Carta a um Amigo Especial

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Estou dando uma Pausa.


Por um tempo, escolho o silêncio.


Longe dos holofotes. Longe da correria. Longe de tudo aquilo que, aos poucos, foi consumindo minhas forças sem que eu percebesse.


Não é desistência. Não é fuga. Não é falta de amor pelo que faço.


*É cuidado*


É o reconhecimento de que existe algo mais importante do que continuar correndo: Cuidar da alma.


Passei anos vivendo para tantas responsabilidades, carregando pesos, enfrentando batalhas e tentando permanecer forte. *Sorri quando estava quebrado. Caminhei quando estava ferido. Permaneci de pé quando tudo dentro de mim queria desabar*


Travei guerras silenciosas que quase ninguém viu. E algumas delas ainda estou lutando.


Mas até os guerreiros se cansam.


Até os mais fortes precisam parar para respirar, se curar e se reencontrar.


A caminhada deixou marcas. Algumas profundas. Mas, pela graça de Deus, continuo de pé.


Não sustentado pela minha força.Não pela minha capacidade. Mas pela graça que me alcançou quando eu já não tinha forças para continuar.


Por isso, escolho parar.👇


Parar para orar mais. Parar para jejuar mais. Parar para ouvir mais a voz de Deus. Parar para voltar ao lugar onde tudo faz sentido: A Sua presença.


Porque ministério sem intimidade vira ativismo. Serviço sem descanso vira exaustão. E uma alma vazia não pode oferecer aquilo que ela mesma não possui.


Jesus também se retirava para lugares solitários e orava. Se o Mestre precisou parar, quem sou eu para achar que não preciso?


Então, esta não é uma despedida.


É apenas uma pausa de tudo o que me fez cansar em minha jornada. Agora, inicia-se um novo tempo. Quero ser usado e cheio da graça para apresentar Cristo ao mundo. Agora é tempo de ter mais intimidade com Ele, porque foi Deus quem me chamou e tem me cobrado sobre isso!


Uma pausa para reabastecer.Uma pausa para restaurar.Uma pausa para voltar mais forte, mais inteiro e mais perto de Cristo.


Às vezes, a maior demonstração de fé não é continuar correndo.
É ter coragem de parar nas mãos de Deus.


"Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava." — Lucas 5:16

Nossas casas estão edificadas, nossos vinhedos estão plantados em redor do sopé de um vulcão. Hoje podem ser belas e florescentes; mas amanhã cinzas é tudo quanto poderá restar. Portanto, abri bem as mãos, enquanto elas tiverem bênçãos a propiciar; pois, daquilo que derdes, jamais podereis ser privados"
Edward Payson, citado por Russell Norman Champlin, Novo Testamento Interpretado, volume 5, pág. 356

Um homem honrado por Deus.
É isso que vejo em você todos os dias.
Vejo o cuidado do Senhor revelado na sua vida, nos pequenos gestos, na sua humildade que me surpreende e me ensina. Na sua dedicação... no zelo, no amor e na fidelidade com tudo aquilo que pertence a Deus.


Sua dependência do Senhor, esse derramar sincero, essa entrega verdadeira… tudo isso fala mais alto do que palavras. Você não vive de aparência, você vive de presença. E é por isso que Deus tem nos sustentado, nos guardado e nos escondido Nele.


Amor, o seu jeito de adorar não vem da superfície, vem da alma. É uma verdade que transborda de dentro, que rompe barreiras, que arranca lágrimas do coração e cura lugares profundos. Quando você adora, o céu se move, e quem está perto sente.


Você é alguém.
Você tem chamado.
Você é instrumento nas mãos de Deus para curar, restaurar e levantar vidas.


Sou grata por caminhar ao seu lado, por ver Deus agindo em você e através de você. Nosso lar é prova viva de que o Senhor honra aqueles que O honram. Miriam Leal

A verdadeira adoração acontece onde o coração está rendido.
Porque Deus não busca um horário…
Ele busca um coração que viva para a glória dEle.
Apresentai os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o vosso culto racional.
(Romanos 12:1)
Que a nossa vida seja um altar,
e cada dia, uma oferta de amor ao Pai.

