Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt

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⁠A minha poesia
se transformou
na epopeia
dos militares
injustiçados,
da Pátria ferida
mesmo não
sendo a minha,
Os meus versos
estão tristes
a cada dia
mais um pouco.
Não sei quem
é o novo
advogado
do General,
Não sei como
se encontra
o estado
físico dele,
Só sei que isso
tudo me inquieta,
e escandaliza,
Porque esse
absurdo não tem
nenhum cabimento
de manter preso
em precárias
condições,
ele que deu a vida
inteira à Pátria.

Só sei que
na imprensa
saiu que forjaram
um expediente
falso contra ele,
e assim vem
sendo contra
muitos outros
militares presos,
E isso tudo tem
me horrorizado
frequentemente,
Não sei o quê
será deles
daqui para frente,
Só sei que daqui
de longe vou
sendo poesia
para que a verdade
não seja esquecida.

⁠Como faltou
água e luz
me transformei
em poesia
para não deixar
ao povo faltar,
Da mesma forma
assim sou quando
ao povo falta
pão e liberdade,
Sou aquela que
traz de volta
a Humanidade.

A vida do povo
tem sido triste
e sabotada
todo o santo dia,
ainda trabalham
pela volta da água
e da energia,
contando com
o apoio pela
estabilização
do fornecimento,
e eu sigo sem exagero
pela poesia porque
a recompensa
do poeta é a liberdade,
porque a minh'alma
indignada se encontra
presa com o General
que todos sabem
que é inocente
e com a tropa injustiçada.

Não escrevo como
o oficial que leu
o texto diante do
féretro do Comandante
porque ele e eu
sabemos o quanto
tem doído há muito
tempo essa despedida,
Dialogo diretamente
com a vida porque
o conjunto da obra
violou a lógica,
Não vou aceitar
que haja nenhuma
despedida porque
sou a reação quando
falta justiça,
e assim me recuso
a parar de falar.

⁠Por todos os cantos
deste continente
ecoam a intermitente
máxima que pior
que a própria
pena de prisão
é o esquecimento
daquele que foi
preso por querer
libertar a Pátria.

Olha, preste atenção!

Quem diz ser fiel
ao lema de Zaraza
não deve abandonar
o companheiro
de tropa nas mãos
do judicial tormento
e a convalescença
dele nas mãos do tempo.

Vem, ainda é tempo!
Os falecidos merecem
honra e memória,
mas não se deve
deixar aqueles que
ficaram em estado
de abandono,
não dá para fingir
que a privação não
existe e que há
falta de assistência
onde nada há.

Porque quem se diz
leal sempre,
Tem o dever de ser
traidor nunca,
E nem de ser na vida
um ser humano
pela metade
e nem abandonar
na estrada do destino
quem partilhava
do mesmo caminho.

⁠É incrível ler
que alguns
andam usando
o nome
do General
indevidamente,
nessa altura
ele sigo ainda
sem notícia
de um novo
advogado,
está voz
e abatido,
imagino o quão
o coração dele
está ferido por
não ter sido
entendido
e injustamente
apreendido,
por quem há
tempos vem
o perseguindo.

Dizem que
os próximos
dias serão
tensos para
a Venezuela,
discordo do que
andam semeando,
porque vejo que
a cada dia
dessa maneira
as coisas só
estão piorando.

Para ser virtuoso
nessa vida é
preciso sempre
ter o coração aberto
para o perdão,
o diálogo
e a reconciliação,
porque só assim
haverá a reconstrução,
porque um novo
caminho se faz
com vários passos
e sem escolher as mãos;
é preciso recuperar
o espírito de união
sem ver a quem
e sem preferir a ninguém.

⁠Das leituras
da História,
das páginas
dos jornais
e de impressões
sensoriais,
me apavoro
como se
estivesse
presa com
a tropa,
como epopeia
que não
descansa,
e nem se
contenta,
porque mais
um dia
é sempre
menos um dia,
valsa a agonia
porque é
grande
a covardia:
o General está
fisicamente
mais abatido
a cada dia.

Dizem que
plantaram
provas
na cela
do General,
mas não
falam quais,
prelúdio
de uma noite
ainda mais
dura e dias
anormais.

Grassa
pelos ares
do continente
que os mais
críticos
dos militares
estão sendo
perseguidos;
ficar fingindo
que não li
sobre realmente
não consigo,
o meu
pensamento
ocupa o céu,
o inferno
e a minha
sala aos giros.

⁠De poetisa
ao antigo poeta
da rebelião
que na calada
da noite
eu sei que
me lê,
e que 'vendeu'
a alma
em troca
do mundo
deixando
a poesia
à revelia
e conseguiu
na vida
se perder:
confio que
o Comandante
lá do céu
nos vê.

Não era para
ser assim,
e nem ter
sido assim,
ter falado
o quê não
devia sobre
o General,
você nunca
mais será
o poeta
de antes
para mim.

