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Coleção pessoal de Eliot

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Sou o que sou -

Sou o que sou
por não poder ser mais!
Desprendo-me da vida,
desprendo-me do Mundo,
não sei aonde vou ...

Talvez soubera e não fosse!
E não sabendo irei?! ...
Parado não estou.
O que faço não sei.
Tristezas que a vida trouxe ...

E o destino passou ...
A vida é tão estranha ...
Há um fosso à nossa volta ...
E como uma teia de aranha
eu sou o que sou!

Hoje sinto-me abraçado por Deus -

Hoje sinto-me abraçado por Deus
Sem recriminações nem vazios
Para além de tudo, de tantos véus,
Leve, aberto, esférico como um rio.

Hoje sinto-me abraçado por Deus
Que nem tenho vontade de falar
Tão perto de tudo quanto é Seu
Onde a vida só é vida se a gente amar.

Hoje sinto-me abraçado por Deus!
P'la sua Mãe e p'los seus Santos ...
Tão leve que sinto que este corpo não é meu
E até voo solenemente nas asas d'um Anjo.

Hoje Deus abraçou-me mais uma vez!
E se nada me pertence, nada é meu,
E se, no fundo, até foi Ele quem me fez,
Eu dou-lhe a minha vida, eu sou Seu ...

Inveja -

Eu não sou nada
Eu não tenho nada
Eu não atingi sitio nenhum,
Então, como é possivel
Que os outros sempre
Tivessem desejado o meu lugar?!

PARA CELESTE RODRIGUES:
- Que pena que tu Partiste -

Partiste! Que pena que tu Partiste!
A vontade de te ver não queiras imaginar.
Partiste! E afinal o que é que deixaste?!
A minha vida sem ti, sozinha, ao pé do mar.

Partiste! Que pena que tu Partiste!
E levaste contigo a alegria do teu olhar.
Partiste! E afinal porque é que Partiste?!
E me deixaste neste cais, tristemente, a chorar?!

Partiste, que verdade tão cruel,
Que silêncio tão fatal, que lamento tão profundo,
Partiste e só me resta este fel
Que não me mata nem leva da tristeza do mundo.

Partiste! Que pena que tu Partiste!
O que vivemos já não volta, p'ra nós tudo acabou.
Partiste, só já me resta não viver
Chorando os nossos sonhos e a tua vida que passou!


Em memória da minha grande referência na poesia para o Fado, à minha querida e doce Celeste Rodrigues - a essa "Pedra de Lisboa".

Esse amor que trouxe o vento -

Esse amor que trouxe o vento
Mais veloz que o pensamento
Trouxe rosas ao meu leito
E num mar de água salgada
Fez nascer a madrugada
Como um sopro no meu peito!

Esse amor que trouxe o vento
Fez nascer no firmamento
Uma estrela ilumimada
E aqueles sonhos que sonhei
Aquele amor que desejei
Fez-me andar por outra estrada!

Esse amor que trouxe o vento
É mais forte que o lamento
Que a saudade ou a tristeza
E ái daqueles que o não sentem
Na verdade é porque mentem
E só vivem na incerteza!

Esse amor que trouxe o vento
Fez nascer um sentimento
Que nos veste o coração;
Disse adeus à amargura
E não sei se foi loucura
Disse adeus à solidão!

Naquela Campa -

Há um poema cansado
Nas rimas do meu sofrer
Mais um momento marcado
Pela vontade de morrer.

Há um silêncio que agito
No fundo dos meus sentidos
E o meu poema é um grito
São meus sonhos perdidos.

E o que ficou do que fomos
Está preso ao fado, à poesia
P'ra mim seremos e somos
Aquele amor que eu sentia.

Aquelas horas tão nossas
Só eu as guardo no peito
Talvez também 'inda possas,
Lembra-las tu ao teu jeito.

Naquela campa tão fria
Deixo uma rosa e um beijo
Que a Musa desta poesia
Fica virada p'ro Tejo.

(Poema escrito pelo Poeta junto ao túmulo da sua sua Inspiração, Celeste Rodrigues, no Cemitério dos Prazeres em Lisboa, no talhão dos artistas, virado para o Tejo)

80 Anos de uma Vida bem vivida -

Oitenta anos de uma vida bem-vivida,
Com instantes de tristeza outros de alegria
Muitas vezes planeada nem sempre apetecida
Mas vivida intensamente, dia a dia!

