Cartas de Perdão
Para acabar com as guerras do mundo precisamos antes de tudo acabar com as nossas guerras internas, nos perdoar por não sermos como gostaríamos, iluminar nossas despaciências e aceitar que os outros são e pensam de uma forma diferente da nossa. Quantas vezes reclamamos do vizinho, do Pai, da mãe,quantas vezes a vida nos pede só um pouco mais de tolerância com as nuances dos outros que na verdade estão imersos nas mesmas dores que nós. Todos nós estamos em evolução cada um no seu tempo, do seu jeito. Estamos todos aprendendo a amar por caminhos distintos e a verdade é que apesar da nossa imperfeição somos sim todos inocentes.
Bom, eu sei que é cedo e ainda muito difícil pensar sobre tudo o que aconteceu. As garrafas vazias quebradas são lembranças na pia. Mas eu pensei que poderia te contar, se não é muito tarde para dizer, eu poderia recolocar as peças, mas talvez elas não se ajustem muito bem. Porque hoje é o dia que eu esqueci você, tirando o lixo, e as fotos que eu escondi de nós dois em 2004. Lembro que eu te dei massagem nos pés, eu te dei meu anel. Porque não haverá mais escalada de montanha, não haverá mais cabelo comprido entupindo o ralo. Eu te vi com o cara que nos deu nossas primeiras tatuagens, ele cobriu meu nome? Foi tão rápido. Então, quando você me perguntou se eu te odiava… Não é você, são só as vezes que eu perdi de dormir com a sua colega de quarto quando você passava mal, mas tudo bem. Estou limpando a casa de novo, ouvindo “I’ve Loved I’ve Laughed I’ve Cried.” Lembra quando seu pai nos pegou no seu quarto? Você ficou desesperada, eu não conseguia parar de rir. E eu ainda posso ver seu pai correndo atrás de mim com uma pá na mão. Nós tivemos tantas brigas, não consigo lembrar o motivo de nenhuma, apenas da tua risada debochada, ou quando você jogava seu cabelo de lado. Eu cheguei perto de esquecer você, eu estava bem na primeira fila, deixando tudo para trás até receber uma carta de um velho amigo. Falando o quanto você ainda se sentia só e falou sobre as canções que lhe fizeram chorar. Eu apenas liguei para dizer “Me desculpe”. Desculpe por ter desistido, eu ainda penso em você, mais do que você pode imaginar e eu espero que você esteja bem, e mesmo que não pergunte, também espero ficar.
Pedir desculpas não vai fazer com que você se humilhe em situação alguma. Só vai te elevar e você ainda irá mostrar aos outros a sua humildade de reconhecer os próprios erros. Sem essa de orgulho, livre-se do peso morto que você carrega. Não significa que você não errou mesmo quando não teve sentimento de culpa. Com certeza, é muito mais fácil jogar a culpa pra cima dos outros, mas isso só exalta ainda mais a sua mediocridade e a sua inferioridade. Sua convicção nem sempre estará certa, se arrepender é o mínimo, e correr atrás do prejuízo é o ideal.