Ver inimizades
onde nunca
houveram
para se
segurar
naquilo
que passa
não é útil
para mim,
para ninguém
e para você,
preferia vê-lo
anunciando
a pacificação
que renova
e prospera.

Muitas vezes
escrevo além
da conta,
e falo até
o quê não devo;
é uma forma
de me defender
do mundo
que nos faz
brutos por medo.

⁠Sou o verbo
que denuncia
abertamente
na boca do
jovem tenente.

Nesta Pátria
há quem
nela durma
e que se
desencontra
na esquina
do destino
indiferente
ou conivente.

Não me importo
nadar contra
a corrente,
vou escrevendo
nas páginas
da vida
que estou
descontente
porque estão
arruinando
o General,
e acho que
nem sei mais
o quê é poesia.

Anseio libertar
a tropa mesmo
sem ter a ideia
de como fazer,
só sei que não
há mais tempo
a perder,
o maltrato
rompeu todo
o limite humano.

⁠Olha, meu bem,
tenha cuidado,
porque corrupção
espiritual anda
produzindo
até condenação,
é uma re-edição
desgostosa
de 'O pecado
mora ao lado',
uma paródia
de mau gosto
'à beira de um
ataque
de nervos'.

É linguagem
poética feita
para rir quando
o tempo se
encontra fechado,
porque o quê
importa é ir
tocando o barco.

Um mistério que
não nasceu para
se explicar,
mas se você
me sente como te
sinto ficará fácil
de me interpretar:
o quê vale nessa
vida muito além
de agradar é
sentir no coração
a dança do universo
em sua plenificação.

Porque eu quero
saber do General
e da tropa,
porque onde eles
se encontram é
o endereço do
inferno institucional,
e como resposta
assumo como
tatuagem zodiacal
o compromisso de ser
o sonho de liberdade.

⁠Nesta noite
latino-americana
de angústias
devastadoras
e urgentes,
não consigo
fechar os olhos
sem pensar
nas dores
crescentes
do ombro
do General
injustiçado
que na pessoa
dele venho
contando
a saga de todo
um povo que
como ele
vem sendo
perseguido.
Saber de
tanta gente
que se foi
e de quem
como ele
segue na vida
resistindo
me traz
ainda mais
para perto;
sei de gente
que o peito dói,
mas segue em
frente sorrindo.

Só não quero
saber de quem
compactua
torturando
e mentindo;
porque gente
assim até Deus
se desinteressou.

⁠Quero conversar
com você aquilo
que é urgente
para te arrancar
do transe funesto,
que faz os teus
e tantos dedos
apontados,
e ideais agressivos
num tempo que
clama a primavera
da reconciliação.

É preciso uma
chance se dar,
seria tão bom
esquecer o quê
dói e entrar
num acordo
com o tempo
para recomeçar
do zero como
se nada tivesse
acontecido,
mesmo ciente
deste pedido
impossível,
mas crendo
pelo menos
no êxito
pela metade,
é necessário
contigo tentar.

Quero segurar
nas tuas mãos
e dar o primeiro
passo que é
imprescindível
para se libertar,
não há mais
outra opção,
embora não há
mais como na
vida se esquecer:
é preciso perdoar
para aplainar
caminhos e tornar
o ar respirável.

Veio a decisão
da medida cautelar,
e até agora não
sei do General
e como a tropa estão;
só sei que está
na hora de fazer
a sua parte e crer
que um mundo
novo é possível,
e só você é capaz
de fazer isso e mudar.

⁠Os meus poemas
talvez jamais serão
lidos pelo General
que está doente,
que todos sabem
que ele é inocente.

O importante é
que toquem o coração
de alguém que cuide
do abatimento físico,
e que se entenda isso!

Os meus poemas
talvez jamais serão
lidos pela tropa
que está refém de
um grande capricho.
Todos sabem que
eles são perseguidos
e o importante
é que todos
saiam dessa vivos!

Os meus poemas
talvez jamais
serão conhecidos,
o importante
é que se instalem
no coração de alguém
que pelo General
e pela tropa trabalhe
pela liberdade
em sua plenitude.

E assim consigno
neste Universo
que não aceitarei
nenhuma baixa,
sou a idéia que
sempre desencaixa
onde se retém
aquilo que
no fundo
não se detém.

⁠Conhecia um segredo
que só os nascidos
com talento teriam
a capacidade
de se destacar
na inteligência militar.

⁠⁠O General antes de ser
preso injustamente
deixou como mensagem
a reconciliação nacional
como caminho principal
para resgatar juntos
o tempo que perdemos.

⁠Ainda não
aumentou
novamente,
Mas sei
que o povo
desmaia em
mil sustos
todas as vezes
que o salário
aumenta,
E da mesma
forma quando
recebe tropas
estrangeiras.

