Cerrado
E quem não..
Quem nunca sonhou com o proibido...
Com esses beijos que se dão
entre a pele e o .......delirio???
hãm
..
É que nesse infinto de possibilidades..
Só somos, você e eu...
Em diferente tempoo
e em diferente espaço!
Em diferentes crircunstãncias..
Em diferentes rostos...
que dissimulam a ausência
de nossos corpos!!
Com os braços abertos aos nossos nada...
Se perdendo entre a multidão e surdos
Com os olhos inquietos de espera!!
E com palavras..."ditas
jamais ouvidas"
..
Mês 8
Mesmo que eu fechasse meus olhos ainda conseguiria ver este céu tristonho e seu sol amarelecido.
Mesmo sem vida ainda sentiria o vento seco e fresco desta estação, onde o Cerrado hiberna entre a poeira e a fumaça.
Pois tudo isso sou eu: o sol, o céu, o vento e o sentimento hiberno, que me levam a pensar nos gostos e desgostos de mais um mês de Agosto.
Perdi no meu jeito de se dar..
Foi minha culpa
Fracassei no meu mal dado amor
Confesso, não sei amar
E reconheço
Mas de maneira alguma
peço perdão
mas não posso aceitar
Você também não entendeu
É o que recebo por tentar
o impossível!!
..
O coração adoeceu..
foi ao cardiologista que lhe passou uma receita da medicação,
Mas contrariando o receituário do médico o coração perguntou ao farmacêutico
tens aí algum remédio que além de acalmar a minha dor, me faça desistir de sonhar?
..
Em tempo de pandemia...
Ainda que se tenha extraviado o toque, o calor do abraço ao longo do isolamento. Ausências e solidão. Mantenhamos a fé no espírito Natalino. Dias melhores virão...
Compartilhe o olhar e a palavra virtual...
Feliz Natal e um Novo Ano sadio.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
dezembro de 2020
O que você ver?
Os galhos retorcidos
as folhas que já caíram
a sobrevivência de um ser.
O desenho das nuvens
o intenso azul do céu
as sombras que contornam a árvore
a força de um ser.
O verde lá no fundo
você consegue ver?
Eu vejo formas,
eu vejo o tempo
um Cerrado resistente.
Faz-se o fogo
brota a semente
cai a água
mata a sede.
É verde sim
é seco,
é casa
é fruto
é alto
é rasteiro
é múltiplo
tem fases
de cinzas
de cores
de fauna
de flores
sou bioma ameaçado
cobiçado
me cercam de todos os lados
tentando me diminuir
mas, saibam por mim
que sou insistente.
E sou independente de como você me ver ...
Não se engane! O fato dos meus galhos estarem secos, não significa que eu esteja morta. Tenho raízes profundas como árvore de cerrado, sou teimosa e resiliente, quando você menos esperar, estarei florida de novo.
POESIA É CAPASSO
Poesia é compasso, com melodias
Suaves que musicam o bom viver
Suas cadências são visões luzidias
E ao ledor se torna graça a prover
E esse par, de fato, são harmonias
Que nos levam ao doce alvorecer
De quimeras, sonhos e fantasias
Que ao agrado traz o bem querer
Sussurram os diversos cotidianos
Traçados, feitos e outros planos
Do Bardo, que tira da sensação
Cada verso o ritmo a nos aninar
Adentrando a alma pra lhe falar
Dos ousas cadenciando o coração
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14 janeiro, 2022, 10’06” – Araguari, MG
QUANDO VOS TINHA ...
Horas mais do meu contentamento
Sempre me mimou quando vos tinha
Na satisfação o tempo era tão asinha
Em tão dadivosos dias de sentimento
Aquele mágico e profundo momento
De te haver, que a sensação sustinha
É o bem que me ficou, sorte a minha
Pois, sobre causa poética fiz portento
Agrado tal me deu, talvez não achei
Prazer é tê-lo nos braços da ternura
E neste repuxo meu desejo eu aguei
Se não mais tiver, e viver da saudade
Bastei em ti, e só de ti me apaixonei
Pois, real amor é um só, na verdade!...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22/03/2021, 14’47” – Araguari, MG
SENTIMENTO ...