Oitenta anos de uma vida bem vivida
De um destino construído, inventado,
Tantas vezes suportado em despedida
Ora rindo ora choranso sobre o passado!

Oitenta anos de uma vida bem vivida
Onde as feridas já não tem um lugar
Onde a verdade é esperança conseguida
Com uma imensa vontade de sonhar!

E passa a vida! Tudo passa sem passar ...
Para a Alma não há tempo nem corrida
O que importa é não deixar nunca de amar
É o segredo de uma vida bem vivida!

(Poema dedicado aos 80 anos da Avó Materna do Poeta ( Avó Clarisse)

Pura Ausência -

Paira sobre a vida um vazio
Uma sombra magoada sem destino ...
Porque ficas em silencio frente ao rio
E nos deixas à deriva no caminho?!

O teu jeito! O teu toque! O teu olhar!
A tua voz cristalina, eloquente,
Capaz de nos fazer sentir o que é amar,
Agora tão distante, tão ausente.

Porque tinha eu que aqui ficar
Se tu tinhas que partir?!
Aconteceu! Aquele medo de separar
O que o destino um dia quis unir ...

Arrancaram de mim toda a alegria
Só há ecos de saudade no meu peito
Transformou-se em noite cada dia
E cada hora fria no meu leito.

Adeus musa cristalina dos meus versos!
Teu olhar é como um passaro que voou,
Como um dia que acabou, sem gestos,
Adeus meu Vendaval de Sonhos que passou.

(Poema dedicado à Fadista Celeste Rodrigues, à sua partida e à intensa amizade que unia o Poeta e a Fadista)

Na Solidão das Marés -

Na Solidão das Marés de um dia pardo,
vislumbra-se um amor que vai embora!
Instante de solidão toldado
pelas águas da distância
em que um coração amargurado
se afunda lentamente.
E as horas vão passando ...
E aquele amor vai partindo ...
E eis que nada nos rodeia nessa hora!
Sozinhos como sempre,
nos braços do destino,
embalados pela vida.
Ao longe, seus olhos de cristal,
deixam saudades no horizonte!

Nossa Senhora da Saúde de Évora -

Senhora das faces serenas
Alivia-me as penas
Neste passar pela vida;
Mãe dos tristes e dos crentes
Do nascer aos meus poentes
Sê meu porto de guarida!

Senhora dos mantos bordados
Dos olhos doces, brocados,
Das vestes d'oiro e de luz,
Alivia-me os pecados
E põe meus olhos caiados
Nas mãos doces de Jesus!

Oh Senhora do destino
Traz luz ao meu caminho
Quando me invade a solidão,
E como velas acesas
Leva as minhas tristezas
Salva o meu coração!

Oh Mãe dos desolados
Dos que choram cansados
Num penar que não tem fim,
Vovei, Senhora da Saúde
Vossos olhos p'ra quem lute
E não esqueçais também de mim!

Vacilo -

Hoje que o corpo parece vacilar,
num acto de profunda contradição,
levanto os meus olhos para Deus,
para que jamais permita
que me penetre a solidão ...

A nossa arma é a oração!
É de Deus que nasce a cura
pois é da Fé que nasce a paz
que paira leve e docemente sobre
o coração ...

Oh Senhora da Saúde
venho falar dos meus medos
são teus os meus segredos
que partilho em confissão.
Pois não vejo o caminho
Nesta imensa escuridão.

Mãe do destino
dos pobres, sem nada,
estou cheio d'incertezas
que deixo em vosso altar
nestas velas acesas.

O Virus do Vazio -
(Covid-19)

Vou sozinho p'la cidade ...
Nao há nada!
As ruas estão vazias tal qual os corações
dos homens ...
Não sinto nada! Nada se ouve, nada se escuta,
só o vento que anuncia o vazio das ruas e
dos corações dos Homens ...
As janelas estão fechadas, as portas também!
Não se ouve nada! Só há gestos partidos
cheios de noite e escuridão!
Passa a solidão ... lenta e absorta.
Évora está deserta!
Deus fechou as Portas!
Os Homens estão despidos!
Não há nada! Não sinto nada! Não vejo nada!
Um só desejo me veste o corpo neste instante,
abraçar-te novamente, óh Évora Encantada!

