Coisas Novas
No fim, a publicidade não vende coisas, ela vende relevância temporária com aparência de eternidade.
Uma sociedade obcecada por acumular pode esquecer que algumas coisas existem precisamente para não serem vendidas.
O mercado conhece o preço das coisas; o Direito precisa lembrar que algumas dimensões da pessoa não possuem preço juridicamente aceitável.
A experiência não nos entrega a necessidade das coisas; oferece apenas a repetição de seus vestígios e nos deixa preencher o abismo com expectativas.
A beleza não repousa nas coisas como uma propriedade imóvel; nasce no encontro secreto entre o objeto e a consciência que o contempla.
Se decidires atravessar a noite, vai até o fim. Algumas coisas só fazem sentido depois que já não temos vontade de voltar.
A felicidade frequentemente escapa àquele que tenta capturá-la diretamente; algumas coisas só permanecem conosco quando deixamos de tratá-las como propriedade.
A consciência não paira sobre as coisas como um espectador; ela se compromete com o mundo através da espessura concreta do corpo.
O homem possui coisas, mas jamais deveria permitir que as coisas se tornassem a medida de seu próprio ser.
A pobreza mais moderna não é não ter dinheiro; é precisar de coisas que nunca desejamos até alguém nos convencer de que precisamos delas.