O culto a Deus não se limita a um dia ou a um lugar.
Culto é tudo aquilo que fazemos para glorificar o nome do Senhor.
Não é apenas no domingo, dentro de um templo,
mas em cada atitude, em cada escolha, em cada passo do nosso viver.
Miriamleal

Ame a todos, perdoe a todos e tenha um coração limpo.
Isso faz bem para a alma, porque tira o peso. Isso faz bem para o espírito, porque mantém a presença de Deus. Isso faz bem para o corpo, porque o que a alma carrega, o corpo sente.
Quem vive com ódio, vive pesado. Quem vive com mágoa, vive cansado. Quem vive com raiva, vive em guerra por dentro.
Mas quem aprende a perdoar, dorme em paz. Quem aprende a entregar para Deus, descansa. Quem tem o coração limpo, vive leve.
Não é sobre o que o outro merece. É sobre a paz que você merece sentir.
Ame a todos. Perdoe a todos. Mas acima de tudo, proteja a paz que Deus colocou dentro de você.
miriamleal

Há dons para serem exercidos, há promessas para serem vividas, há um propósito que não foi apagado pelo tempo.
Como escreveu 2 Timóteo:
Por esta razão, torno a lembrar-lhe que mantenha viva a chama do dom de Deus.
Que a chama não se torne cinza. Que a oração continue subindo. Que a Palavra continue iluminando. Que a presença de Deus continue sendo o teu maior tesouro. miriamleal

“Amor por Dois”

Se um só coração pode amar apenas um destino,
então talvez eu esteja traindo.

Porque amo você...
e amo a mim,
por ainda ser capaz
de sentir um amor tão profundo.

É difícil amar por dois.
Que coração suporta
o peso de duas almas
sem se romper pelo caminho?

Talvez seja por isso
que o meu vive em pedaços.

Eu perdoei.
Não porque a dor foi embora,
mas porque o amor
se recusou a morrer.

Só pedi que me reconquistasse.
Nunca coloquei um prazo.
Acreditei que quem ama
entende que a confiança
não renasce de um pedido de desculpas,
mas de atitudes.

O tempo passou.

E, aos poucos,
o seu sorriso foi ficando distante,
o carinho virou silêncio,
as palavras se tornaram espinhos,
e eu passei a me sentir sozinho,
mesmo segurando sua mão.

Enquanto isso,
minha mente me atormenta.

Ela me faz reviver
o dia em que tudo mudou.
Ela me faz acreditar
que ainda existem verdades escondidas,
porque quem já quebrou minha confiança
transformou qualquer silêncio
em motivo para eu temer.

Não dói amar.

Dói amar alguém
e não saber
se ainda existe um lugar
para esse amor.

Dói olhar para você
e me perguntar
se algum dia fui amado
com a mesma intensidade
que sempre te amei.

Se isso é o amor incondicional,
como eu poderia simplesmente ir embora?

Como abandonar alguém
que ainda mora no meu coração,
quando o meu próprio coração
se recusa a desistir?

Talvez eu ame mais do que deveria.

Talvez eu espere
que um dia você escolha
me reconquistar
com a mesma força
com que eu escolhi ficar.

Porque existem amores
que sobrevivem à traição,
mas morrem, aos poucos,
quando apenas um coração
continua lutando por dois.

Do não que já se tem


A maioria das pessoas não está preparada para receber um 'não'. Mas, se elas se dessem conta de que o não elas já têm... perderiam o medo. Se já o têm, não há como ganhá-lo.
Então, se não fizerem nadinha de nada, o máximo que pode acontecer é permanecer no não. Que já é terreno conhecido, é zona de conforto.
Com você é assim também? Não consegue administrar os 'nãos'?
Então, acostume-se, sua vida estará repleta de 'nãos' – é tudo o que você já tem.
Agora, arrisque-se... o mínimo que pode acontecer é você permanecer no não.
O mínimo...


