Chico Xavier Poesia de Amizade

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Morreu enquanto ainda dava tempo


Desenristou a mão e encostou-a ligeira ao peito
como quem apalpa, apertando forte, uma banda de carne embalada à vácuo
dessas que ficam em prateleiras em balcões frigoríficos nos supermercados

Dedilhou o ar e esfregou os dedos uns nos outros para sentir se tato havia
e se fim dava àquela dormência que o acometia a mão esquerda.
Arranhou a pele umas duas ou três vezes
para ver se o sangue ainda corria pleno em suas veias
fazendo fértil o terreno de seu coração.
Fértil como aparenta estar a terra quando bem irrigada,
em uma bem cuidada plantação.

No caluniar da escuridão da morte parou, e se arrependeu de tudo!
Parou, por que não tinha como não parar.
Se seguisse em frente talvez lhe faltasse pernas para chegar.

Aos cento e quarenta e sete anos pediu, quase implorando, que o deixassem ali.
Apoiou a língua já quase sem movimento no chão da boca
e gritou de dentro pra fora bem alto:
- Todo mundo parado! Ninguém faz nada! Ninguém se mexe!
Ele parecia estar negociando com a vida e com a morte ao mesmo tempo
Ninguém interviu.
E antes que todos dessem conta, ele morreu, enquanto ainda dava tempo.

Inserida por JotaW

Cada dia menos


Amar eu sei que ainda sou capaz,
mas amo cada dia menos
e esse menos é cada dia mais.
Meu coração de manteiga
que ingênuo já fora um dia
torna-se frio pouco a pouco
faz da dor sua alegria,
cresce e míngua dia a dia,
acostuma-se a ser só
mesmo tendo compania.
Já não se importa se partem,
se o partem,
se vão ou se ficam as dores,
os amores.
Ama cada dia menos
e a cada dia precisa mais amar menos.
Nada melhor que ser livre
sem compromisso com o amor.

Inserida por DANIELASANTAOLIVEIRA

(Des) aprender

Eu desaprendo todo dia
E invento outra maneira.
Desaprendo a amar
O amor virou besteira.
Desaprendo a sorrir
Choro até de brincadeira.
Desaprendo a acreditar
Duvido de toda maneira.

Inserida por DANIELASANTAOLIVEIRA

Falando-se em sentimentos e "Coração"
No peito bate um alvo muito fácil.
Apesar dos fardos e pesares. isso é o mais bonito da vida. Ser o "moço de todo o coração" para quem não tem ou procura por um.(...)

Inserida por aislanfonseca31

Às vezes penso ter amado demais,
Em outra menos do que poderia
E continuo amando.

Amo desnudo, sem medo e sem receio.
Simplesmente amo amar. Amo,
Sem a certeza do amor.

Amo, porque amar é alimentar a alma,
O amor e continuo amando,
Mesmo ausente.

O amor é chama que se mantém acesa.
É vento, brisa que sofra, sussurra
Diariamente: Eu te amo!

O amor é uma obra de arte em exposição.
É o olhar que bate. O desejo
Que desperta no interior.

Amar é o preço que se paga pela gratuidade.
O amor é essência viva. Amar é transpirar,
viver e exalar felicidade.

Inserida por leandromacielcortes

Amor é bem mais que prazer, deleite.
Que simples vestígios de uma noite.
Que a estada, que a presença.

Amor requer bem mais que beijos,
Toques delirantes, travessuras
E malabarismos na cama.

O amor não é território. Não se demarca.
Amor se conquista. É sentimento
Que nasce silenciosamente.

Amor não é só atitudes, ações e presentes.
Amor a dois sem palavras é solidão.
Amor necessita ouvir.

O amor por vezes requer proteção.
Deseja apenas ouvir: Hei!
Eu te amo! Eu estou aqui!

Inserida por leandromacielcortes

POÉTICA

Um poema dá trabalho
Noites a fio
Dias a desfiar
Toda uma existência
Tecida e destecida
Noite a noite
Dia a dia.

Inserida por LeandroRodrigues76

Ao menino que me faz voltar no tempo.

Posso sofrer a relembrar o passado
mas não posso evitar esta viagem
uma árvore não pode florescer nem dar fruto
se não tiver consciência física das suas raízes.

Antes da maturidade poucos homens
têm necessidade de voltar às suas origens
talvez por ingratidão gratuita ou receio
de encontrar sua verdadeira essência.

Vejo chegar, quase que diariamente
reminiscencias do que fui, nostalgia cara
que não raro me custam lágrimas
outras vezes parto e poesia.

Assim hoje penso, ninguém pode viver
alheio aos atos e fatos pretéritos
o menino que fui produziu o homem que sou
e este homem não viverá se ignorar suas raízes.

Lá neste passado onde mora o presente
encontro só lembranças luminosas
são referências, seivas que me formaram
proteínas espirituais que ainda me alimentam.

Para Josivaldo Bezerra, o menino que me fez
voltar no tempo.

Inserida por EvandoCarmo

Queria fazer poesias simples e doces como Cora
mas nos dias amargos em que vivemos
não há mais figo nem amora!!!

