Coleção pessoal de Eraldocunha

1 - 20 do total de 157 pensamentos na coleção de Eraldocunha

A TEMPESTADE QUE EU CRIO


A água, quando encontra um obstáculo,
não perde tempo discutindo quem pode mais, quem é mais resistente, quem vence a batalha.


Ela para um pouco,
analisa o cenário
e toma uma decisão:
busca um atalho e segue sua vida, sem gastar energia com o que pode ser resolvido usando a sabedoria.


Na trajetória da vida,
quando tudo está muito calmo,
a alma tranquila, o céu mais iluminado, o aroma da natureza contagiando o ambiente, os negócios, o trabalho, a família... tudo em perfeita sintonia, um verdadeiro concerto,
abruptamente emergem situações querendo roubar a nossa paz, tirar-nos do chão, nos arrastar para o abismo, penhasco.


Se nessa hora me desorganizo, danifico meus alicerces, minhas estruturas
querendo resolver ao meu modo e às pressas, posso me afogar na tempestade que eu mesmo estou criando.


Como a água, preciso parar.
Respirar.
Contornar.


E seguir em paz
Porque uma coisa é certa: nem a alegria é constante, nem o caos é para toda vida.

Se o tempo é finito, a repriorização é o ato mais profundo de respeito à própria existência, pois escolher o que fica é, em essência, decidir quem eu me torno.

A medida da vida


A vida....
É curta para quem só olha.
É longa para quem vive.


Viver não é apenas respirar, é interagir com a natureza, com as pessoas. É desfrutar dos minutos, das horas, dos dias, meses e anos.


Curta para quem tem pressa de chegar e chegar de qualquer jeito.
Longa para quem aprende a observar o caminho durante a tranquila e suave caminhada.


É longa para quem se movimenta. Para quem faz, tenta, erra e recomeça. Para quem acredita que tudo passa e por isso não estaciona esperando a vida passar.


E não passa para quem não se move.
Porque quem não se move, não vive. Só espera.
E esperar cansa, desmotiva, isola, desbota.
Viver alivia.


No fim, não é sobre ter muitos anos de vida.
É sobre ter muita vida nos anos vividos.

O ciclo



A água que escorre pela ladeira não retorna à mesma rua.
Ela cumpre seu curso.
E apenas em outro ciclo, se ousar, volta a cair no mesmo lugar.

A VELOCIDADE QUE CEGA




A velocidade tornou-se inimiga da profundidade. A ilusão do conhecimento sacia mais do que a busca pela verdade. Ler virou um ato mecânico; compreender tornou-se um artigo de luxo.


A sociedade está imersa num oceano de informações que circulam numa velocidade incomensurável. Um povo que vive correndo e não para para quase nada acaba não examinando o que chega a cada instante na tela do celular, na TV.


Aí está o perigo de se fazer juízo de valor das coisas de forma rasa, superficial. O "ouvi dizer", o "alguém me contou", tudo isso passou a ser verdade incontestável.

O PÁSSARO DE ASA QUEBRADA


Era noite de 29 de janeiro. Ele saiu do trabalho e resolveu ir até a cidade vizinha. Numa curva, a moto derrapou em algo espalhado no asfalto. Seu corpo foi arremessado contra o guarda-corpo. Ali ficou, desorientado, aguardando socorro.
O SAMU apareceu, estabilizou e o levou ao hospital da cidade vizinha. Dali, encaminharam-no para o hospital regional, mas no caminho foi preciso parar em outra unidade de saúde. Os sinais vitais diminuíam, a morte era iminente. Moveram céu, mar e terra para ele não partir. Ele parecia ter sede de viver.
Reanimado, seguiu para o HRSAJ. Os dias foram difíceis: intubação, dezenas de dias em coma. A morte insistia em ser sua maior companheira, tentando levá-lo a qualquer custo.
A comunidade, comovida, se uniu numa corrente de fé em oração, reza e preces pela sua recuperação.
A medicina, por várias vezes, já não era suficiente. Era necessário um milagre. Os dias longos e as noites intermináveis pareciam não passar.
De forma milagrosa, ele retornou do coma. As sequelas eram visíveis: fala limitada, sons inaudíveis, limitação motora e uma grave fratura num dos braços ainda o atormentava. Submeteu-se à cirurgia, colocando uma estrutura que em muito se assemelhava a uma antena externa de TV de antigamente.
Recebeu alta, adaptou-se em casa uma espécie de quarto-enfermaria e a luta continuou.
Sua reabilitação necessitou de fonoaudiologia e ainda continua com sessões de fisioterapia para restabelecer o movimento do braço.
Ele, que esteve muito perto de fazer a viagem rumo ao desconhecido, hoje está praticamente curado.
É um pássaro com uma asa em recuperação, pronto para, a qualquer momento, voar livre por aí.

