Coleção pessoal de giuliocesare
Atribui-se a Carl G. Jung a seguinte frase: "A solidão é perigosa e viciante. Quando você se dá conta da paz que existe nela, não quer mais lidar com as pessoas."
A solidão oferece paz, silêncio e autoconhecimento. Porém, quando se torna morada definitiva, afasta-nos da convivência, dos afetos e da própria vida.
Quem sempre esteve certa era minha avó, filósofa da simplicidade: "Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Tudo em excesso faz mal."
A Navalha de Occam, ou Navalha de Ockham, criada por Guilherme de Ockham, é um princípio filosófico que sugere que, ao enfrentar várias explicações para um fenômeno, a mais simples tende a ser a correta. Em regra, a solução mais prática e econômica costuma ser a mais provável, no geral.
Ockham foi um frade franciscano inglês do século XIV. Seus conceitos filosóficos entraram em conflito com a Igreja e, como consequência, ele foi excomungado pelo Papa João XXII.
Nesse princípio, vejo uma boa reflexão quando o extrapolamos para a atualidade, em particular para o nosso país.
Mês de junho passando. Mês festeiro de Santo Antônio, São João e São Pedro. Mês de dançar quadrilhas. Mês do quentão e do salsichão. Mês do frio. Mês dos namorados. Mês de ficar na cama quentinha, com o amor de conchinha, fazendo muitas gracinhas. Mês que traz relíquias de lembranças, de muitos que hoje vivem na distância, de um mês tão feliz.
Diante de uma considerável diferença de idade, por medo, covardia ou insegurança, faz um dos amantes renunciar à união. Aí vem um genial filósofo mundano e rotula como: antagonismo temporal, fincado na pedra da solidão, e o amor, náufrago, penitenciado eternamente no mar do esquecimento.
O problema quando recebe um abraço apertado, gostoso, energético, eletrizante, daqueles que não quer sair. Vem uma vontade louca de apertar e concluir com um hollywoodiano beijo. Porém, lamentavelmente acaba, retorna a distância, com ela o protocolo e fica sem saber se é namoro ou amizade. Como na cabeça de uma mulher, às vezes, nem os anjos ousam adentrar, você fica na trágica dúvida de Shakespeare: ser ou não ser. O problema enigmático continua, e a vida segue dantes no Quartel de Abrantes.
Não custa lembrar: são os erros que nos ensinam a errar menos. Porém, o maior erro que podemos cometer é ter medo de errar — assassino da criatividade, do desenvolvimento, da evolução e do sucesso.
Um veterano olha para trás, vê a vida passando, acelerando, o horizonte se distanciando e perdendo de vista. Fica prosa por estar ainda na estrada, sem dar a mínima para o que vem à frente e o destino final. Mas fica triste pelas boas companhias perdidas ao longo das estradas da sua vida.
Dia após dia, num presente bobão ou autista, cujo passado esconde a saudade, sendo a realidade uma metáfora da vida, padecendo de uma perene mitomania, dentro de um sufocante avatar, que tudo dissimula num palco de alegria.
Perguntado ao coração qual a diferença entre paixão e amor, com a convicção de fiel depositário da verdade respondeu: paixão é uma dependência quase química, uma necessidade com prazo de validade. Já o amor é uma conexão afetiva sem prazo de validade; aliás, podendo até ser imortal.
O Sorriso, o sorrir quebra o mau humor ambiente. É um recurso natural disponível na face, de grande valia. Com seu sorriso, conseguir mudar uma cara carrancuda para outro sorriso é ganhar o dia, boas energias e um indicativo para um belo dia.
O fato de aceitar que a sua caixinha não é a única e melhor; aceitando, antes de criticar ou demonizar outras caixinhas, entender; e, entendendo, admitir a convivência, já deu um passo gigantesco para uma comunidade, uma sociedade e um mundo melhor.
A urgência pelo sucesso para uns e para outros pela sobrevivência; o tempo cada vez mais em competição olímpica; solidão na multidão e, pior, em família; a avalanche digital da informação que nos tira o filtro que separa a verdade da mentira; o engessamento da empatia, sensibilidade e da intuição; um único momento de reflexão pela leitura, não de um livro, mas por uma simples frase, pode despertar a reprogramação de uma vida.
Portanto, quem puder se doe com a palavra, compartilhe sua experiência com o positivismo e a luz. Pode ser sim de grande ajuda.
Já pensaram quantos cometas, meteoros e estrelas cadentes passaram não pelos nossos olhos, mas pelo nosso coração?
Esperança é uma coisa que dá e passa? Não! A pergunta para lembrar que a Esperança é uma busca. Esperança é continuidade, é estímulo. Esperança não pode passar; tem que ficar, prosperar e se materializar. Esperança é a maior inimiga do caos e a fiel companheira da vida.
Num mundo cada vez mais dissimulado, amparado e estimulado pela tecnologia; num tempo em que a verdade perde credibilidade, os fatos se transformam em pressupostos e achismos, e o sentimento é banalizado pela propriedade; o amor a si mesmo e ao próximo permanece como a última barreira, cidadela ou trincheira de defesa. Não se esqueça: ele é o seu fato.
Da esperança à absoluta certeza, revendo milênios e séculos, todas as coleiras impostas ao povo pelos tiranos foram rompidas, levando-os do trono à jaula até o cadafalso. Absolutismo e autoritarismo têm validade. O povo é e sempre será, o único soberano das comunas, regiões e Estados. Para quem padece, convém lembrar.
Hoje, num mundo onde o mocinho e bandido se confundem; onde é difícil saber que é a mamãe e quem é o papai; onde a narrativa se julga soberana diante da verdade; onde a máquina já pensa e, não duvido, já sonhe; eis um perplexo veterano com a pecha de ultrapassado, com todas as loucuras da modernidade, declara e afirma para todo sempre que: eu acredito no amor.
Simples assim: saúde, imprescindível; grana, existência; sonhos, meta; esperança, resiliência; amor, o amor e o amor...
Muita gente não percebe a verdadeira dimensão de uma amizade fraterna e sincera: uma via de mão dupla, de tráfego intenso, sob patrocínio do coração — um presente que nos damos.
Às vezes, estamos tão longe de nós que só conseguimos nos ver com binóculos - o que, ainda assim, tá ótimo. Pior, e muito pior, seria que nem com binóculos.