Inserida por EvandoCarmo

Tu que és esse doce aroma errante, que se faça de ti poesias.
Só de ti são os meus dias; visita que me veste a solidão.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Toda luz que nos olhos estampamos; é uma onda eletromagnética que captamos; que prove a alma. Magnetismo sutil e denso que move as nossas emoções secretas; ora harmonizadas, ora fútil e volátil; e por elas somos guiados. Nessa longa viagem oposta
entre a busca e o equilíbrio é que acendemos a vida.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Muito prazer em te conhecer


Desaprendi o amor com você
no dia em que te conheci, experimentei
feito experimenta-se uma dose de cicuta
esse seu desamor sempre tão latente.
Hoje não amo mais ninguém
nem eu mesmo.
E agora que estamos em sintonia
e nos tornamos igualmente cruéis
frios e insensíveis
que tal recomeçarmos do início?
Oi... Muito prazer em (re)conhecê-la.

Inserida por JotaW

BIOGRAFIA

Antonio Ramos da Silva

Antônio Ramos da Silva

Nasceu em 19 de setembro de 1960 na cidade de Brusque (SC). Vive e trabalha em São Bento do Sul (SC). É Professor, Radialista, Escritor, Ativista Cultural, Historiador e Poeta. Graduou-se em Ciências Econômicas, pela Faculdade De Plácido e Silva – FADEPS – Curitiba (PR) (1984). Pós graduou-se em Gestão Financeira, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR - Curitiba (PR) (1987).

Em suas atividades em exercício é Presidente da Academia de Letras Infanto-Juvenil para Santa Catarina Municipal de São Bento do Sul (SC) e membro da Associação Internacional de Poetas para São Bento do Sul.

Idealizou, planejou e executa o projeto “Diferente Sim, Indiferente Não”, e “Oficina de Poetas” em São Bento do Sul (SC).

Recebeu a Medalha do Mérito Cultural Dr. Arthur João de Maria Ribeiro - 2013, concedido pelo Instituto Montes Ribeiro e o Troféu Escritor Osvaldo Deschamps de Literatura e Artes - 2013.

Publicou: 30 títulos, entre poesias, textos, diálogo e história.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Sua voz

Ouvir-te Oh! Meu amor.
É como o meu ser,
se conectasse a velocidade da luz
em melodias e sons
e sentir meu interior emergir.
Voz que encanta e me seduz
num bailar de silabas soltas;
num entrelaçar
de uma paixão envolta.

Seus sons. Oh! Meu amor.
Aquele que sorrateiro
foge de teus lábios
como brisa leve,
e repousa em meus ouvidos
como labaredas de fogo.
Deixa meu corpo fervido
e me chicoteia suavemente.
Abriga-me em tua doce euforia.
Quero ser melodia;
num arranjo só me inebria.
Faça-me frequência
e única sintonia.

Seu som me capta
e de amor castiga.
Varre as malditas palavras
que não ouso escutar:

Infelicidade, dissabores, desarmonia.
Eu não canto decepção estagnada;
aquela que fazeis dele pranto
e no canto da alma se fez pó.

Não quero mais desamor
disso eu tenho dó.
Vida se canta numa nota só.
Amor!

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Banheira sem sais

Chovem lágrimas.
(finas gotas cristalizadas).
O tempo chora lento.

Arrebento; ouço
sentimentos invernais.

Um deserto nas mãos.
Aflição guardada no peito.
Água doce banheira sem sais.

Poesia banha no leito.
Em brasa a saudade arde.
Não há caminho e nem eito
numa busca covarde.

Avessos de mim revirados.
Passado de ti esquecido.
Trago-te no coração tragado.

Desilusão que me invade
sorvem água, impurezas...
dos meus olhos resguardados.

Solitários, derrama na face esquecida.
Frases de poemas amarrotados;
bebida amarga; engolida solidão.

Não há remédio que cure feridas
de uma perdida e picante ilusão.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Ser real

Se pudesse
esfoliar a alma;
rasgar a roupa,
tirar a fantasia.
Desnudar o corpo.
O que será que sobraria?

Voltar ao ventre...
e em nascente silêncio ficasse
sugando o liquido que somos.
Energia realmente.
A essência!
A fragrância.
Sem casca.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Grafado

Disseste que sentes faminta,
quer por que quer
minha pele sorvida.

Habitat onde escreveras o teu amor.
Na duvida despetalei as margaridas.
Escolhi o meu querer.

Nem pensei.
Não me perdi.
Nem quis adivinhar.
Na pele grafei:
"Amor por ti".

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Faço o teu para os outros.
O que sobrar é teu.

O berço macio da vida é a nossa paz interior.
Lago manso onde repousa a nossa realidade.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Prometa-me

Uma doce mentira
é melhor que uma
irônica verdade.

Prometa-me.
Diz que sim!

Deixa-me ser o que te sinto.
Ter o que te escrevo.

Moldurar o ter e o ser
ao meu modo.

Sê-lo-ei feliz!

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Solitária janela

Aquartelei minha alma a eternidade.
Escrevi o amor nas arestas do coração.
Em perene partida semeei o adeus
num pedaço de chão.

Ah! Quanta saudade.

Olho para trás aquela solitária janela.
Triste e abandonada.
Espelho das horas quietas.
Lenta a vida carrega.

Acendo o tênue pavio em espera.
Trafega, navega nos meus desertos e mares.

De carona na vida
ilha-me os sentimentos tragados.

Inserida por AntonioRamosdaSilva