Não esqueça!


Na minha inutilidade, peço só atenção
Não quero esmola, quero gesto de carinho
Quero ser lembrado
Mesmo que eu fique aqui sozinho


Que me levem ao sol no claro do dia
E não se esqueçam de me guardar
Que no banho me tratem com valia
Sem no frio me deixar


Que fiquem por perto para me escutar
Ouçam serenos a mesma história
Mesmo que eu torne a recontar
Guardem com afeto na memória


Que sejam meu amigo com lealdade
Sem de mim nada querer
Que me queiram bem de verdade
Só por me querer bem, por me querer.






É uma paráfrase de uma reflexão do Pe Fábio de Melo

R E C O N S T R U I N D O


A cidade estava toda pronta para uma noite de Natal iluminada.
O clima era de festa completa. O comércio cheio, as ruas lotadas, o povo indo e vindo com sacolas nas mãos, com aquela pressa boa de quem quer celebrar. Ninguém sabia o que estava por vir após o anoitecer.
Anoiteceu. Jiquiriçá acendeu suas luzes. Em cada casa, a mesa quase posta, a ceia quase pronta.
Já era quase à meia-noite quando a chuva começou. Ela veio sem pedir licença, sem dar tempo para pensar.
A água rompeu as ruas com fúria, engolindo tudo pela frente. O que até então era chão firme e seguro, de repente virou mar.
A alegria virou pranto num instante. Lares foram largados para trás no escuro e inundados. Gente em disparada, com o que coube nas mãos, buscando um ponto mais alto para se abrigar naquela madrugada.
Do alto, abrigados como deu, vimos nossas casas tombarem. E não era só parede caindo. Era uma vida inteira boiando. O retrato da formatura, a geladeira a prazo, o suor de anos, tudo se perdeu rapidamente.
Naquela virada, o brilho do Natal se apagou no lamaçal.
A perda foi sem medida. Aquilo abalou profundamente nosso povo e fez Jiquiriçá chorar.
Os dias que se sucederam foram duros, de muita luta e labuta, mas nada nos abalou. A vida sempre teima em não parar, e nós estamos firmes nessa luta que é de todos.
E é com fé, suor, garra e com a força de quem vive aqui que estamos reconstruindo, tijolo por tijolo.
Não está longe o dia em que a veremos renascida, mais iluminada, mais bonita do que nunca, a nossa querida Jiquiriçá.


Eraldo Cunha

⁠Se as tuas "SEMENTES" não germinam e com isso não dão "FRUTOS", é bom rever como e em que tipo de terreno elas estão sendo plantadas.

⁠"Os teóricos dizem, com muita facilidade, como tudo deve ser feito, mas na hora de eles mesmos fazerem, na maioria das vezes, não sabem como fazer."

⁠⁠Jiquiriçá, minha Jiquiriçá,
Linda é a tua história
A ti minha gratidão
Por aqui eu nascer.
132 anos de existência
Contados de várias maneiras
De todas as cidades do Brasil
Para quem te ama
Tu não és a última
Serás sempre a primeira.

⁠Ficar esperando o tempo favorável para lutar pelo que se quer talvez seja o nosso maior erro. É bom também não se acostumar com o FÁCIL, pois as coisas mudam e amanhã tudo pode se tornar DIFÍCIL.

⁠A trajetória de nossa vida se assemelha muito ao curso das águas de um rio: ora elas correm por terras planas, ora escorrem sobre pedras... Em outros momentos, precisam contornar obstáculos, passam por caminhos estreitos, contudo, não param, precisam chegar ao seu destino.

Quem se lembra de você apenas quando você pode servir, não gosta de você, gosta da sua utilidade. Quem se lembra de você em qualquer circunstância, valoriza você, a sua importância.

O inteligente consegue retirar de algum lugar um parafuso emperrado pela ferrugem; já o sábio impede que a ferrugem se forme ali.

⁠A guerra sempre será a desgraça de MUITOS para a glória de ALGUNS.

⁠Apenas o DESEJO de ajudar, sem AÇÃO, não muda nada na vida do OUTRO.

O conhecimento é o meio pelo qual a gente⁠ pode, com mais precisão, fazer juízo de valor das coisas.

⁠Muitas vezes batemos no peito até com arrogância e dizemos ser donos disso, daquilo... Depois, descobrimos que nada é nosso, estamos apenas fazendo uso por um período.

⁠O mundo do outro não é o meu mundo. Eu preciso compreender isso, caso contrário andarei tropeçando sempre nas minhas ideias, nos meus julgamentos.