Rosangela Calza

Da motivação


Motivação – “Motivação é um impulso que faz com que as pessoas ajam para atingir seus objetivos [...] Motivação é o que faz com que os indivíduos deem o melhor de si, façam o possível para conquistar o que almejam” .
Em tempos de pandemia (Covid – 2020), a falta de motivação em um grande número de pessoas tem aumentado consideravelmente.
É difícil falar de motivação em tempos assim... como falar desse tema se parece que o mundo está se esvaindo dia a dia? Tudo está tão indefinido... como, então, ter objetivos se o que temos é nebulosidade total? Como planejar para sair em busca de algo se não sabemos nem quando poderemos sair de casa sem o medo do vírus?
Entende-se perfeitamente que as pessoas estejam tristes, assustadas, desmotivadas...
Mas, vamos lá! A vida continua... e pode ser que na próxima curva venha a solução para o que nos assola neste momento... e como temos de seguir procuremos seguir da melhor maneira possível os dias que se apresentam.
Um dia de cada vez – eis uma forma de seguir em paz e com serenidade.
Viva com atenção o seu presente... organize seu dia... planeje o seu dia (nada além de um único dia)... tenha uma agenda de atividades diárias e cumpra-as, valorizando o momento e o que está sendo feito... você sabia que o passado e o futuro são ilusões, não sabia?
Pois é... Tinha razão Dalai Lama ao dizer “Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver”.
Vamos viver o hoje, ou melhor, o AGORA!


Rosangela Calza

​Pensamento de madrugada com um copo de chopp na mão .




​Escrevi destinos em linhas de código,
Fui a mente exata, o cálculo perfeito.
No universo binário, eu era o prólogo,
Decifrava o mundo, impunha respeito.
Sim, eu já fui gênio na computação,
Dono das lógicas de uma geração.
​Mas a máquina é fria e a vida tem pressa,
E o meu peito pedia outra melodia.
Fui buscar no bar a minha promessa,
Cantei os meus versos na santa boêmia.
Lágrimas, risos, fumaça e canção,
Letras improvisadas, que vinham do meu coração.
​Hoje as telas se apagam, o tempo clareia,
O chopp descansa, a noite silencia.
E diante de tudo que a vida rodeia,
Onde está você?
Resta o mistério que a mente não guia.
​Olho pro espelho e mudo o meu tom:
Do muito que eu fiz, do tanto que eu li,
A grande verdade que trago no som...
É que hoje eu só sei que nada sei!


Autor desconhecido

Achei um dizeres assim






boêmio dos anos 70 no Bar Brahma:




​De Encontro ao Vento


🎵
​Madrugada fria na São João,
E a saudade🎶 aperta no peito.
Bebo um chopp pra acalmar o coração,🎵
Mas preciso te ver de qualquer jeito.
​Quero andar contigo ao vento,🎶
Respirar o ar da tua cidade,
Transformar em ouro esse momento
E apagar de vez a🎵 nossa saudade.
​Quero o mesmo sol na minha pele,
O teu riso iluminando a🎶 mesa,
Num abraço que o tempo congele,
Afastando toda a tristeza.🎵😜








Outra versão




Saideira e Saudade




​O garçom já traz a saideira.🎵
E a mesa vazia é solidão.
No balcão da noite inteira.🎶
Sua ausência vira uma canção.
​Eu preciso largar esse copo.🎵
Correr pra te ver de qualquer jeito.
Te buscar no avesso do mundo.
Arrancar esse nó do meu peito.
​Quero a brisa da rua deserta.🎶
Respirar o teu mesmo luar.
Ver a porta do peito aberta
E no teu sorriso acordar.🎵


Autor Desconhecido

Bom, eu achei que o amor era flores, mas na verdade é como um espinho que fura toda vez que você mexe nele. E isso faz dizer que não devemos amar, porque amamos demais e nos machucamos demais e isso é decepcionante. Às vezes penso que o amor não existe, então, toda vez que tento amar, me machuco antes de me relacionar. Por isso não dá certo, porque, por causa de pessoas fúteis, não consigo mais. E pra mim chega, de verdade, já ocupei tempo demais esperando a pessoa certa.
Mas na verdade eu já amo alguem e, mesmo que achem que é loucura, vou continuar amando, mesmo que seja impossível ficarmos juntos.

