Chuva
Tão digna quanto a luz que ilumina
Já vem de outros carnavais,
Outras fantasias
Ela é chuva, tempestade e ventania
Se reinventa e acrescenta
Escreve em páginas de metal
Ela não usa folhas finas
À noite ela fecha os olhos
Pertencendo ao mundo
Leva consigo as palavras,
Sabe que para ser feliz
Tem que ir além e desejar profundo.
Assim como a chuva cai, ao brilho do sol ou das estrelas, caem as lagrimas envolvidas pelo brilho de um sorriso.
...não há ninguém, só o inverno de jardim negro, e a noite, e a chuva, e o vento,
um velho sueter aconchegado ao corpo, uma xícara de chá quente...
Apenas caem as gotas lá fora uma a uma,
dividem o frio de um poema terno,
Poeta e poesia são aconchegos do inverno.
VENTANIAS
Tão fraca essa chuva desacompanhada de vento
Proveio certamente de alguma nuvem dispersa
Fugidia da madrugada de alguma noite sem graça
Estanque sobre o telhado acima da minha cabeça
Não que não mereça que meu derredor se molhe
Com essa calmaria própria dos bem-aventurados
Porem estou acostumado a solavancos constantes
Tanto que me estranha tamanha bonança repentina
Sou eu afeito de trovões e ventanias da montanha
Que sacolejam e soçobram insanos restolhos de asas
Absurdamente inconstantes entre abas e serpentinas
Por isso a minha casa é de pedra incólume e bruta
Plantada sobre sólidos e poderosos alicerces da lida
Mas despreparada à suave nudez de uma brisa
INSATISFAÇÃO
Pela manhã o silencio dos homens
Faz frio e a chuva cai
Proporciona prazer o som que
o gotejar produz ao tocar as folhas
das arvores e os telhados das casas
As nuvens no céu são densas
quase não se pode enxergar os montes
O cão ladra, uiva
talvez sentido o cheiro do cio
Os pássaros surpreendem
voam e cantam como se fosse
um dia ensolarado de primavera
E o homem que percebe tudo isso, murmura
O tempo e nosso maior aliado em ajeitar tudo.
E ele que faz tempestade tornar chuva calma e branda.
"É na madrugada que os pensamentos afloram, os pingos da chuva são alimentos ,para os meus pensamentos, e para a minha alma.
Não importa o temporal
O sol nasce mais uma vez
E tantas outras vezes...
Em dias de chuva, ser poesia !
24/06/2020
já íntimos, sua chuva eu vi
e senti em meus braços
mesmo ao meu lado
me perdi em seus passos
então, senti sua luz me aquecer
apesar da minha noite fria
e... em você eu vivia
o que eu temia viver
no seu pôr do sol
o vento soprou calmo
as pétalas voaram
e as estrelas se aproximaram
e o meu sorriso foi roubado
sob um belo céu rosado
BARCOS DE PAPEL (soneto)
Na chuva da temporada, pela calçada
A enxurrada era um rio, e o meio fio
O teu leito, com barragem e desafio
Na ingênua diversão da meninada
Bons tempos felizes, farra, mais nada
Ah! Os barcos de papel, inventivo feitio
Cada qual com um sonho e um tal brio
Navegando sem destino, a sua armada
Chuva e vento, aventura e os barquinhos
Tal qual a fado nos mostra os caminhos
E a traçada quimera no destino velejada
Barcos de papel, ah ideais, são poesias
Que nos conduzem nas cheias dos dias
No vem e vai, no balanço, da jornada...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27/06/2020, 11’05” – Triângulo Mineiro
Sábado chuvoso, mas cheio de encanto, o céu desce em pranto o seu delirar, a chuva é poesia com diferente magia, depende do olhar.
A única coisa que cai do céu é a chuva. Você vai ter que correr atrás dos seus sonhos. Você vai ter que acreditar em sua força interior.
Quando você olha a chuva pela janela e vê em seu quintal uma poça se formando, não espere a nova chuva para resolver o problema. Jardins belos requerem cuidado.
Mais uma noite vem chegando
Nela, o barulho da chuva me trás a sensação de já ter vivido antes esse momento
A solidão da minha sala
Que me acompanha pelo flash da televisão e vozes de dublagens que se fazem presente nesse momento
Penso que poderia estar em outro lugar
Penso que aqui é tão bom também
Se eu fosse mais novo, faria outras coisas nesse momento, mas eu não suporto mais a noite
Não suporto mais bares, festas, aquela gente rindo, bebendo, gritando momentaneamente felizes!
Não suporto eles...
Eu gosto dos gatos que não pedem nada além da comida e um carinho quando se sentem sós.
Gosto da minha avó que fala tudo que gosto
Gosto dos meus amigos que estão nas suas casas com suas esposas e nos vemos quando é possível
Gostava daquela mulher que desejava tanto e que me abraçava
Mas, hoje eu estou só
E na solidão da minha sala, consigo enxergar planos, consigo enxergar o passado, e consigo ver o quanto perco tempo sentado aqui!
Dias cinzas...
Pela janela vejo a chuva,
seus pingos tocam o vidro no ritmo do coração, quase se achegando nele.
Chove aqui dentro também...
Calcei um par de sapatos
Molhados
E o som que a chuva faz
Batendo na porta da frente
Me entristece e faz
Já tanto tempo
A roupa atrás da geladeira
E as traças do meu quarto têm
Seus objetos de desejo
Meias novas esquentam mais do que abraços
