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Reconhecer os limites do conhecimento científico não significa rejeitar a ciência. Significa, justamente, levar a sério a distinção entre evidência, hipótese, interpretação e aquilo que permanece desconhecido.

A ciência deve ser respeitada por sua capacidade de produzir conhecimento verificável, mas não deve ser utilizada para responder, por decreto, perguntas que pertencem a outros domínios epistemológicos.

A ciência pode explicar como uma crença se forma sem precisar decidir se aquilo em que se acredita é metafisicamente verdadeiro.

A ciência pergunta “como sabemos?” antes de perguntar “no que queremos acreditar?”.

O Direito deveria proteger tanto a liberdade de acreditar quanto a liberdade de não transformar crença em prova.

A dúvida científica é produtiva porque aceita a possibilidade de estar errada; a dúvida dogmática é apenas uma certeza usando máscara.

A ciência conhece por aproximações; o dogmatismo conhece por decretos. Entre ambos está a honestidade de dizer: “ainda não sabemos".

A ciência pode investigar o cérebro que acredita; somente a filosofia pergunta o que significa ser aquele que acredita.

Talvez a maturidade intelectual consista em sustentar simultaneamente duas ideias: podemos conhecer muito e, ainda assim, ignorar o essencial.

O conhecimento amplia o território daquilo que sabemos; a honestidade intelectual amplia o território daquilo que admitimos ignorar.

Talvez a verdadeira liberdade intelectual seja esta: poder acreditar sem precisar fingir que acredita saber.

A esperança é, às vezes, apenas uma maneira elegante de adiar a lucidez.

É fácil acreditar em uma mentira; difícil é admitir que ela nos pareceu confortável demais.

A medicina muitas vezes cura o corpo enquanto oferece à esperança o tempo necessário para que a própria natureza faça seu trabalho.

A verdade não se torna falsa porque ninguém acredita nela; assim como a mentira não se torna verdadeira porque encontrou milhões de espectadores.

O ser humano criou tribunais para julgar seus semelhantes e filosofias para justificar aquilo que os tribunais não conseguem absolver.

Toda época acredita ter superado a barbárie até descobrir que apenas encontrou instrumentos mais sofisticados para praticá-la.

Pensar livremente é aceitar a possibilidade incômoda de que aquilo que defendemos com maior eloquência seja precisamente aquilo que deveríamos investigar com maior rigor.

O mundo que conhecemos não chega à consciência em estado bruto; entre a realidade e aquilo que acreditamos ser realidade existe sempre a estrutura de nossa própria percepção.

Conhecer a si mesmo é descobrir, dentro da própria consciência, tanto os fundamentos da verdade quanto os limites da própria arrogância.