Clarice Lispector Frases de Livros
Melhor assim. Não quero mais depender de ninguém. Quero é o "Danúbio Azul". E não "Valsa Triste" de Sibellius, se é que é assim que se escreve o seu nome.
Esse primeiro calor ainda fresco trazia: tudo. Apenas isso, e indiviso: tudo.
E tudo era muito para um coração de repente enfraquecido que só suportava o menos, só podia querer o pouco aos poucos.
(...) nada te posso garantir – eu sou a única prova de mim (...)
Dá uma vontade de não ser, exatamente quando se é com toda a força.
Eu quero a verdade que só me é dada através do seu oposto, de sua inverdade. E não aguento o cotidiano. Deve ser por isso que escrevo.
É porque estou muito nova ainda e sempre que me tocam ou não me tocam, sinto – refletia.
Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: Meu coração está espantado.
O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros.
Ficar sem fazer nada é a nudez final.
Sinto que viver é inevitável.
Mas a nostalgia do presente. O aprendizado da paciência, o juramento da espera. Do qual talvez não soubesse jamais se livrar.
Sofrimento é privilégio dos que sentem.
Quero a vibração do alegre. Quero a isenção de Mozart. Mas quero também a inconsequência. Liberdade? é o meu último refúgio, forcei-me à liberdade e aguento-a não como um dom mas com heroísmo: sou heroicamente livre. E quero o fluxo.
Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas.
Sem uma palavra. Mas teu prazer entende o meu.
E coca-cola. Como disse Cláudio Brito, tenho mania de coca-cola e de café. Meu cachorro está coçando a orelha e com tanto gosto que chega a gemer. Sou mãe dele. E preciso de dinheiro. Mas que o "Danúbio Azul" é lindo, é mesmo.
Não se preocupe comigo. Eu sou muito feliz.
É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é.
Redondo sem início e sem fim, eu sou o ponto antes do zero e do ponto final.
