Clarice Lispector Frases de Livros
O indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem. Só quando falha a construção, é que obtenho o que ela não conseguiu.
Dá uma vontade de não ser, exatamente quando se é com toda a força.
(...) nada te posso garantir – eu sou a única prova de mim (...)
Nota: Trecho da crônica A noite mais perigosa.
...MaisEu quero a verdade que só me é dada através do seu oposto, de sua inverdade. E não aguento o cotidiano. Deve ser por isso que escrevo.
A desistência é uma revelação. Desisto, e terei sido a pessoa humana – é só no pior de minha condição que esta é assumida como o meu destino.
Quando eu ficava sozinha não havia uma queda, havia apenas um grau a menos daquilo que eu era com os outros, e isso sempre foi a minha naturalidade e a minha saúde.
Melhor assim. Não quero mais depender de ninguém. Quero é o "Danúbio Azul". E não "Valsa Triste" de Sibellius, se é que é assim que se escreve o seu nome.
Nota: Trecho do conto Dia após dia.
...MaisEu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o âmago dos outros: e o âmago dos outros era eu.
Para compreender a minha não-inteligência, o meu sentimento, fui obrigada a me tornar inteligente.
Nota: Trecho da crônica O uso do intelecto.
...MaisPasso o tempo todo pensando – não raciocinando, não meditando mas pensando, pensando sem parar. E aprendendo, não sei o quê, mas aprendendo.
Nota: Trecho de carta para Fernando Sabino, escrita em 5 de outubro de 1953.
...MaisRefugiei-me na doideira porque a razão não me bastava.
O fato é que tenho nas minhas mãos um destino e no entanto não me sinto com o poder de livremente inventar: sigo uma oculta linha fatal.
Sou tímida e ousada ao mesmo tempo.
Nota: Citação dita durante a entrevista a Júlio Lerner, no programa "Panorama", na TV Cultura, em fevereiro de 1977.
...MaisEscrevo porque encontro nisso um prazer que não sei traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando...
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 23 de fevereiro de 1944.
...MaisE doidamente me apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta beleza. Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca.
Tentou num último esforço inventar alguma coisa, um pensamento, que a distraísse. Inútil. Ela só sabia viver.
É porque estou muito nova ainda e sempre que me tocam ou não me tocam, sinto – refletia.
Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: Meu coração está espantado.
Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isto é ser uma pessoa?
Quero antes afiançar que essa moça não se conhece senão através de ir vivendo à toa.
