Coleção pessoal de anna_flavia_schmitt
Arabutã
Nos silêncios dos dias
o meu coração começa
a cantar quando penso
como é lindo o amor
que eu sinto e sempre
você o retribui inteiro.
O meu coração canta
sem parar que parece
o encontro de bandas
alegres a comemorar
no auge da Kerbfest,
e assim fico a flutuar.
Arabutã da minha vida
o teu florescer é poesia
pura sem nenhum exagero:
eu te amo cabocla, alemã
e por tua História inteira
de uma linda cidade
de gente amável e brasileira.
O encanto do coração que
se renova nas corredeiras
e quando a trinca de rios
que beijam o Rio Uruguai,
Faz agradecer pela paz
e a querer viver ainda mais.
És motivo da lavoura
da minha alegria toda
e das flores dos ipês da praça
enfeitando quando
caem até nos meus cabelos,
Da água da Cachoeira
em Canhada Grande
tenho orgulho da tua
gente de coração gigante.
Arabutã és terra amorosa,
e não há tesouro exuberante
ou raro diamante que ocupem
no Oeste Catarinense
o meu fascínio pelos sabores
desta cidade entusiasmante.
Há um preso
que a irmã
idosa por
ele clama,
Não importa
o quê ocorreu
lá atrás,
A vida pede
é que todos
de uma vez
por todas
aprendam
olhar com
uma mirada
reconciliadora
lá para frente,
Espero em
Deus que
do coração
deste povo
jamais seja
apagada na
vida a chama.
Existe ainda
muita gente
para o mundo
nos dar conta,
e histórias
sobrenaturais
para a gente
se assombrar:
Um General
está com
câncer
na garganta,
E há gente
que finge não
se espantar.
Tem um preso
desaparecido
que todo
o dia a Mãe
pede para
não ficar
sozinha até
saber onde
o filho está,
Algo diz que
o coração
de Mãe no
fundo já
sabe qual
é a resposta.
Da Trindade
dos Generais
que estão
presos em
Fuerte Tiuna
não se sabe
quando irão
os libertar,
Clamo por
eles até
onde a voz
não se esgota
e a esperança
da mesma forma.
Quem viveu
nos porões,
sótãos
e sentiu na pele
o quê é ser
brindado pelas
repressões,
Estando envolto
por fios elétricos
desencapados,
Vai entender
o porquê tenho
escrito tanto
e peguei
estes versos
emprestados.
Em palavras
em barras
de tortura
ameaçadas
de morte,
em preces
de Virgílio Peres
a sós com Deus,
de outros
que fizeram
o mesmo
e das cordas
vocais que
foram cortadas.
As vozes que
ajudam
a rememorar
dão o triste
exemplo do
entendimento
que a razão
de hoje não
alcançará
por viver
isolada na
ilha da ambição.
As utopias
de dezenas
foram pagas
com a vida,
e há pouca
gente capaz
de valorizar
quem ainda
ouve gritos,
e vê as tantas
celas podres
inundadas
de urina, sangue
e de lágrimas
encharcadas,
deveria ser
cobrado que
todas as pessoas
venham ser
bem tratadas.
Pensem como
queiram,
isso é liberdade,
sem fazer
julgamentos
de valor por
aqueles que
deixaram as
suas vidas
como o General,
a tropa e outros
desconhecidos
por um altruísta
e sublime ideal,
e renunciando
da possibilidade
de liberdade sem
nenhuma notícia.
A voz da luta
campesina
denunciou
a ameaça contra
uma família
campesina
de Jaji-Mérida
que teve
a casa queimada,
a lavoura destruída
está desalojada
e desprotegida.
Essa família
ocupava a terra
há nove anos,
e com cinco
de título,
por que com
ela fizeram isso?
Dou eco a dor
que a ignorância
do autoproclamado
causa no povo
ao apoiar o tirano
que mora ao lado,
uma falta de decoro
igual ao do aliado
que viajou com
o passaporte errado,
todos a tal farinha
do mesmo saco.
