Clarice Lispector Frases de Livros
Quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falte o delicado essencial.
E então eu soube: pertencer é viver.
Eu tenho medo do ótimo e do superlativo. Quando começa a ficar muito bom eu ou desconfio ou dou um passo para trás.
Tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre.
Parece-me que eu vagamente sentia que, enquanto sofresse fisicamente de um modo tão insuportável, isso seria a prova de estar vivendo ao máximo.
Nota: Trecho da crônica Morte de uma baleia.
...MaisO que os outros recebem de mim reflete-se então de volta para mim, e forma a atmosfera do que se chama: eu.
Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo.
Por que ela estava tão ardente e leve, como o ar que vem do fogão que se destampa?
Minha tendência a indagar e a significar já é em si uma angústia.
Mas ela já o amava tanto que não sabia mais como se livrar dele, estava em desespero de amor.
Eu quero o pensar-sentir hoje e, não, tê-lo apenas tido ontem ou ir tê-lo amanhã. Tenho certa pressa em sentir tudo.
Há um tipo de choro bom e há outro ruim. O ruim é aquele em que as lágrimas correm sem parar e, no entanto, não dão alívio. Só esgotam e exaurem. (...)
Homem chorar comove. Ele, o lutador, reconheceu sua luta às vezes inútil. Respeito muito o homem que chora. Eu já vi homem chorar.
Eu acho que, quando não escrevo, estou morta.
Até que por horas desisti. E, por Deus, tive o que eu não gostaria. Não foi ao longo de um vale fluvial que andei – eu sempre pensara que encontrar seria fértil e úmido como vales fluviais. Não contava que fosse esse grande desencontro.
Que alívio. Felicidade, meu bem, é alívio.
Ora, não sou linda. Mas quando estou cheia de esperança, então de minha pessoa se irradia algo que talvez se possa chamar de beleza.
Nota: Trecho da crônica Adeus, vou-me embora!
...MaisA esperança também não tem número. Perder uma coisa é inefável: nunca sei onde as coloquei. (...) Ser é de um provisório impalpável. (...) Juro que preciso de soluções. Não posso ficar assim completamente no ar.
Nota: Trechos da crônica Perdão, explicação e mansidão.
...MaisViver é extremamente tolerável, viver ocupa e distrai, viver faz rir.
Nota: Trecho da crônica Atualidade do ovo e da galinha (III, Final)
...MaisSei que as coisas são complicadas. Mas são ao mesmo tempo simples. Elas se complicam à medida em que se tem medo da simplicidade – porque essa simplicidade seja o fato em si, a verdade.
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 13 de agosto de 1947.
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