Coleção pessoal de Eliot
Se um dia alguém perguntar por mim
digam que vivi p'ra escrever
nada mais ficará p'ra lembrar
além dos versos que deixei
antes de morrer ...
Nossa Senhora do Amparo e da Pobreza -
Nossa Senhora do Amparo
da Pobreza e da Solidão
trazes no olhar um brilho novo
como o Rosário que trazes na Mão.
No rosto pálido a tristeza
nas feições trazes silêncio
mas Teu Ventre é com certeza
um Cálice de salvação ...
És a Arca da Aliança
Torre de Marfim; Porta do Céu
e vejo em Ti como em criança
tanta Estrela no Teu véu ...
(Poema para Nossa Senhora do Amparo, Senhora da Igreja da Pobreza em Évora.)
- O Poeta, a caneta e o papel -
Estranha relação,
dificil; impiedosa
cheia de memórias; silêncios
como os espinhos de uma rosa.
Coisas por dizer
nunca por sentir
dificeis de esquecer
que fazem desistir.
O Poeta decadente
a caneta gasta; triste
o papel roto de existir
a Alma morta ... persiste.
Impera a solidão
a distância e o vazio
e sofre um coração
jaz morto sobre o rio.
Não temo a Morte temo antes a Vida
e os seus caminhos pedregosos
cheios de sucalcos ...
Não temo a Morte temo antes a Vida!
Não tenho medo da Morte
porque a Morte é um descanso;
um privilégio que todos temos
na hora certa! ...
Dia de Portugal:
Esse Porto do Graal;
essa Terra Lusa
tão cheia de Mistérios e de Glórias...
Não queria pertencer a outra Pátria!
Lápide Funérea -
Aqui jaze
o corpo de um Poeta
que trocou as glórias
deste mundo
pelo Salão de Banquetes
da Eternidade ...
Os poemas surgem do nada
quando o nada é tudo.
E mesmo assim,
na incompreensão de ser é que
me sei perfeito e inteiro,
mais que o mundo, mais que a vida ...
A própria morte!
Sem dinheiro nem Deus - o mundo de hoje -
O Mundo vive, neste momento, uma longa noite interior. As certezas foram abaladas. Os corações permanecem em silêncio na esperança que o dia renasça. A antiga ruptura com Deus tornou os Homens vazios, austeros, distantes, tantas vezes incapazes de perceber a importância de nos "virarmos para dentro" em momentos de intranquilidade e tristeza como estes que vivemos.
E o que temos? Com o que ficámos? A Pandemia tirou-nos as nossas seguranças exteriores! E agora o que fazemos sem vida social? Para onde nos podemos virar? Sem dinheiro nem Deus quem somos? O que faremos?
Dizem os Orientais que para que tudo mude é preciso que algo não mude e isso que não muda é a própria vida na sua essência. Continuamos vivos e somos vida por isso há esperança. A vida como centro emanador de energia permanece em nós e fora de nós. Tudo o resto é vão. Estamos vivos! Somos vida! Só precisamos tomar consciência desta enigmática mas profunda realidade. Realidade que nos antecede, que antecede a existência, que antecede a própria vida.
O mundo desmorona aos nossos olhos e nós não lhe podemos acudir. Somos impotentes. As sociedades caem como um imenso castelo feito de cartas. A politica como a conhecemos já não serve, é oca. É preciso servir a politica e não servir-se da politica. É preciso mudar padrões, valores, registos ... É preciso rever prioridades, reaprender a revermo-nos nos olhos dos outros.
A morte espreita impiedosa, astuta, a cada canto da vida. E como reaprender o que não soubemos intuir?! A sociedade não nos preparou para tudo aquilo que estamos a passar. É urgente despertar para uma vida interior.
Muito tenho ouvido falar em sacrifício e nos sacrificados da pandemia.
A Culpa, o julgamento e o medo são os três "nós psiquicos" que impedem o Coração de abrir à dimensão da Alma. Infelizmente a humanidade evolui através do sofrimento. O sofrimento que aceita e integra. Quem ultrapassa as dificuldades que vive nunca mais é o mesmo. Esquecemo-nos de que tudo o que acontece de ruim na vida de cada um é para a melhorar, transformar, reerguer, reconstruir. É isso que nos está a ser exigido neste momento pela Natureza.
Todas as renuncias deveriam implicar uma dimensão "lavada" de sacrificio,
pois Sacrificio, vem de SACRO OFICIO, ou seja, Oficio Sagrado.