Comprei um jogo de tabuleiro pra minha filha porque ela ainda é criança! Ela, gente boa como é, desceu e levou pro play pra jogar com outras crianças. Elas foram aparecendo, fazendo a roda e um deles sentou com um iPad na mão. Valentina perguntou: “ei, você que tá também aqui com o tablet! Quer jogar meu jogo novo que meu pai me deu?!” E o garoto respondeu: “não não, só estou sentado vendo, porque não jogo jogo idiota, estou jogando no meu iPad!” Bom, percebi que Valentina ficou com o olho cheio de água olhando o iPad e o tabuleiro. Apesar da vontade de espatifar a cabeça dele no fundo da piscina e não deixar nunca mais respirar, não me meti porque o papel do pai é preparar os filhos pro mundo. Hoje foi a primeira vez na vida que eu senti essa sensação como pai, e na hora que eu segurei pra não me meter, entendi como era doloroso pro meu pai me falar lá atrás que a vida ia me machucar pra eu entender. Tudo fez sentido agora. Eu fiquei de longe observando como ela iria lidar com isso e pensando no meu pai. As outras crianças entraram no jogo do tabuleiro. Quando acabou eu sugeri brincar de monstro, eu seria o monstro, e correria atrás das crianças. Foi quando o menino levantou e gritou: “hei gente, eu corro muito mais rápido do que o monstro, eu vou participar.” Foi quando Valentina disse: “pai, ele não pode participar”. Respondi: “ por qual motivo filha!?” E ela respondeu: porque a gente não brinca com criança idiota pai”. E aí vem a vida: o menino gritou que ia brincar sim, e olhou pra mim, eu fiquei em silêncio da mesma maneira que fiquei em silêncio quando foi dele pra ela. Não me meti no fora que ele deu nela, sofri, e não me meteria também no que ela deu nele. Ali pensei em acabar com isso e colocar ele na brincadeira a força pra ela aprender a ser superior. Mas ela talvez não entenderia e seria muito injusto, não gostaria que meu pai fizesse isso comigo. Resultado, mais uma vez observei calado, deixei que a vida e os dois resolvessem no meio da garotada todo impasse entre os dois. Resultado: o menino gritou que ia participar sim e me olhou mais uma vez, e eu fingi que não era comigo; ele, por sua vez, saiu chorando, pois as outras crianças mandaram ele ficar com o iPad sem Valentina dizer mais nada e disseram que não queriam brincar com ele. Raivoso e mimado como deve ser, foi embora chorando e tropeçou, o iPad caiu no chão e quebrou a tela, rachou! E aí vem Valentina e diz depois de cinco horas lanchando, quando eu nem mais lembrava disso: “Pai, estou muito feliz!” E eu: “Como assim filha!?” E ela: “você não viu papai, Deus ficou do meu lado hoje.” Agora vem um desafio pro pai pra amanhã: ensinar que o senso de justiça traz felicidade, mas que o de vingança não. E que amanhã os dois podem brincar normalmente. Que é um novo dia. Nossa, ser pai é um desafio incrível! O mais difícil da minha vida. É muita responsabilidade. Não a financeira, mas a ética, cívica e moral. Não podemos falhar. Às vezes entro em crise de preocupação. A vida é muito difícil, muito dura. E assim também será com ela, que eu tanto amo. Que sentimento esse que a gente não esquece um minuto do dia: preocupação eterna com os filhos. É real.
Devo estar com uma aparência péssima mesmo. Fui dar uma volta na rua de chinelo, e meu pé ficou igual do menino carvoeiro. Mas é porque transpiro muito no pé e ele começa a sambar na borracha do chinelo e fica todo cagado...Fui entrar na agência do Itaú pra sacar dinheiro, e uma senhorinha correu da porta com medo de entrar sozinha comigo, achando que eu fosse assaltá-la. Tudo bem, não estava com meus melhores trajes... Mas, quando fui ao seu encontro para dizer que ela poderia ir no banco, que eu não era bandido, sem me dar qualquer chance, ela gritou o rapaz da Cet-Rio que estava em frente a capela do colégio Zaccarias, no Catete, dizendo que estava sendo assaltada O cara me abordou enquanto chamou um carro da guarda municipal, que, estava exatamente parado em frente ao restaurante de frutos do mar Berbigão, certamente esperando o arrego do dia embrulhado numa quentinha, enquanto tinha gente na rua gritando que ia me bater... Só fui liberado porque, graças a Deus, com a chegada da Guarda, por sorte, eu estava com o crachá do globo no bolso... Me pediram desculpas, e eu respondi que eles poderiam ficar com o carro parado na porta do banco, em vez de vegetarem esperando comida em frente ao restaurante. Antes que eles me dessem um fora, Dona Lurdes concordou e perguntou porque o carro estava em cima da calçada em frente ao restaurante, e não em frente a agência bancária, do outro lado da rua... eles ficaram sem graça de contrapor a velha e calaram a boca...Ali, estava estabelecido uma primeira relação de afeto