O PÁSSARO DE ASA QUEBRADA Era noite de... Eraldo Cunha

O PÁSSARO DE ASA QUEBRADA


Era noite de 29 de janeiro. Ele saiu do trabalho e resolveu ir até a cidade vizinha. Numa curva, a moto derrapou em algo espalhado no asfalto. Seu corpo foi arremessado contra o guarda-corpo. Ali ficou, desorientado, aguardando socorro.
O SAMU apareceu, estabilizou e o levou ao hospital da cidade vizinha. Dali, encaminharam-no para o hospital regional, mas no caminho foi preciso parar em outra unidade de saúde. Os sinais vitais diminuíam, a morte era iminente. Moveram céu, mar e terra para ele não partir. Ele parecia ter sede de viver.
Reanimado, seguiu para o HRSAJ. Os dias foram difíceis: intubação, dezenas de dias em coma. A morte insistia em ser sua maior companheira, tentando levá-lo a qualquer custo.
A comunidade, comovida, se uniu numa corrente de fé em oração, reza e preces pela sua recuperação.
A medicina, por várias vezes, já não era suficiente. Era necessário um milagre. Os dias longos e as noites intermináveis pareciam não passar.
De forma milagrosa, ele retornou do coma. As sequelas eram visíveis: fala limitada, sons inaudíveis, limitação motora e uma grave fratura num dos braços ainda o atormentava. Submeteu-se à cirurgia, colocando uma estrutura que em muito se assemelhava a uma antena externa de TV de antigamente.
Recebeu alta, adaptou-se em casa uma espécie de quarto-enfermaria e a luta continuou.
Sua reabilitação necessitou de fonoaudiologia e ainda continua com sessões de fisioterapia para restabelecer o movimento do braço.
Ele, que esteve muito perto de fazer a viagem rumo ao desconhecido, hoje está praticamente curado.
É um pássaro com uma asa em recuperação, pronto para, a qualquer momento, voar livre por aí.