E todo o Oficio Sagrado deveria ser um serviço que une os Seres Humanos, cada Ser a outro Ser, todos os Seres. Um Oficio Amoroso que dimensiona e integra
o Coração!
Um sacrifio deveria ser um Acto-de-Amor. Assim demonstrou Cristo
ao dar a sua Vida para Ensinar que só o Amor Salva.
O que ocorre é que muita gente que acredita apenas se identifica
com o peso do seu sofrimento tantas vezes marterizando-se, esquecendo a ressureição como meta final. Em analise profunda,
os homens de hoje culpam-se,
julgam-se e teem medo.
Bloqueiam o acesso às suas Almas,
ao Sentir mais vasto e profundo que os habita.
A Natureza da qual fazemos parte está a obrigar-nos a meditar neste dilema e a dar-nos a oportunidade de uma profunda transformação interior. Porque o dinheiro hoje perde-se amanhã ganha-se mas o amor não, a vida não.
Quem vive do medo nunca poderá identificar-se
com uma renovada noção de sacrificio
onde o peso dos actos que pratica ficariam "lavados" pela dimensão Amorosa
que lhes deveria injectar.
Não sabemos fazê-lo. Ninguém nos ensinou.
Qualquer acto, apesar de doloroso,
ao ser identificado com o Amor
fica Baptizado, renovado.
Muitas vezes encontramos seres
que procuram ajudar os outros
sem antes se terem ajudado a si mesmos.
O que é uma fantasia! São seres que fogem
de si próprios em busca no exterior de algo
que só dentro poderão encontrar,
a Paz.
Por lá passei nessa curva do caminho.
Passei e não fiquei, senti e libertei,
morri e Ressuscitei!
Quando se sente que a Vida é um "fardo"
é tempo de reflexão sobre quem somos
e o que estamos a fazer de nós mesmos. Este é o momento. É a hora.
É tempo de verificar se transportamos
coisas que não são nossas e libertarmo-nos delas.
A Vida ensina a Liberdade de Espirito,
de Alma, de Consciência.
Alguém de quem gosto muito afirmou um dia que Amor é Consciência e Consciência é Amor.
Ninguém nos pode dizer quem somos
ou o que fazemos aqui,
somos nós que temos que o descobrir.
No fundo, estar frente-a-frente
com a Ordem do Universo que é Deus,
sem intermediários.
Ninguém atrai peso superior às suas forças! O destino é apenas
a consequência do mundo interior que cada um transporta consigo mesmo, por isso, há que modifica-lo para modificarmos as nossas vidas.
"Conhece a Lei e sê Livre"
dizem os orientais na sua imensa sabedoria.
Quando alguém se assume como "sacrificado"
não cumpre um Oficio Sagrado, um Acto-de-Amor.
Cumpre uma pesada pena que se deu a si mesmo para
se "auto-flagelar" pelo peso das suas culpas.
Culpa-se, julga-se e fecha-se no medo ...
Atenção!
Que se rompam velhos padrões e se conscencialize um Novo Tempo pois é tempo de Amar sem bloqueios ou falsas virtudes. Um novo mundo construído agora nos espera mais adiante. Não adiemos esse futuro tão promissor pois é no presente que se constrói o futuro.
"Coragem! Porque coragem não significa ausência de medo!"
Procissão dos Passos -
Do Espírito Santo sai a procissão
o povo triste vai calado
Calado e triste em cortejo ordenado
triste calado o Senhor ensanguentado!
Entardecer ... sombras vacilantes
caminham p'la cidade sem vacilar
negro vestir, magoados caminhantes
avançam pela luz crepuscular.
A banda toca com empenho
desce o pálio roxo sobre o Bispo
nas ruas só há espanto pois é visto
que o Prelado leva o Santo Lenho.
Adiante os Martirios do Senhor
as Aias de Braçadeira roxa
nas alas os fiéis cheios de dor
choram, pedem, rezam com fervor.
E aonde irá Jesus
nestes Passos do caminho?
É imensa a sua Cruz
seu manto roxo de arminho!
Na Praça do Encontro
sua Mãe espera de rastos
encontra o Filho em tal estado
fica seu peito trespassado.
Segue a procissão! Passos tristes e inteiros
ordenados por Évora amargurada
marcha o povo contristado em oração
como a noite que antecede a madrugada.