Não consigo
me conformar
em não saber
mais notícias
a respeito
do General
que está
enfermo,
E não saber se
ele encontrou
alguém para
o amparar.

Onde o povo
clama pela
defesa da
sobrevivência,
Foram recém
descobertas
conspirações
elétricas feitas
por gente servil
e de mil traições,
Sinto que em
breve serão
descobertos
os malditos
autores
de tantas
outras
complicações.

Não consigo
descansar
pois é ruim
sentir que
a injustiça
com o General
tem sido
imensa,
E o tempo
tem dado
no corpo
a doença
como
sentença.

Só peço
que alguém
tranquilize
ao menos
o povo
sobre tudo
isso que vem
acontecendo,
E para que
o receio não
crie raízes,
já que chegaram
as aeronaves
russas;
Despertei com
aquele aperto
no peito e mil
questionamentos.

⁠Saber que falta
bom trato entre
militares até
os dias de hoje
tem me deixado
infinitamente triste,
o quê se tem sabido
não é orquestra
para os ouvidos,
e nem conforto
para o coração.

Não saber se há
e quem é o novo
defensor do General,
tem me causado
um mal enorme
e inominado,
pois ele está
notoriamente
muito adoentado.

Não há nada mais
horrendo saber
que há maltrato
entre pessoas que
fizeram a mesma
caminhada na vida.

Se falta notícia
é sinal que está
em falta a justiça,
a força da vida
mesmo que doa
nos ensina que
independentemente
dos fatos: a verdade
deve sempre ser dita.

⁠Saber que
falta luz e água,
tem me deixado
aterrorizada,
porque se tudo
falta ao povo,
a mim também
me faz falta.

Do General
injustiçado
e da tropa
perseguida
não estou
sabendo
mais de nada.

Como eu ainda
gostaria de crer
que o mundo
possível existe;
Não é fácil buscar
motivos para um
sonetário onde
sobra o silêncio,
e rende o tormento.

⁠O silêncio
de metal
baixou praça
onde se
chama
por cinco
letras,
E hoje é
conhecida
como
sucursal
do inferno;
Só quero
que não me
queiram mal,
E não me
entendam mal.

Este poema
e os outros
não têm
a ver com
apologia
ao crime
de ódio,
São os dias
que há
tempos
não andam
normais,
E por serem
sensoriais
cada um deles
podem estar
equívocados
ou não,
Mas buscam
ser fiéis aos fatos.

Onde se tudo
não explica,
não se sabe
nenhuma
notícia,
Me desculpem
porque tudo
afeta como
se tivesse
ocorrendo
comigo,
Da General
e da tropa
quero saber
quando cessará
com eles tão
brutal castigo.

⁠Não deveria ter
sido assim,
mas é preciso
reivindicar que
está em falta
a sensibilidade
social para lidar
com o essencial.

Até agora não há
nenhum sinal
de justiça para
a tropa e o General!

Não deveria ter
sido assim,
e eu também não;
é impossível
conseguir me calar:
mas sempre onde
o povo está em
sérias dificuldades
estarei junto com ele
em busca de uma
luz no final do túnel
sem me importar
com o tempo,
a distância
e as fronteiras.

Até agora não há
humano um olhar
sobre os coletivos,
está na hora de mudar!

Só sabe o quê
o povo passa
é quem sente muito,
e carrego por ele
no meu coração
a vontade de não
parar por nada
e seguindo com
o maior amor do mundo.

⁠Neste dia mirandino,
me ajude a entender
o quê se passa,
Só não misture
os fatos para não
tornar a vida ainda
mais confusa,
Porque já está
enorme a desgraça.

Seja como Teresa
que num verso
ensinou que tudo
passa e que só
Deus não muda;
Para não prejudicar
quem realmente
precisa de ajuda.

Porque mesmo
depois de tudo
e dessa tal
medida-cautelar
sobre General
e a tropa
ninguém sabe
mais nada,
Não vejo a hora
de raiar a liberdade.

⁠Meu bem,
a vida ensina
quem se permite
o discipulado,
e não se omite
de vivê-lo;
porém, existem
sempre aqueles
que não querem
o aprendizado,
e vivem julgando
sem consequência
e sem prova a tropa.

Não é suficiente
a complexa
exigência de
clareza necessária
na comunicação
direta porque
ela pede que
a mensagem
seja exata
como a tabuada.
Para que essa
insana rotina
não nos castigue:
deixo nas sagradas
mãos da poesia
que da linguagem
figurada se encarregue,
mas não esqueço
de se objetiva
ao dizer o sofrimento
que o General vem
passando na pele.

Ir ao quê interessa
levo como sempre
como regra absoluta
e excelência para
não deixar dissipar
o quê deve ser dito
em nome do que
sempre há o quê
comunicar quando
o bom senso falta,
e o quê é de verdade
se cala na multidão.