior dor é a dor da alma
Esmigalha....Ferida
Preciso dormir...
Para não esquecer quem sou
Dona da minha alma orvalhada de mim mesma.
"VENTOS NOSTÁLGICOS"
Noites vazias
Ventos nostálgicos
Tempestade sombrias
Sopram ao ouvido
Melodias encantadas
Revelam os segredo
Das noites perdidas.
Inimigos amigos
Feitos em sonetos
Sentidos por fragas
Esquecidos no tempo
Caminho do amor
Alma mortalha
Sentes prazer
Talvez não sintas nada.
Palha enxuta
Enquanto queimada.
Trepas o céu
Sem cordas, sem nada.
Esqueces o mundo
Que nos embala e afoga.
De sede, sem nada.
RETRATO
Hoje olhei o teu retrato
.......Estremeci de saudades
Talvez mais do que nunca
....Tive que calar-me
No meio do silêncio
....Cantava a minha alma
Procurava a voz do teu olhar
.....Queria olhar para dentro
Da tua alma e encontrar a minha
......Vi o teu retrato e sorri
Senti-te comigo, como se fôssemos um só.
SÓ DEUS SABE
A luz do sol cega-me os olhos
O silêncio torna-me numa voz rouca
Só Deus sabe da porta entreaberta
Do relâmpago de ansiedade no silêncio
Viagem selvagem do retorno amargo
Enigma do mundo de uma privacidade
Bajulada escondida num paraíso de aparência.
Prisioneiros da ignorância oculta imperfeita
Doentes desencantados na alma, no corpo
Cada vez mais perto do abismo da mediocridade
Subjugados por voos de uma estranha nostalgia
Das palavras deixadas num espelho sem ausência
Confinadas as fantasias fora da realidade em pedaços
De uma luta que interrompe um vazio, de uma dor do passado
A luz cega-me os olhos, o silêncio torna-me, só Deus sabe.
O VELHO DA BANDEIRA
Colori a minha linda bandeira
De papoilas vermelhas no verde campo
Entre o trigo, a cevada e o centeio
Feita da mais pura seda já vista algum dia
Vejo a partir da minha janela um velho
De olhos enrugados com pedaços do céu
Com o coração aberto ao longo inverno
Talvez à espera do quente verão
Tarde em silêncio, misturada de oração
Caminhada alegre, tocando o chão
Oprimido, anda nas tramas do seu corpo
Cronologia alinhada de uma metáfora fragmentada
Dignidade presumida de um vendaval
Terapia de discursos roubados em sonhos de liberdade
Incontrolável sentença, na sua débil resistência.
CHUVA SEM SONO
Sinto-me cansada , cansada deste inverno.
Sinto falta do calor, do sol.
Dos dias compridos, das noites quentes.
Há muito que a hora de jantar já passou
Por isso a sala está escura
A janela de casa está aberta
.......A chuva cai com força lá fora.
Abraças-me por todos os cantos da casa.
Quando estamos sozinhos
......Parecemos dois adolescentes
Gosto de ver a água a cair no telhado
..... E no muro da frente
Imaginar o mar bravo, as suas ondas
São duas e meia da manhã
E eu ainda acordada a ver-te dormir
A chuva continua a cair
Ouve-se no telhado, como eu gosto de ouvir a chuva
Com as minhas mãos toco no teu rosto
........Gosto de ver-te dormir.
Pareces um anjo, mas roncas como um porco.
Tenho uma pequena esperança, que estejas a sonhar comigo
.......São três e meia da manhã
E eu ainda acordada a sentir a chuva a cair.
MEDOS E DECEPÇÕES
Medos e decepções, letras mal escritas
Numa página marcada num cesto do lixo
Fantasma noturno de palavras cuspidas
Cuspidas num papel de uma agenda em branco
Medos e decepções desfeitos em insanidade
Rascunhos deixados na alma pelos dedos
Espíritos fracos desejosos e vingativos
Feitiços sangrentos com a fúria dos mares
Mares tempestuosos sem vergonha ou consciência
Guerra desfeita de quem morre de quem vive
Noites amargas sem sono do inferno ciumento
Voo febril rastejante, pegajoso
Alma consumida sem valor, desesperada competência
Consumida, derretimento no gelo
Palavras cuspidas, sem vírgulas, sem ponto, sem dor
Analfabetos, excêntricos, sem instintos gramáticos
Sílabas tontas na lógica das palavras subversivas
Medos e decepções cuspidas num cesto do lixo de casa.
NADA PERTENCE
Nada me dói mais do que a própria dor
Nada me pertence nesta maldita terra
Nada me afoga nesta areia do deserto
Nada é por culpa deste meu cansaço
Nada é do silêncio da minha pobre alma
Nada me faz sofrer nesta bendita vida
Nada é ou foi deixado ao acaso
Nada é mais doloroso do que a solidão
Nada há de apagar as rugas do meu rosto
Nada se sente, nada se apaga da mente.
NOS TEUS BRAÇOS
Ah como quero
....... nos teus braços descansar.
Voar como um pássaro por cima do mar
........Do silêncio da noite
Do fresco da madrugada
De sentir os pés enterrados
........ na areia branca da praia
Desejo que sejas o meu lobo
Na nossa dança do acasalamento
.........Atravessaria o mar
No meio da noite fria
........ para seguir as tuas pegadas
Caminharia sobre água
..........Sobre fogo
para aninhar-me no teu corpo.
Quero encontrar o caminho do vento
.........Da janela do tempo de mim
Costurar os retalhos da minha alma
Juntar todos os pedaços do meu coração.
