Cético
Não desejo um amor vil que no qual, faça-me cético a vida;
Mas sim um amor eloquente que dê asas para voar, sonhar e realizar;
Não seja cético aos meus sentimentos e não guarde mágoas e nem ressentimentos... Se eu não puder deixar de te amar.
Compreenda, seja grata que é o meu jeito de se declarar;
E não espere que eu lhe esqueça, porque não quero que pense... Que talvez eu esmoreça;
Mas o desejo é de reciprocidade, ter a retribuição e sentimentos de verdade!
Por isso, tenha carinho na sua decisão... Pense nas minhas palavras e me guarde no coração;
O Cético
Cético que era,
carregava nas mãos a secura da descrença,
como quem segura um punhado de areia
que o vento teima em dispersar.
Cético que era, criou um deus afônico
para preencher seus silêncios
e atribuiu a ele todo o ruído.
Cético que era, sabia que o que floresce na certeza é sempre pedra,
e pedras, imóveis, não geram nada.
Cético que era, afirmava que a certeza era um campo estéril,
onde os dias passavam sem jamais brotar.
Cético que era, dizia que as dúvidas tinham raízes,
capazes de atravessar a pele das palavras
e germinar árvores frutíferas.
Cético que era, escreveu uma bíblia para ter no que acreditar,
mas a descrença, astuta,
plantou em seus bolsos sementes de inquietação.
Cético que era, reconheceu que caminhava entre sombras,
mas carregava possibilidades de luz.
Cético que era, sabia que só o incerto conhece caminhos.
Cético que era, encontrou na dúvida
o verdadeiro sopro da criação:
um gesto pequeno,
capaz de iluminar e reflorestar o mundo.
Cético que era, entendeu que o milagre mora no instante
em que o incerto se torna possibilidade
e o simples, eterno.
Cético que era, nunca guardou gentilezas ou atos de bondade para o porvir;
gastou tudo o que tinha de bom aqui.
O cético gostaria de sofrer, como o resto dos homens, pelas quimeras que fazem viver. Não consegue: é um mártir do bom-senso.
Todo verdadeiro poeta é cético
contudo, levam a vida a falar
de metafisica, de almas
e de coisas semelhantes
são sobremodo adoradores
da beleza e do amor
Viver um amor ebuliente em um mundo cético,
E correr contra forças opostas e correntezas ferozes.
A era dos centimentos ecléticos.
Talvez pensamentos entresilhado?
Pessoas com crises existencialistas, adeptas de um universo sem bases concretas com rompimentos do bom senso e agarrados em suas próprias teorias.
aertonl@yahoo.com.br
O louco é aquele desnorteado das ideias.
O cético é aquele lastimoso incrédulo do mundo.
O sensato é aquele que evita tudo, evita até ser feliz.
Podemos viver sem normativas...
Apenas viver...
Todos devem ter o dever moral de serem céticos, política e religião são os meios mais utilizados para manipulação social.