Sentimento que tanto amais, que penais tanto
Emoção forte, coração pulsante, mais amante
A quem chorais, a quem? Se és assim vibrante
Quimera ardente, sensações, e afável encanto
Dos mais desencontros, espantado espanto
No entanto, desejais o recato tão constante
Do sossego do olhar, um delirar por instante
De afeto, e só assim irá tomar o teu recanto
Sentimento, seja qual for o dano profundo
O pranto, secreto suspiro, a dor no rosário
Não deixeis morrer a flor, amor infecundo
Gira o mundo, acompanhado ou solitário
Exista nas horas, nos minutos no segundo
Pois a vida tem dose de agrado e calvário! ...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23/03/2021, 18’18” – Araguari, MG
A noite chega de mansinho,
Cobrindo a cidade com seu manto,
Brasília, no coração do Brasil,
No Cerrado, um jardim já cansado.
Fim de ano se aproxima,
E a Torre de TV ilumina,
Essa cor azul, imponente,
Numa visão transcendente.
O frio da noite traz medo,
Mas também a possibilidade,
De um novo amor, amanhã, um novo começo,
E a esperança por dias melhores, sem deixar saudade.
Assim, a noite nos convida,
A refletir sobre nossa vida,
Sobre o que queremos alcançar,
E sobre como podemos cuidar, abraçar, ser e estar.
Do nosso planeta, da nossa casa,
Para que a beleza do Cerrado nunca se acabe,
E para que o azul do céu, sempre brilhe,
Como um sinal de paz e de felicidade, de esperança e de prosperidade.
O fogo, esse elemento que traz vida e morte, cria e destrói, é um símbolo da natureza e do próprio ser humano. Tanto Clarice Lispector quanto Fernando Pessoa enxergavam no fogo uma metáfora para a vida, e suas diferentes facetas.
Mas hoje, em tempos de incêndios florestais, a relação com o fogo se torna mais complexa e trágica. O Brasil, em especial, tem sofrido com a destruição de seus biomas, como o Cerrado, pela ação do homem. Incêndios criminosos são cada vez mais frequentes, e as consequências são devastadoras: perda de biodiversidade, deslocamento de animais, destruição de ecossistemas inteiros e impactos na qualidade do ar e da água.
Nesse contexto, a preservação do meio ambiente se torna ainda mais urgente. E é nessa preservação que Clarice e Pessoa encontram uma conexão entre o fogo, a natureza e a vida. Para ambos, a natureza é algo sagrado, e sua preservação é essencial para a sobrevivência do planeta e de todos os seres vivos que o habitam.
Brasília, cidade onde Clarice viveu por muitos anos, é um exemplo de como o fogo pode ser utilizado de forma consciente e benéfica. Na capital brasileira, a queima controlada do Cerrado é uma prática antiga e necessária, que ajuda a manter a biodiversidade e a fertilidade do solo.
Mas quando o fogo se torna sinônimo de destruição e irresponsabilidade, é preciso tomar medidas urgentes para proteger o meio ambiente. E isso só será possível com a conscientização da população, com a implementação de políticas públicas eficientes e com o engajamento de todos na preservação do nosso planeta.
Afinal, como bem disse Clarice Lispector: "Tudo é importante. Até o fogo que só serve para destruir pode ter o seu lado positivo". Cabe a nós encontrarmos esse lado positivo e utilizarmos o fogo de forma consciente e responsável, em benefício do meio ambiente e da vida como um todo.
Sob o céu de Brasília, as nuvens flutuam,
Lentas e majestosas, como navios no mar,
Cobrindo a cidade em um manto de sombra e luz,
Que nos faz sonhar com um mundo novo a desbravar.
Nessa cidade planejada, onde o concreto é rei,
As nuvens nos lembram da imensidão do céu,
E nos convidam a olhar além dos prédios e avenidas,
E a buscar novos horizontes, novos sonhos a alcançar.
Elas são como um espelho, refletindo nossos pensamentos,
Nossas esperanças, nossas angústias e nossas dores,
E nos lembram de que, assim como elas, somos passageiros,
Nessa jornada chamada vida, que é cheia de amores e dissabores.
Mas mesmo que o tempo passe, as nuvens sempre estarão lá,
Silenciosas testemunhas do passar dos dias e das estações,
E nos lembrando de que, em meio à correria e à pressa,
É importante sempre olhar para cima, e ver a beleza das criações.