Preocupa-me
sobremaneira
com o físico
do General que
não teve como
se recuperar,
dizem que
medida humanitária
ele pode ganhar
onde a justiça
está a se arrastar.
Há muito ainda
o quê lamentar,
a liberdade
do General,
da tropa e de outros
não vi até
agora chegar;
até o homem mais
poderoso do mundo
já pensa na paz
como um novo rumo.
Os ventos do dia
seguinte que
estão a refrescar,
Não chegam
até o General
porque janela
na cela não há.
Em relação
a justiça não
é diferente:
Ele se encontra
há mais de um
ano e meio
sem audiência
preliminar,
Tendo sido preso
no meio de uma
reunião pacífica.
Repito para que
ninguém mais
venha outra
história inventar,
Ou da imagem
dele se aproveitar
como um famoso
laureado ainda
insiste um falso
positivo plantar.
O General é inocente,
e não adianta
a cantilena
contra ele insistir
em espalhar,
A cada sílaba maldita,
surgirá um
novo poema
para o mal atrapalhar.
A donzela
Elorza está
desprotegida
e por outras
mãos vem
sendo levada,
Estão deixando
que dela não
sobre sonhos
e mais nada.
Não consigo
fingir que
não estou
vendo nada,
A gente anda
oprimida
e castigada.
O major e pastor
que havia convocado
uma marcha
espiritual foi preso,
Ele acreditou
que o tempo
de liberdade
havia chegado.
A luta popular
em união com
as Nações Indígenas
no Equador recebeu
o seu triunfo
num decreto revogado,
Neste continente há
tantos fatos ocorrendo,
E nenhuma notícia
de libertação para
o General que
segue injustamente preso.
Um oficial em
um escrito
feito de
fibra cidadã
admoestou
que as tropas
deveriam é
ter defendido
a liberdade
sem vinculação
a ideologia.
Não é difícil
de se colocar
do lado
do General
de olhos
inabaláveis
de azabache,
Procuro a calma
nesta tarde.
Uma estranha
narrativa
de um General
foi repercutida,
E um General
de Brigada
está desaparecido.
Não sei dos rumos
da rodada de
um acordo parcial,
Se haverá liberdade
para o General
que foi preso
em plena luz do dia
e no meio de uma
reunião pacífica.
Medidas substitutivas
de liberdade para
a convivência política,
Nada tem a ver com
harmonia e tampouco
com justiça,
Pouco a pouco elas
têm sido concedidas.
Rodada parcial muito
distante do que é real,
Rodada ficcional
e conta-a-gota que
não tem alcançado
muita gente e o General
que se encontra
com o físico fragilizado.
Recordando a prisão
sofrida do General
no fatídico treze
de março há mais
de um ano e meio
em meio a uma
reunião pacífica,
Da audiência preliminar
ninguém tem notícia,
ela sequer ocorreu.
A loucura saudosista
da época ditadura
anda a solta
neste continente,
Tem gente que pensa
que é gente fazendo
piada para invocar
a volta da censura,
Como não sabem
se comunicar
querem um AI-5 digital
de brincadeirinha,
No meio de tantos
jogos de ironia
há algo que se esforçam
para nos ocultar
de forma sobrenatural,
Pouco a pouco querem
nos acostumar aquilo
que não pode ser
chamado de natural.
A ausência
de liberdade
de expressão
causou um
desastre aéreo
sem reparação:
Um General
foi pelos ares
porque tinha
medo de falar,
A vida perdida
não tem mais
_restituição.
Duas dezenas
e a carta de tarô
vinte e dois
_Cifra de liberação;
Cadê a libertação?
O General que
foi preso há
mais de um
ano e meio
em meio
uma reunião
pacífica dele
até agora
não há notícia.
E não se sabe
nem se ele
está incluído
nesta cifra.
Só se sabe
que ele está
convalescido.
O General tem
sido vítima
de um grande
mal entendido
e de injustiça.
