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Entre as instituições mais sensíveis ao problema de independência nacional, devido à sua vinculação direta com a criatividade humana, está a Universidade. Sua natureza intrínseca não permite a sobrevivênci no marasmo, na passividade, na dependência da caridade dos outros. A subsserviência e a indignidade não se ajustam à sua função primordial desde as suas origens no século XII"
JEAN BAUTISTA VIDAL - De estado servil à nação soberana -
"... a Universidade Brasileira atual é fruto do "modelo" de crescimento econômico, tecnológico e culturalmente dependente de países hegemônicos. Seu desempenho em certos setores não lhe retira a vulnerabilidade de não ser instituição estratégica de nossa evolução e, portanto, incapaz de criar soluções para os grandes problemas do País. Não sendo essa incapacidade incongênita, mas induzida pela natureza do "modelo" que vem, há três décadas, orientando a vida nacional, não é, portanto, irreversível. A pesquisa científica que realiza é principalmente dirigida para objetivos desvinculados do próprio meio; a extensão, quando existe, é limitada e particularmente dirigida para o setor artístico e o ensino é quase que exclusivamente centrado na formação de profissionais do tipo liberal, e para o suprimento de seus próprios quadros docentes e os de nível secundário. A pós-graduação tem sido, em geral, uma complementação a uma formação de graduação incompleta" - J. BAUTISTA VIDAL - De estado servil a nação soberana.
A inexistência, no Brasil, de um projeto nacional e as dificuldades para implantá-lo são sintomas que esclarecem razões de nossos tropeços institucionais, bem como da natureza dos interesses vinculados à manutenção do status quo. Isto, naturalmente, está na origem das nossas dificuldades para estabelecer uma dinâmica de vida que tenha como objetivo a existência de uma Nação justa, organizada e independente"
J. BAUTISTA VIDAL - De estado servil a nação soberana
Não é por acaso que sistemas educacionais de países como a França, Inglaterra, Japão e EUA, por exemplo, destacam instituições universitárias de grande prestígio, com o objetivo político precípuo de formar seus respectivos dirigentes. Nessas instituições, se educam os futuros líderes na afirmação dos valores nacionais; na sublimação do respeito e da valorização de seus antepassados e da sua história; na consolidação de uma enérgica auto-estima; no estímulo a tudo o que promove e prestigia a sua gente, os seus costumes e a sua cultura..."Les Grandes Écoles", na França; Oxford e Cambridge, na Inglaterra; Tóquio e Kioto, no Japão e não menos que uma dúzia de universidades nos EUA - entre elas, Harvard, Chicago e Stanford - são estruturadas, também, com esse fim"
J. BAUTISTA VIDAL - De estado servil...
"Les Grandes Éscoles" na França; Oxford e Cambridge, na Inglaterra; Tóquio e Kioto, no Japão e não menos que uma dúzia de universidades nos Estados Unidos - entre elas, Harvard, Chicago e Standford - são estruturadas, também, com esse fim. Essas instituições seguem sistemáticas diferenciadas das prevalentes no sistema universitário ordinário. Elas enfatizam as disciplinas de conteúdo histórico, cultural e político, mesmo em currículos de carreiras técnicas, como ocorre, por exemplo, na "École Polytechnique" de França.
BAUTISTA VIDAL - De estado servil à nação soberana
O fascismo português... Tentou esmagar a rebelião das populações do norte angolano com uma ferocidade ilimitada. E falhou...Centenas de milhares de angolanos foram expulsos das suas terras, dezenas de milhares pereceram de inanição nas regiões devastadas, e incontáveis multidões de gentes indefesas vítimas do genocídio organizado. Horrores só comparáveis aos da Gestapo e das SS hitlerianas repetiram-se e ampliaram-se nos campos de Angola"
Revista Paz e Terra, 10/1969 - Miguel Urbano Rodrigues - Conferência na PUC-SP em 23/09/1968
História de Angola
Em Angola, tudo se passa de maneira diferente. O militar recém-chegado não tem apenas que enfrentar uma formidável máquina de propaganda. O incitamento ao crime é permanente, mórbido. Com a agravante de que o genocídio é exaltado como epopeia. Assassinar friamente um africano deixa de ser um ato punível pelas leis e códigos para se transformar em demonstração do mais puro patriotismo. E de Portugal, através do Rádio e da Imprensa, não chega um voz discordante"
Miguel Urbano Rodrigues, Revista Paz e Terra - 10/1969
- Ditadura, Angola, Palestina