e reciprocidade entre eu e minha nova "vovó". Inclusive, a dona Maria de Lurdes, muito sem graça, não sabia o que fazer para se desculpar... Eu, claro, perdoei...Talvez ela tenha razão em julgar e achar que, a qualquer momento, possa ser esfaqueada na rua... Que triste, vivemos um momento horrível na cidade onde todos se sentem ameaçados até mesmo por pessoas de bem....Consegui, pelo menos, dar um beijo carinhoso na bochecha da dona Lurdes antes de ir embora, pois ela começou a chorar por ter sido injusta comigo, e reconheci que era de coração. Descobri também que a Dona Lurdes mora aqui no Catete desde quando Getúlio presidia o Brasil aqui do palácio. Já aceitei o convite e amanhã vou comer uma broa de milho na casa da dona Lurdes, que mora hoje aqui na Bento Lisboa. Segundo ela, está acesa como se fosse ontem as passagens de Getúlio pelo bairro. e ela quer me contar tudo o que lembra... Quero escutar suas histórias e ver as fotos que ela diz ter pra me mostrar dessa época, "ao jornalista desleixado"..., já tomei esporro da Dona Lurdes por ser jornalista e estar andando com os pés sujos na rua... então, acho que, no meio dessa violência toda, nasceu uma nova e bonita amizade, onde a diferença de idade de dezenas de anos é um mero detalhe superficial...Já lavei os pés... Agora, depois do primeiro plano executado com sucesso, preciso colocar a cabeça no lugar e pensar direitinho como roubarei a casa inteira dela, nessa oportunidade única, e de que maneira vou assassiná-la, em seguida, para que tudo pareça um acidente, depois de três dias, pois já descobri que ela não tem parentes aqui no Rio ...
Por muitas vezes é preciso estar no alto, fechar os olhos e recitar a prece para os anjos siderais. Se esvaziar dos anseios desnecessários do mundo. Pra seguir é necessário estar leve, para amar é necessário resiliência. No caminho receberemos pedradas injustificadas, mas deixar o coração caucificado é uma questão de escolha.
Romper a vida conjugal por motivos de contendas, falta de domínio próprio e rajadas de ofensas, é mesmo um contrato com a ignorância pelo resto da vida, uma vez que ambos os cônjuges vivem uma vida fingida, hipócrita, com manchas no coração, quando antes poderiam controlar suas crises emocionais e deixar de sofrer, tomando decisões compatíveis com a boa educação e praticando o amor, o elogio, o perdão e o respeito mútuo.
Um dos remédios espirituais poderosos, utilizados em cultos residenciais e nas dependências físicas dentro das igrejas para promover o seu crescimento e a sua edificação é o confronto pessoal de seus membros, quando ofendidos e ofensores se encontram, cara a cara, para praticarem o exercício do perdão e da confissão de seus pecados, no objetivo de que todo o corpo de Cristo seja curado, restaurado, apto e digno para servir a Deus na santidade do Espírito Santo.
A gravidade do nosso pecado e de toda perversa impensada e não misericordiosa ação, perante a um semelhante, está sempre ligada a grandeza e a gravidade na proporcional dificuldade ou facilidade que temos de nos gerarmos de forma eficaz e definitiva um arrependimento e um auto-perdão. De certo só nos assustam mesmo os fantasmas e erros que ainda permanecem vivos, não resolvidos e sem aceitação.
A maldade existe e de certa forma dentro deste mundo atual que vivemos, onde ter, ter cada vez mais mesmo sem saber pra que, só pelo insano capricho idiota de ter e cada vez menos ser.Afinal se ser e se ter é altamente perigoso em uma sociedade onde quase tudo está a venda desde que produza riquezas suficientes para podermos comprar novos maleáveis princípios, ética, estéticas, verdades, amorosidades, falsos amigos e sentimentos, Mas infeliz de todo aquele que é atropelado pela veloz maldade. Sim ela é audaz e veloz como é próprio de todas as coisas traiçoeiras que vivem rodeadas da morte, das dores, das perdas e dos infinitos sofrimentos. Só um pedido perene a fazer,se não possível evitar, ofertamos tudo que for de material, humilha se, chora se, imploramos pela própria vida e a não dor, roga se a vida a não parcela de uma sobrevida vegetativa rodeada de sofrimentos familiares..... mas se nada disto for possível que a maldade passe por infelicidade em nossas vidas o mais rápido possível e não deixe em nos por caridade nem uma centelha de ajuste de contas ou de vingança.Antes de qualquer tentativa de cicatrização das chagas e das feridas da maldade, o nosso primeiro passo tem que ser o perdão.Perdão insano frente as leis e façanhas do homem, perdão aos agentes da maldade, a si próprio e a todas às vítimas que a tormenta acometeu.É sabido desde a antiguidade que quem vinga é feliz por um minuto mas quem perdoa volta a viver feliz na eternidade.
