Clarice Lispector Frases de Livros
Está faltando o sonho no que eu escrevo. Como viver é secreto! Meu segredo é a vida. Eu não conto a ninguém que estou viva.
E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos escorridos são de um náufrago. Porque sabe – sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano.
Nota: Trecho do conto As águas do mundo.
...MaisE não caminharei "de pensamento a pensamento", mas de atitude a atitude.
Deus, o que nos prometeis em troca de morrer? Pois o céu e o inferno nós já os conhecemos - cada um de nós em segredo quase de sonho já viveu um pouco do próprio apocalipse. E a própria morte.
Nota: Trecho da crônica Morte de uma baleia.
...MaisEle, a quem eu nada podia dar senão minha sinceridade, ele passou a ser uma acusação de minha pobreza.
Nota: Trecho da crônica Os grandes amigos.
...MaisEla, volta e meia, era uma mulher.
Nota: Trecho do conto A mensagem.
...MaisAi que te amo e amo tanto que te morro.
O que me interessava sobretudo é sentir, acumular desejos, encher-me de mim mesmo. A realização abre-me, deixa-me vazio e saciado.
Talvez eu agora soubesse que eu mesma jamais estaria à altura da vida, mas que minha vida estava à altura da vida. Eu não alcançaria jamais a minha raiz, mas minha raiz existia.
E porque minha alma é tão ilimitada que já não é eu, e porque ela está tão além de mim – é que sempre sou remota a mim mesma, sou-me inalcançável como me é inalcançável um astro.
Esperar que algo amadureça é uma experiência sem par: como na criação artística em que se conta com o vagaroso trabalho do inconsciente.
Nota: Trecho da crônica Um reino cheio de mistério.
...MaisQuero captar o meu é. E canto aleluia para o ar assim como faz o pássaro. E meu canto é de ninguém. Mas não há paixão sofrida em dor e amor a que não se siga uma aleluia.
Não estou à altura de imaginar uma pessoa inteira porque não sou uma pessoa inteira.
Sou cheio de muito amor e é isso o que certamente me dá uma grandeza.
Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir. Mas enquanto eu estava presa, estava contente? ou havia, e havia, aquela coisa sonsa e inquieta em minha feliz rotina de prisioneira?
Faltava-lhe o jeito de se ajeitar. Só vagamente tomava conhecimento da espécie de ausência que tinha de si em si mesma.
E naquele momento evitava precisamente a solidão que seria uma bebida forte demais.
(...) sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.