⁠LAGOA AZUL...
(Autoria: Otávio Bernardes. Poema baseado no filme...)
Por um momento, eu paro
e penso em você.
Mais do que uma “lagoa azul”,
eu imagino você vindo para mim...
Acho-a linda, muito linda...
Meus pensamentos se perdem
na imensidão das águas,
buscando, procurando por você!
Olhe, meu bem, a solidão pior do mundo,
é a solidão de um ser querendo outro ser!
“Lagoa azul,” misto de pureza e inocência.
Mas, meu amor, eu não sei...
Estou revoltado, deveras chateado!
Por um momento, eu paro e penso em você.
Talvez, desaparecer por um lugar assim... azul..
Aliás, azul é uma cor que admiro muito.
Anseio um lugar só pra nós dois,
para poder te amar.
Por isso, meu amor, pra mim
a vida está vazia, bastante sem sentido...
Não encontro lugar para te amar.
O mundo apregoa tantos lugares,
mas, não encontro o ideal...
Até parece que pra você
sou “trancado,” “múmia,” ensimesmado.
E é por isso, meu bem...
Não encontro o lugar ideal
para dedicar-te o meu amor.
“Lagoa azul,” apareça, converta-se em realidade!
Eu preciso de você, do jeitinho que é,
do tamanho que você é...
“Lagoa azul,” talvez os namorados, os casais,
os que se amam possam te encontrar...
Porque a vida seria melhor
se eu, se você, se nós,
se nós que nos amamos,
construíssemos uma “lagoa azul” assim... desse jeito...
Meu bem, meu amor, saia de você,
esqueça o mundo lá fora
e venha para os meus braços,
para todo o meu ser, para a minha “lagoa azul” imaginária...
onde encontrei você!
Otávio Bernardes

Pés no chão, evita grandes tombos;
Um passo de cada vez, evita grandes perdas;
Molhar o pé, evita grandes frustrações;
Pé atrás, evita decepções;
Passo maior que a perna, causa arrependimentos;
Enfiar o pé na jaca, causa confusões;
Estar aos pés de alguém, causa desilusões;
Meter os pés pelas mãos, causa conflitos.

⁠No jardim dos sentimentos floresceu,
Um amor nasceu, tão puro e verdadeiro,
Entre risos e olhares, o coração se aqueceu,
Numa dança de ternura, num doce roteiro.

Teus olhos, duas estrelas a brilhar,
Guiam-me pelos caminhos do encanto,
Teu sorriso, um sol a me iluminar,
Em teus braços, encontro meu porto, meu manto.

Como um rio que corre sereno ao mar,
Nosso amor flui, sem pressa, sem fim,
És a melodia que em minha alma faz ecoar,
A canção mais doce, o mais belo jardim.

Em teus abraços encontro meu lar,
Nossos corações em harmonia a pulsar,
Neste eterno presente, neste doce lugar,
Nosso amor floresce, sem jamais cessar.

Raphael Denizart * 08/04/2024 * ReJ

REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DA CAATINGA

No coração do Nordeste
Nasceu um novo esplendor,
República da Caatinga,
De coragem e de valor.
Onde a honra faz morada,
E a fé floresce em flor.

Nação de bravos guerreiros.

Sua bandeira tremula
Com orgulho e tradição;
Azul do céu que protege,
Branco da paz em união,
Laranja é força e coragem,
Que aquece cada coração.

Nação de bravos guerreiros.

São nove Estados unidos
Num destino verdadeiro,
Como nove sentinelas
Guardando o chão caatingueiro;
Cada povo é uma estrela,
Cada filho um guerreiro.

Nação de bravos guerreiros.

No alto brilhou no infinito
Uma nova constelação;
Nove estrelas reluzentes
Desenhando a região,
Fez do céu da Caatinga
Seu eterno pavilhão.

Nação de bravos guerreiros.

À esquerda vive o sertão,
Mandacaru altaneiro;
O sol poente se despede
Pintando o chão por inteiro,
Mostrando que a resistência
É o brasão do sertanejo.

Nação de bravos guerreiros.

À direita canta o mar
Com seu azul cristalino;
Coqueirais fazem reverência
Ao nascer do sol divino,
E as ondas beijam a praia
Num espetáculo genuíno.

Nação de bravos guerreiros.

Do couro nasce a coragem,
Do barro nasce a missão;
Da seca brota esperança,
Da chuva a celebração;
Cada espinho é uma escola,
Cada luta uma lição.

Nação de bravos guerreiros.

O vaqueiro e o jangadeiro,
Cada qual no seu labor,
Um domina a terra firme,
Outro enfrenta o mar bravio;
Ambos levam no semblante
A grandeza do valor.

Nação de bravos guerreiros.

A sanfona abre caminhos,
O aboio encontra o mar;
O coco dança com o vento,
O xaxado faz lembrar
Que a cultura desta terra
Nunca deixa de cantar.

Nação de bravos guerreiros.

Que esta pátria imaginada
Seja exemplo de união,
Onde o povo seja livre,
Respeitando o irmão;
Sob as nove estrelas brilhe
Uma eterna construção.

Nação de bravos guerreiros.