(Dedicado à solene procissão do Senhor Jesus dos passos de Évora)
Quem são as Aias de Nossa Senhora da Saúde de Évora da Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde de Évora?
O significado da palavra Aia, Dama, mordoma ou Camareira é "serva de uma nobre dama". E é exatamente isso que são as Aias de Nossa Senhora da Saúde de Évora . Senhoras dedicadas aos cuidados das coisas que cercam a Mãe de Deus, Maria, a mais nobre de todas a Damas.
As Aias de Nossa Senhora da Saúde têm como atribuições a organização e o bom andamento das novenas, preces e terços a Nossa Senhora, ocupam-se da tradicional troca das Vestes por ocasião das Festas, por tudo o que envolve a beleza e a nobreza das festividades da Mãe de Deus (as roupas, as flores do altar, o polimento da coroa e do ceptro, a limpeza, a ordem do ambiente, as jóias, etc.).
Cuidam do andor de Nossa Senhora, das procissões, das obras de caridade, quermesses, animações litúrgicas das festas marianas e das recitações dos terços durante as festividades.
São responsáveis por angariar fundos para prover às necessidades dos doentes, em especial, para a organização das festas marianas. Embelezam e cuidam da Igreja como um todo sempre que necessário.
As Aias de Nossa Senhora da Saúde são submissas às orientações dos Estatutos que governam a Real Irmandade à qual pertencem e atendem às solicitações dos Órgãos Sociais e do Capelão. Rezam em devoção a Nossa Senhora pela Igreja, pelos seus sacerdotes, pelos irmãos e irmãs da Irmandade.
Para fazer parte do grupo é necessário que os Corpos Sociais reconheçam a Senhora por algum feito ou dedicação especial e que, depois de proposta por outra Aia, numa cerimonia apropriada (Missa), o Capelão da Irmandade a entronize no grupo das Aias, entregando às postulantes as insignias de Dama de Nossa Senhora (braçadeira azul celeste com brasão com M de Maria coroado e laço de lapela azul celeste com medalha de Nossa Senhora da Saúde de Évora coroada).
Todas as Aias devem trajar negro nas solenidades, simbolo de anulação da sua identidade diante Daquela a quem servem, Maria, a única que deve brilhar, que deve ser notada.
Apenas se devem evidenciar sobre o corpo das Aias trajado de negro as insignias das Damas de Nossa Senhora (braçadeira e laço de lapela azul celeste).
Devem igualmente apresentar-se de véu preto e luvas brancas nas solenidades e luvas pretas, em sinal de luto, caso se tenham que apresentar em eventos com natureza de pesar.
Nossa Senhora da Saúde de Évora
Rogai por nós!
- ORAÇÃO DAS AIAS DE NOSSA SENHORA DA SAÚDE DE ÉVORA -
A Teus pés, Senhora Nossa, nos prostramos! Aqui estamos, débeis, simples mulheres.
Senhora, Rainha dos Céus, recebe de nós,
fiéis devotas, a verdade dos nossos corações. Recebe e guarda sempre as nossas Almas.
Recebe os nossos pais, os nossos esposos,
os nossos filhos, os nossos netos.
Os nossos vivos, os nossos mortos.
Guarda-os junto ao Coração.
Aninha-os em Teu regaço como a teu Filho.
Somos pobres pecadoras, tantas vezes, incapazes de te ouvir segredar-nos ao ouvido, aquele "SIM" que deste um dia a Deus
e que foi o Principio da nossa salvação.
Ensina-nos o dom da humildade,
a alegria do amor, a sabedoria do Perdão.
Aqui estamos! Aias, vassalas, escravas, subditas,
prontas a dar a vida pela Sua Senhora,
servas do Seu Santo Nome!
Recebe, Senhora, a humildade dos nossos préstimos, te-los entregamos
para o Bem de toda a humanidade.
Nossa Senhora da Saúde de Évora,
Rogai por nós!
Amen.
A principal tarefa de uma existência é tentar compreender e aceitar a sua própria Alma. É a reconecção ao seu Espirito e, por conseguinte, ao Espirito de Deus.
A Vida -
A Vida está pejada de páginas soltas
cheias de linhas por escrever
que o destino, ansioso,
deseja ver preenchidas
pelo punho de cada um!
O Ano da Morte -
O ano de 2020 foi o ano
da morte interior (e exterior)
de todos os homens (covid-19).
Eu não precisei morrer nesse ano ...
Já tinha morrido!
Morri quando nasci ...