O diamante na natureza nasce de uma molécula de carbono submetida a muito calor e a muita pressão da mesma forma que o amor na natureza humana nasce de uma centelha de emoção submetida a muito querer e muito perdão. Por isto dentro da alquimia sagrada o diamante é a mais valiosa das gemas e o amor é a mais valorosa das virtudes. O amor e os diamantes, são eternos.
A culpa petrifica mas a responsabilidade mobiliza a se reparar o erro. A culpa pode ser considerada uma auto-condenação sem perdão que justifica e muitas vezes reafirma que não existe nada mais a fazer mas enquanto não nos movimentarmos para amenizar o erro, não haverá diminuição da pena e muito menos absorvição. O inferno começa em vida para todo aquele que erra e não reconhece a culpa.
O exato valor do amor, só reconhece quem por dor de nunca ter recebido optou por justiça da lei da vida, amar, amar, amar sempre mais para que um dia com sorte possa para si, um pouquinho voltar. Aquele que ama intensamente em qualquer direção, não se engane, tem por este verbo perene a atenuação da extrema dor de viver solitário.
No coaching efetivo para a abundancia sabe se que o primeiro passo do aprendiz para direcionar se para a nova vida é o auto-perdão diante do amontoado de ações, imagens, atitudes, omissões, valores e energias sofridas e doloridas, que estão no passado e que hoje, não temos mais nenhuma possibilidade e oportunidade de mudar.
O amor é em essência uma generosa descoberta e ao mesmo tempo uma grande aflição de revolta, quando não estamos previamente preparados. Algumas pessoas, descobriram por tão pouco que me amam tão intensamente que por conta disto, passaram a me odiar de forma contraditória pelo resto de suas vidas.
Demagogos revanchistas rancorosos hoje relembram das 687.962 vitimas da Covid-19 no Brasil durante o governo Bolsonaro. Vitimas por fatalidade de uma pandemia nova internacional, onde tudo era experimental. Além do mais muitas mortes ocorreram no planeta inteiro e em alguns lugares infelizmente proporcionalmente bem mais do que aqui. Eleitores do ódio, disfarçados em amor, iniciam a perversa e injusta retaliação.
A permanência da existência por vida e por voz nesta dimensão é efêmera. Logo é imperativo que antigas palavras e questões existenciais, amorosas, familiares e amistosas estejam sempre bem resolvidas. Uma das maiores frustrações, é ter que posteriormente falar no vazio e viver na cruel incerteza da duvida do perdão.
Ao primeiro momento diante do grave erro, meu pensamento e e minha razão ávidos por justiça e liberdade, julgam e condenam mas logo após, ao primeiro momento pós o ocorrido, minha alma e meu coração por vida de aprender um pouco mais a cada dia, perdoa e generosamente oram, para que o mesmo erro, jamais aconteça, nunca mais.
Alguns entre nos são mestres "acensionados", vem para este plano pela ultima vez, espalham ensinamentos e conhecimentos místicos e espirituais, podem ter a vida terrena por um minuto ou por cem anos mas a mensagem divina é irrefutável. Estão sob as esferas sublimes das freqüências, por onde passam exalam monotonamente amor, compaixão, simplicidade e perdão.
Enfim, pegando a PA. melhor começar por aqui do que por LA. apesar dos mil sentidos e subjetivos, ela é escrava. Sim, a palavra é escrava do coração atormentado, solitário, ferido e sem perdão. Algumas bocas deveriam omitirem certas palavras, quando viessem como gilete, ferirem o ar e o lugar onde são proferidas. Todos temos feridas, mas algumas delas em algumas pessoas, permanecem abertas por medo, covardia ou nostalgia ao longo da vida como se fosse uma casquinha que não fecha da única verdadeira patente não ilusória do justificado sofrimento. Vidas amargas.
