Charles Baudelaire Relógio Amor

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Charles-Pierre Baudelaire (1821-1867) foi um poeta francês, considerado um dos precursores do Simbolismo, tendo influenciado a poesia internacional de tendência simbolista.

perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,
a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola,
a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são;
e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio,
hão de vos responder: É hora de se embriagar!
Para não serdes os martirizados escravos do Tempo,
embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas!
De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha...

Charles Baudelaire

Nota: Trecho do poema "Embriagai-vos!", trad. de "Enivrez-vous".

O mais irritante no amor é que se trata do tipo de crime que exige um cúmplice.

Não podendo suportar o amor, a Igreja quis ao menos desinfectá-lo, e então fez o casamento.

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O amor é um crime que não pode acontecer sem cúmplice!

Que é o amor?
A necessidade de sair de si.
O homem é um animal adorador
Adorar é sacrificar-se e prostituir-se
Assim, todo amor é prostituição.

Valorize acima de tudo o amor que você recebe. Ele continuará a existir muito depois do seu ouro e da sua saúde terem acabado.

⁠Pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: É hora de embriagar-se!

Charles Baudelaire
O Spleen de Paris: Pequenos poemas em prosa. Rio de Janeiro: Imago, 1995.

Nota: Trecho do poema Embriagai-vos! (ou Enivrez-vous, no título original).

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Inserida por jorge_henrique_elias

⁠"O amor pode derivar de um sentimento generoso (...) mas depressa é corrompido pelo gosto da propriedade"

Uma vez, perguntou-se, em minha presença, em que consistia o maior prazer do amor. Alguém naturalmente respondeu: "em receber". E um outro: "em dar-se". Um outro ainda: "prazer de orgulho". E mais outro: "volúpia de humildade". Houve, por fim, um descarado utopista que afirmou que o maior prazer do amor era o de formar cidadãos para a pátria.
Quanto a mim, digo: a volúpia única e suprema do amor está na certeza de fazer o mal. E o homem e a mulher sabem, desde o nascimento, que no mal se encontra toda a volúpia.

O amor é um crime que não se pode realizar sem um cúmplice.

Mesmo uma cômoda entulhada com lembranças,
Notas velhas, cartas de amor, fotografias, recibos,
Deposições judiciais, cachos de cabelo em tranças,
Esconde menos segredos do que o meu cérebro
[poderia produzir.
É como uma tumba, um cemitério de indigentes
[cheio de corpos,
Uma pirâmide onde os mortos deitam-se às
dezenas.
Eu sou um cemitério que a lua abomina.

⁠"O homem ama tanto o homem que, quando foge da cidade, ainda é para procurar a multidão, isto é, para refazer a cidade no campo"