(O Poeta, caminhando sozinho, por Évora vazia, na solidão das ruas desertas ...)

É preciso aprender a definir quando nos encotramos nos tempos de coruja ou nos tempos de falcão. Saber esperar quando estamos na mó de baixo e saber atacar quando temos todos os trunfos na mão!

Egrégios Silêncios -

Nos egrégios silêncios de um adeus
tantos sentimentos ainda por viver
tantos sonhos que alguém disse serem seus
perdidos num amanhã por conhecer.

Há nos olhos evasivos de um mendigo
qualquer coisa de verdade e de cansado
e às vezes, na vida, somos sem-abrigo
embalando nos braços um passado.

E os egrégios silêncios são os gritos
das gaivotas enganadas pela vida,
que se partem com o vento, como vidros,
em horas de dolorosa despedida.

Talvez haja p'ra lá daqui outro amanhã,
mais inteiro, mais aberto que este mundo,
pois a esperança no silêncio não é vã
só nos resta adormecer lá bem no fundo.

A Noite dos teus olhos -

A noite dos teus olhos
veio cobrir-me o corpo de
silêncio,
as trevas invadiram os
horizontes,
o dia não voltou,
passaram sombras,
secaram fontes!

Vontade de Chorar -

Nunca pensei como seria chegar aqui.
Que momento infame,
que hora vil e cruel ...
Ter que te dizer adeus!
Que Astros há no firmamento do
teu dia?!
Para onde está direccionada a Cabeça
do Dragão?!
Quem de longe te chama?!
Já nem ouves quem te cerca!!!
Que voz é essa?! Tão forte, tão intensa,
tão profunda?!
Quem são esses que se aproximam do
teu leito e te envolvem em lençois de Luar?!
Só tenho vontadede te ver ...
Só tenho vontade de chorar ...


R.I.P. Maria Flávia de Monsaraz

Portugal só está completo quando a Familia Real está presente, à parte isso, somos elos dispersos de uma poderosa Linhagem que não formam cadeia!

- À Senhora dos Astros -

Senhora, ao entregar em vossas mãos de neve,
meu destino, meu pobre Coração,
sinto entregar-vos, hoje, aqui, frente ao Tejo,
o que resta de minha amarga, dolorosa solidão.
E se assim é, Senhora,
quando ouvirdes declamados estes versos,
ornada desse olhar fecundo de ideais,
imensos ideais, tão intensos, tão profundos,
sabei que vossos olhos me salvaram desses "AIS"!
Quero dizer, Senhora-dos-Astros,
quero deixar, Senhora-dos-Ciclos,
uma imensa, tão profunda gratidão ...
Sou hoje um Novo-Ser,
sinto em mim outro pulsar,
tenho um Novo-Coração!

- Poema para Maria Flávia de Monsaraz -

- O que é isto Senhor?! -

Há um misto de silêncio e de saudade
que dança no peito de todos nós,
tão profundo, sem tempo nem idade,
que muitas vezes nos põe connosco a sós!

Tão quente como o Sol de cada amanhecer
tão frio como a água que cai do Céu
tão escuro como o negro de cada anoitecer
tão forte como Aquele que um dia padeceu!

O que é isto Senhor que sentimos a horas mortas
que nos corroi e esventra o coração?! ...
Tanta gente que passa p'las nossas portas
e nós, tão sós, à mesa com a solidão!

O que é isto Senhor que não nos deixa descansar
e nos arremata a Alma como num leilão?!
Será , talvez, condição ao incarnar
ter que aprender a pacificar o coração ...

- Um Amor que já foi quente -

É tão triste sentir frio
aquele amor que já foi quente
como pedra junto ao rio
que não lhe fala nem o sente.

É vê-lo tão distante
embrenhado em fantasia
numa angústia que é constante
seja noite ou seja dia.

E há vazio, há impotência,
não saber o que falar
pois perdeu-se da essência
da pessoa a quem amar.

Nunca prendas quem quer voar
dizia sempre a minha avó
porque o amor não faz chorar
não dá pena nem faz dó.

Pois que siga à vontade
quem te quis e já não quer
ninguém morre de saudade
Venha sempre o que vier!