ALÉM DA POESIA
Se outrora, no princípio, a prosa foi talvez
Num sentimento que pelas mãos escorria
E, a alma em poética e sonhadora nudez
A doce ilusão permanece além da poesia
Quando floresce, latejante, mais uma vez
Sinto que o amor existe com vária fantasia
E, dando carinho e sensação sem timidez
Cria-se os versos tão lotados de ousadia
Se do profundo ardor ergue-se o momento
Não pode ser fim em eterno esquecimento
Pois, o poetar tem movimento e sensação
E sinto, ó deidade, a farsa que então seria
Um verso sem cor, sabor, cheiro e cortesia
Estaria vazio de olhar, toque e de emoção...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
12/03/2023, 10'50" – Araguari, MG
REVERÊNCIA
Vem a poesia, sussurrando no pergaminho
Pousa leve na sensação, e cheia de canto
Veste a toda alma com um poético manto
Dando á emoção o sentimento e o carinho
Com inspiração romântica, o amor poeta
Num sabor de agrado, e de doces sonhos
Também, declama momentos tristonhos
Desenhando versos de façanha completa
Vem a poesia, sedutora tal uma serenata
Louvando o espírito com atrativo bonito
Tocando pra existência melodia acrobata
E de um pôr do sol a luz nascente do dia
A poesia tem os tons do acaso do infinito
E lá vem a poesia, e o poeta a reverencia...
© Luciano Spagnol poeta do cerrado
01, outubro de 2021 – Araguari, MG
Aprendizagem de Jardinagem
Quando o conhcei, depois de muito tempo sozinha,
pensei que fosse ele..
Achei que minha alma, estava outra vez no seu lugar...
comigo...no ar..
Então, voei....caí.
Em algum lugar da minha vida, se chama...sobrevivente..
já não vivo...sobrevivo...
O que restou de mim, depois desse abençoado amor..
aprendizagem...de jardinagem... .
plantei flores,
num terreno árido....
O que restou foram os muros, as pedras..
Fiquei sem chão, fiquei sem jardim, fiquei sem água, fiquei sem terra, fqiuei sem ar...para voar...
despenquei.
Através dos escombros....te perdi,
fiquei sem você...mais uma vez, sem você..
Os teus olhos, fixei, e guardei sua lembrança...
que aos poucos se apaga..
..
Com você tenho
as possibilidades
de juntos superar
até as onze artes.
Com você vou
viajar na sua rota,
hei de perder a hora
e deixar que falem
o quê quiser de nós.
Com você quero
provar os doces
de compotas feitos
com Frutas do Cerrado.
e manter a chama
deste romance apaixonado.
Estou em companhia de Cora Coralina,
e de Fernando Pessoa para te dizer
que você é a melhor companhia;
não que os dois não me sejam de grande valia,
a tua presença e teus sabores me concedem
uma intensa felicidade e grande magia...
Um beijo com sabor de araticum
é para mostrar que
o meu coração inteiro faz tum-tum...
um beijo com sabor de baru
é para dizer que és lindo a olho nu.
Fernando Pessoa deve ter escrito à toa
que o poeta é um fingidor,
o poeta não é um fingidor;
ele quando escreve sente
as dores do mundo, e também sente amor,
você tem todo o meu amor...
Um beijo com sabor de curriola
é para dizer que quero ouvir a tua viola.
um beijo com sabor de gabiroba
é para dizer que tens o meu coração;
e nele é o endereço em que você mora.
Eu, Coralina e Pessoa, agarrados nas asas da poesia,
estamos sobrevoando planaltos, planícies e córregos,
e ainda nós não experimentamos
os segredos e todos os mil sabores;
o Cerrado é terra de grandes amores,
brindo- o com todos os louvores!
Um beijo com sabor de cagaita
é para dizer que te conquistarei
de forma nada arcaica - e bem gaiata,
um beijo com sabor de buriti
é para dizer que o meu beijo foi feito para ti.
O Cerrado é a poesia perfeita e que emociona,
a poesia me permite até passear contigo no Cerrado,
e pedir que você se torne o meu namorado;
Coralina me deu coragem
para fazer doces e escrever essa cantiga.
Um beijo com sabor de pequi
é para dizer que te quero aqui,
Um beijo com sabor de mangaba
é para dizer que já sou a tua namorada;
e que estou inteiramente apaixonada...
Eu, Coralina e Pessoa,
escrevemos versos sobre o Cerrado majestoso,
os nossos versos foram escritos
para dizer que é chegada a hora da colheita dos frutos
desse amor infinitamente generoso,
amar de verdade é lindo como o Cerrado,
amar é maravilhoso!