Faltam outros
tantos mais
como ele para
ser libertado,
Essa história
ainda não terminou,
e nem este poemário.
No total foram
vinte e nove
liberações em
um mês de trabalho
do Poder Judiciário.
Duas centenas
e mais a carta
vinte e dois
do baralho de tarô
no total de libertados;
Ainda não vi
uma saída igual
para a tropa
e o General
serem contemplados.
Enquanto a liberdade
de fato chegar,
Venho rezando em
dobro com o meu
santo rosário,
Até alguém o meu
pedido alguém escutar.
Em mim está
a agonia em
vários tons
todas as vezes
que o Império
insistente impõe
como explícita
provocação
os pássaros de ferro
para sobrevoar
uma Pátria
do nosso continente.
Insistem em cometer
o pecado capital
de manter presos
a tropa e o General.
Em mim por estes
versos diários
de responsabilidade
total e autoral
estão os signos
da liberdade,
Porque acredito
que buscar
o entendimento
nunca será tarde.
Os Generais,
os oficiais
do Batalhão Ayala,
E mais de uma
centena de oficiais
e outros presos,
Todos são vítimas
dos mesmos
excessos de
legalismo obsceno,
E com eles me prendi
a espera da sorte
que pode não vir.
Digo que me canso,
mas pela liberdade
deles não vou
parar de insistir.
Dizem que os
autênticos exilados
permanecerão
eternamente exilados,
E que somente
aqueles permitidos
é que retornarão.
Digo que me canso,
mas pelo regresso
de todos não vou
parar de insistir.
Está faltando
gasolina
em Táchira,
Rada foi
enterrado,
Quem é
líder social
aqui neste
continente
deve andar
nesta vida
com cuidado.
Olhos fechados
para o Haiti,
Honduras
e Equador,
Lábios fechados
para o óleo
no mar do meu
sublime amor,
Versos plenos
de evasão
massiva,
A gente
está sofrida
e as amazônicas
cinzas já foram
até esquecidas.
Há mais de um
General preso
injustamente
e sofrendo
igual injustiça,
vidas militares
estão sendo
enterradas vivas,
Abriram as portas
para o demônio
na América Latina.
Repetir os erros
da oligarquia - colombiana -
de apontar os dedos
no afã de ocultar
os seus próprios erros,
não ajudará a corregir
os rumos da História,
Só ajudará a piorar
o quê está péssimo.
É muito fácil
acusar os cubanos
para você fugir
dos seus patrióticos
compromissos,
Passou da tua
hora de amadurecer,
Lanço esta grinalda
de versos para que
aprenda a dialogar.
Os Generais não
estão presos
por causa deles
ou porque são
de fato culpados,
E sim porque
uns confundiram
que discordar
é desobedecer
e outros precisam
criar inimigos
imaginários
para permanecer
em nome do poder.
Os Generais que
estão presos
em Fuerte Tiuna
são inocentes,
Eles são presos
políticos e todos
os presos políticos
são inocentes,
Todos eles são
culpados por uns
que confundiram
que discordar
é desobedecer
e outros que
precisam criar
a todo instante
inimigos imaginários
para permanecer
em nome do poder.
Da última repressão
policial a um tupamaro,
Porque fiquei sem saber
porque fiquei sem sinal
para comunicação,
Depois li a notícia
de justa libertação.
Fato provocado
pelo neoliberalismo
que esmaga a todos
neste continente,
Que nos distancia
a cada dia de um
novo amanhecer
e nos colocou
com o Atlântico
mergulhado
num óleo sem fim.
Buscando não deixar
cair no esquecimento
o sofrimento do General
que segue preso numa
grave injustiça infinita,
Lamento a morte
inesperada do jovem
oficial carcereiro,
Ali não é digno nem
para os culpados,
e tudo escandaliza.
O tempo de liberdade
já era para ter chegado,
Não vejo nenhuma
calma na América Latina.