A tua ida aos céus

Um carro preto, tão escuro quanto o céu, aconchegava dentro de si um belo casal de humanos.
Humanos estes que, a todo momento, ficavam batendo nos cantos.
Um jovem casal belissimamente lindo!
Pena que o jovem rapaz não sabia o que estava vindo…

Ao ligar o velho motor, tomou-se pela dor,
porém preferiu ignorá-la, para não tirar de sua garota o sorriso.
Garota elegante, com olhos cor de madeira e cabelo cor de petróleo,
olhava-o com certa ambiguidade em seu olhar.
Pena que o jovem não houve de notar.
À toa, o carro gastava seu óleo.

Cada hora da noite — noite esta que se assemelhava mais à eternidade — os dois, novamente, demonstravam um amor que, confesso eu, nunca antes recebi, um amor cheio de reciprocidade.
Como queria estar igual aos pombinhos, amando na flor da idade!
Continuemos…
Seguiram-se amando, trocando beijos e palavras lindíssimas.
Pena que, para o jovem rapaz, estas seriam as últimas.

O seu olhar a fitava, amava e a desejava ao seu bombeador de sangue.
A sua mão a tocava, ou melhor, tratava-a como a uma mulher.
Depois de um tempo, a viagem seguiu.

Um caminhão, maior que minha mão, foi de encontro ao carro.
Talvez para cobrar-lhe uma antiga dívida?
Pena saber que, para o jovem, o combinado custou caro.
A jovem, por sua vez, teve a sua saúde mantida.

Colocaram o jovem sobre uma caminha — acredito que se chame “maca” —
e levaram-no, com certa despreocupação, a uma salinha cujas paredes e cujo teto eram brancos e sem vida.
No lugar, não havia nada, mas isto não era um problema ao rapaz,
pois ele sabia que, ao fim, teria perto de si sua mulher.

Os dias corriam de um lado ao outro, claramente sem rumo algum.
No entanto, não havia preocupação,
porque carregava a imagem daquela detentora de seu coração.
Não se queixava de remédio nenhum.

Os olhos, ainda brilhantes, namoravam a porta.
Sempre achei aquela porta digna de ser aberta por uma linda dama
que, no momento em que estivesse eu dentro de uma ilusão, me visitasse na cama,
que segurasse, em suas mãos de coelho, uma deliciosa torta, sorrindo para mim enquanto uma fatia corta.

Desculpe, continuemos…

O tempo muito se passou,
e a moça, no prédio, nem sequer pisou.
Pelo grau do acidente, o pobre rapaz perdeu parte de sua coordenação motora da região inferior.

Se ao menos ela o visse, poderia facilmente tratar de seu caso com o seu simples amor.
Se ao menos… Se ao menos tivesse…

Aos poucos, o movimento no interior foi diminuindo…
Mesmo em sonhos, não a conseguia ver ao seu lado sorrindo.
O lugar tornou-se um velho prédio onde todos os profissionais ficaram à disposição.
Suas pernas, já saudáveis, entrelaçavam os dedos ansiosamente.
Seus dentes chocavam-se uns contra os outros de nervoso,
e seu coração se quebrava em sua totalidade. Neste momento, arrisco dizer que parte dele foi eliminada pelos sucessivos vômitos de tristeza.
Ao final de seus dias, ficava de prantos em sua pequena mesa.

Na hora de sua partida, pegou seus pertences, derrubando um oceano de mágoas pelo chão.
No instante em que deixou o hospital, olhou ao pobre e triste céu,
querendo ver novamente sua amada e cobri-la com um lindo véu.
Pobre jovem… não há nada neste mundo material para segurar sua mão.

O homem foi caminhando a um local cheio de pedras com formato de paralelepípedo.
O lugar era belo; havia uma quantidade rica de flores deixadas por aqueles que, igual a ele, sentiam as mesmas dores.
Ele, a fim de honrar o local em que estava inserido, levava consigo um lindo conjunto de rosas que, milagrosamente, deixaram-no com o peito aconchegado.

“Como eu a amo!
Como eu a vislumbrava!
Uma mulher que, durante sua vida, feliz o meu coração deixava!
Como eu a amo!”

Tinha comigo a melhor das rosas,
A mais linda das flores.
Junto ao meu corpo, conduzia um regador.
Regava-a até o seu florescer.

