Choro sem Motivos
A dor de amor
Pobre coração alvorecido
O teu sono é vinilo
E o teu despertar ominoso,
Choro, choro, de dor autousa
Lágrimas,
Que descem neste meu rosto greda,
Choro! Choro!
Pobre alma perdida
Na conjuntura do vazio escuro
Deste meu corpo morto por te herdado,
Hoo! Que Sentimento nociceptivo tu és amor.
CHORO CONVULSO
Velhinha casinha, meu ninho
E chão do meu pão,
Hoje, somente uma visão.
Ai, aquela chorosa ramada
Fresquinha
E também velhinha,
Onde à sombra minha avó catava
Os meus piolhos da miséria
Nos verões de canícula séria
E depois, adormecíamos os dois
De barriga tão vazia
Como quem cava nas hortas
O silêncio das horas mortas.
Hoje, nem telhados e paredes
Ou janelas, nem sequer portas...
A vida, é um circo de redes
E trapézios tão fatais
Onde há luzes e sons e ais,
Mas quando morrem os mortais
Morre tudo como vedes,
Levados num remoinho
Como a velhinha casinha, meu ninho.
(Carlos De Castro, In Poesia Do Meu Chorar, em 21-07-2022)
RISO DA MANHÃ
Sempre que rio pela manhã,
À tarde choro lacrimoso,
À noite vem o pranto doloroso
Com lágrimas que queimam,
Sulfúricas,
As minhas ilusões telúricas,
Sempre que rio pela manhã.
E neste signo de afã,
Eu prometi a mim mesmo:
Não rir mais pela manhã!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por escrever, em 23-09-2022)
Há do lixo um forte cheiro;
Há no rosto muito choro;
Há nuns bolsos o dinheiro;
Há pedidos de socorro.
Quem és tu jurando amor?
E quais são tuas promessas?
Quem és tu espalhando dor?
Quem és tu vivendo às pressas?
Na infância me mandavam engolir o choro.
Na adolescência tive que engolir sapos.
Agora me obrigam a engolir o orgulho.
E DEPOIS AINDA PERGUNTAM PORQUE EU TÔ ENGORDANDO.
Às vezes não sei
Se é choro de tristeza
Ou de alegria
Às vezes não sei
Se é dor ou saudade
Às vezes acho que vai
Transbordar e mudar
O meu ser por completo
Enquanto espero
Na vida a tua chegada
É um misto de emoção
Não sei se choro
Não sei se sorriu
Será a contradição
Que meu ser
Consiste
Em ter
Em minutos
Depois de ler
Sua mensagem
Não sei se choro
Não sei se sorriu
Ao poucos
Vou tentando
Entender
O que sinto
Que leva
Da total
Felicidade
A mais profunda tristeza
Não sei se choro
Não ser se sorriu
Meu ser é confuso
E só me resta sentir
Sem querer explicar
O que o sentimento
Não quer falar
O choro não passava da garganta, parecia que havia um nó ali e eu era obrigado a fazer aquilo que a minha mãe dizia: “Engole o choro”.
(Do livro "Dente-de-leão: a sustentável leveza de ser")
Ironia é dizer; "não adianta chorar sobre o leite derramado", se o choro existe exatamente, para isso.
Eu
sinto,
eu rio,
eu choro
nada demais
Não é esse o
grande problema
O problema é
bem mais fundo
E essa profundeza
Me faz doer
Me faz amar
Me faz morrer
E é daí que eu ressuscito
E foi aí que aprendi a viver.
aprenda, viva coisas bonitas, mesmo que elas sejam alcançadas com muita, muita dor e choro, porque é o que vai contar no fim, somente o que for verdade.
Não me lembro do meu primeiro choro, e certamente não me lembrarei de meu último suspiro. Tudo o que vivi será nada no vazio da morte e o vazio da morte será tudo...
Numa multidão de reclamação, se pensa mais no problema do que na solução, é urgente sair do choro para o plano de ação.