Dançando no abismo
com os meus poemas,
Em tempo de partidos
aos totais partidos,
Entusiasmada pela
luta da Bolívia
por sobrevivência,
Em mim está o signo
místico e hereditário
da resistência indígena;
A insatisfação chilena
a mim também pertence.
O clamor da Mãe pelo
filho envolvido no tal
conhecido Golpe Azul,
comove-me de norte a sul,
E nada posso fazer,
a não ser escrever
para ninguém esquecer.
Por medo ou
cumplicidade,
Vejo muita
gente calada
neste tempo
que passa,
Posso nesta
vida muito
perto do que
é muito pouco.
Gradativamente
a imigração
vem fazendo
nova a sua vida.
E sem poder
fazer nada
nesta Pátria
protegida
pelo Condor,
Sei que há
um General
uma tropa
e o seu povo,
Todos vítimas
de mais de uma
prisão arbitrária.
Paulatinamente
a reivindicação
vem crescendo
todo o santo dia.
O General está
aprisionado
desde o dia
treze de março
do ano de dois
mil e dezoito,
De um hotel
ele foi levado
no meio a
uma reunião
pacífica;
Na Justiça
não ocorreu
audiência
preliminar
E mal deixaram
da saúde ele
se recuperar,
Só Deus mesmo
sabe como ele está.
Encontrei uma
venezuelana
em diáspora
com uma filha
na mão e um
filho no ventre,
Vi nos olhos
dela uma fé
em Deus que
é o Senhor
do futuro
que a todos
nós pertence,
E uma tremenda
vontade de lutar.
Mulher da Pátria
do General que
ainda se encontra
injustamente preso.
Encontrei nesta
venezuelana
a notícia
de outros irmãos
da Pátria dela,
E a preocupação
que a vida
venha para
todos se ajeitar.
Mulher da Pátria
que uma tropa
ainda se encontra
injustamente presa.
Encontrei nesta
venezuelana
a bondade
perene,
a esperança
inabalável
e a fraternidade
compartilhada
que nem o tempo,
as dificuldades
e a tirania não
conseguiram tombar.
Mulher da Pátria
que homens
e mulheres estão
injustamente presos.
em nome de
um rumo melhor.
Encontrei nesta
venezuelana
os que como
ela estão
em diáspora,
E que podem
ser considerados
presos porque
foram obrigados
a partir contra
os seus arbítrios,
Uma verdade
que ninguém
pode questionar.
Não venceram
eles com terror,
eles seguirão
com a sublime
resistência
como resposta
e a reverência
pela memória
de seus
heróis mortos:
Paz na tumba
de Edgar Yucailla.
A História tem
se repetido
nas suas fórmulas
de morte e tortura
para do povo
roubar as suas
riquezas e a ternura,
querem levar
o povo a loucura.
O Outubro Negro
foi copiado
no Equador,
para acintar
e fazer chorar
os seus indígenas
pelos heróis
que o autoritarismo
condecorou e honrou
como os seus
assassinos estimação.
Não como apagar
da memória,
e nem tentar
escrever mais
nenhuma outra
nova história:
foram afastadas
a honra e a glória,
é uma absoluta
e real constatação.
Não tem como
não se queixar
da justiça
que vem sendo
todo o dia
por conveniência
desaparecida
deste jogo de xadrez
onde peões
se portam como rainhas,
onde heróis
são mortos
e seguem presos
injustamente
como o General
e muitos na América Latina.
Não adianta
se esforçar
para recontar
a história,
ficar ofendido
ou praguejar.
Disseram que
libertaram,
e trataram
o comandante
paramilitar
como ilustre,
E os irmãos
de causa
estão presos.
As regras para
todos não têm
de fato valido,
de cobrar deste
Judiciário muitos
têm esquecido.
Sem querer brigar
com ninguém,
Falando o quê
deve ser por
alguém dito
sobre mais de
um e o mal(dito),
Que colocou
na prisão
o General que
há mais de
um ano e meio
injustamente
vem sendo
por ele mantido.