A rosa, ainda tímida, encolhia-se quando via perigo.
Contudo, levantava as pétalas quando via seu amigo.
Faça Sol, faça chuva, ele sempre estava lá para a regar.
Quando a tristeza batia, a flor, de sua mão, nunca saía.
Ela dava-lhe o seu olhar.

A lua cheia daquele mês avisou da sua chegada;
O rapaz - com ânimo excepcional - beijou-lhe a mão para irem ao encontro da convidada.
A flor aceitou com um grande pulo de alegria, chocando assim os olhos daquele que lhe propôs o divertido encontro.
A flor e o rapaz correram pelo vale campestre e escorregaram no campo.
A moça - comovida com tudo aquilo - gargalhou um canto.
O rapaz - com os olhos presos ao fio que a prendia - sorria para a situação.
Ela levou-lhe sua mão; ele beijou-lhe mais amavelmente que antes.
Eles dançavam,
Eles se amavam,
Eles riam,
Eles se viam.
A noite se foi como o sopro de uma forte ventania;
Os dias - carregados por um coche - não paravam para deixar seus cavalos aspirarem o ar, que lhes dava energia.
A moça não o via mais com tanta frequência;
O rapaz - tomado por um ato de desespero - pedia-lhe a mão para correr pelo céu.
Ela não o respondia da mesma maneira.
Ele enviava-lhe cartas recheadas, mas, de sua querida, recebia meia dúzia de letras.
Os pássaros pararam de gorjear, mantiveram-se quietos em respeito à lucidez daquele que, com sua voz, ajudava-lhes a cantar das mais diversas canções.
As árvores - cuidadas e podadas todo ano por ele - encontravam-se turvas, em luto por aquele que lhes dedicava tanto zelo; suas folhas murcharam e destacam-se dos galhos que lhes davam sustentação.
O campo - que costumava ser rodeado e cuidado pelos lindos animais e pela cadeia alimentar destes - perdeu suas gramíneas, sua vivacidade e aquilo que mais temia: aqueles que, em seu solo, desfrutaram da mais bela benção que o ser humano é capaz de ser presenteado; em compasso com os outros, observava o rapaz e o lia.
O jovem - em prantos com a vida que levava - prostrou-se no chão e suplicava a Deus com a mão no coração.
“Por que me deste aquilo que tanto Te pedi para que, com uma frieza cruel, tirar-me?”
O cenário convergia sua visão àquele que implorava por respostas. A partir deste momento, tudo estava íngreme.
“Por que quando experimento da felicidade dada pelas Tuas mãos, tu a tiras de mim? Então, Pai Celestial, meu Deus, por que me concedeste a dádiva do amor se tinha em Tuas mãos, Pai, um fio amarrado em Teu mindinho para puxá-la de volta a Ti?”
As aves - com as penas caídas e descoloridas - aconchegaram-se no rapaz, que, naquele instante, com as lágrimas na mão e regando o chão com elas, era dominado pela mais intensa sanha.
Ele batia contra o chão; o campo soltava um gemido doloroso a cada vez que sofria, mas não se importava, pois aquele que mais lhe regou se sentia desconexo com aquele que lhe deu a vida.
“Diga-me, Senhor dos Céus, com qual objetivo Tu me sopraste com a vida? Fora para teres o luxo de me ver o sofrimento alheio?”
“Por qual razão, Deus, Tu, com um arsenal infinito de força, fazes da minha vida um grande paraíso para o Diabo?”
O campo, as aves e as árvores, todo o meio campestre derramava o gelo derretido de suas faces.
O jovem - ainda prostrado - prosseguiu com um longo silêncio.
Ele estava sem meio,
Enxugando as lágrimas, caminhou para longe.
Não se sabe em qual sege adentrou, mas que a razão não é mais aquilo que o tange.
Ele desmoronou sua estrutura no campo;
Este - gentilmente - enrolou-o num grande cobertor que lhe protegeria do frio que ali costumava a castigar.
As aves lhe beijaram o lábio;
As árvores, suor que escorria em seu olhar;
O campo, o braço que costumava regar.
O céu, cansado de tanto azul, se esvaiu.

Não despreze as lágrimas; elas têm valor diante de Deus. Mas não pare nelas. Ele te chama a dar um passo além: crer mesmo quando os olhos marejados não veem saída.


Porque lágrimas tocam o coração de Deus, mas é a fé que move a mão d’Ele.


“Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6).