Carta a um Amigo Detento
Seria muito difícil — ou até impossível — alugar a cabeça de todo um povo, ou parte dele, sem antes comprar algumas.
E comprar cabeças não exige dinheiro em espécie.
Exige, antes, acessos…
Acesso às emoções, aos medos mais íntimos, às esperanças mais frágeis…
Exige repetição até que a mentira soe familiar, e familiaridade até que a dúvida se torne desconfortável.
Aos poucos, não se impõe uma ideia — planta-se.
E, como toda semente, ela cresce melhor quando o terreno já foi preparado.
A compra de algumas consciências inaugura o ciclo.
São vozes estratégicas, rostos confiáveis, figuras que inspiram pertencimento, quiçá instrumentalização da fé religiosa.
Elas funcionam como pontes: ligam o estranho ao aceitável, o absurdo ao plausível.
Quando essas vozes falam, não parece imposição; parece consenso.
E é aí que o aluguel começa — quando pensar por conta própria passa a ser mais difícil do que repetir.
Nenhuma mente é tomada de uma vez.
O processo é gradual, quase imperceptível.
Pequenas concessões aqui, uma simplificação ali, uma narrativa conveniente acolá.
De repente, o que antes causava estranhamento passa a ser defendido com fervor.
E o que era questionamento vira ameaça.
Mas talvez o ponto mais inquietante não seja o ato de comprar algumas cabeças — e sim o silêncio das demais.
Porque onde há ausência de reflexão, há espaço de sobra para a ocupação.
E onde há medo de discordar, o aluguel se renova automaticamente.
No fim, não se trata apenas de quem compra ou de quem aluga.
Trata-se de quem resiste a vender — e, mais ainda, de quem insiste em pensar com a própria cabeça.
A pessoa que disse tanto te amar e nunca te abandonar de um dia para o outro te troca, ostentando todas as coisas que conquistaram juntos com outra pessoa, te menospreza, se faz de ingrata.
As palavras são só palavras quando não tem atitude, amar não vale nada sem conversar, sem se abrir um com outro mesmo que seja difícil, amar é cuidar um do outro e fazer valer a sua promessa.
Pra ser quem eu sou hoje
Eu paguei um preço muito alto
Perdi muitas coisas perdi caminhos perdi pessoas.
Perdi até a mim mesmo!
Mas eu me refiz em silêncio carregando dores que ninguém viu vencendo batalhas que ninguém nunca soube
Então por favor não venha me dizer: Há você não era assim?
Você não sabe o que eu vivi
Cada mudança em mim tem uma cicatriz
Eu não mudei por escolha eu mudei por necessidade
A vida me moldou na marra no impacto na perda.
E hoje eu sou o que restou depois de muito me despedaçar e mesmo assim eu sigo em frente com a cabeça erguida.
Menina Mulher
Há um mistério gravado no teu olhar,
Onde a menina insiste em brincar,
Com o brilho da estrela, o riso ao léu,
Tecendo sonhos em fios de céu.
Mas, sob o veludo dessa doçura,
Habita uma força que a alma segura.
É a mulher que trilha, que sabe o caminho,
Que vence a montanha, que não teme o espinho.
Menina no sonho, mulher na atitude,
Trazendo o sagrado, a luz, a virtude.
Onde põe os pés, floresce o destino,
Com um passo maduro, mas um riso divino.
Como um anjo que aprendeu a lutar,
Tens o mundo inteiro pronto a girar.
Menina mulher, em constante voo,
O teu coração é o teu próprio povo.
--------- Eliana Angel Wolf
Nossa, esse dia sim representa demais todos os seres humanos.
Todos são crianças em um corpo de uma pessoa adulta.
Uma criança muito especial, dedicada, estudiosa, focada...e muito brincalhona.
Nos divertimos e fazemos os outros se divertirem.
Feliz dia das crianças para vocês também!
🤗🥰
Se o tempo esquecesse meu nome, eu continuaria anônima, fumando um cigarro de hortelã dentro de uma caverna onde constelações respiram entre morcegos e uma estrela cadente cai lentamente sem fazer barulho, lembrando que o belo é breve como a vida das borboletas que vivem apenas o suficiente para ensinar o amarelo ao girassol e o azul ao céu.
No meio do mar existe uma porta aberta, e eu entro nela como Alice atrás do coelho, atravessando algas coloridas e peixes alienígenas que guardam civilizações antigas, onde talvez eu me afogue e minha alma se dissolva na fórmula da água cintilante que colore o invisível e abriga um pássaro que nunca nasceu.
A estrela que caiu antes de nascer germina como um vaga-lume verde piscando na galáxia com altivez silenciosa, porque dois elefantes não fazem uma girafa e dois e dois são quatro apenas quando a vida vale a pena e o humor permite respirar dentro do absurdo; então guardo essa estrela no frasco do perfume da minha alma sinuosa.
Se uma palavra pudesse sangrar, eu protegeria a palavra vida para que as sementes continuassem sonhando em brotar entre arranha-céus de vidro impecável nas cidades cinzentas onde as línguas mastigam fel e o silêncio dos poetas transfunde sangue nas bocas numerosas que esqueceram como se conter diante do abismo.
Antes de eu nascer, um espelho já lembrava a avidez fatal do óvulo e do espermatozoide que decidiram minha existência no deserto concorrido dos poetas, onde a escravidão mata a racionalidade enquanto o azul permanece celeste e os pássaros planam com a tranquilidade de um homem que se debate entre o amor e a embriaguez.
E assim continuo atravessando portas abertas no oceano invisível, carregando estrelas em frascos de perfume, protegendo palavras feridas, enquanto um pássaro que nunca nasceu aprende lentamente a respirar dentro da água que lembra meu nome antes do tempo existir.
Ela chegou de mansinho,
com um olhar encantador,
um sorriso leve
e um jeito quase angelical.
Sem perceber, entrei em um mundo proibido,
onde o brilho do seu sorriso me prendeu.
Hoje, dependo do seu “bom dia”
para que tudo tenha cor.
Ela tem jeito de menina
em corpo de mulher.
É intensa, verdadeira,
fala o que pensa…
e ainda assim encanta.
Ela é única.
É loucura, desejo, ternura.
É sol e, ao mesmo tempo, chuva.
Ela é completa —
até seus defeitos são lindos.
Ela é difícil, sistemática,
sabe brigar, sabe se impor…
E, mesmo sendo tudo e nada ao mesmo tempo,
foi nela que eu me perdi… e nunca mais quis me encontrar.
Canta de um estudante de Direito
"Prezada, vossa excelência que me tirou o juízo,
peço-te a máxima atenção para esta humilde petição inicial.
A saber:
quando poderemos arrolar nosso processo?
Requeiro vista da minha confessa ignorância
para saber se devo ipetrar a ti um
abscorpos ou absdata,
que nos assegure o acórdão de tal data,
sem litígios, sem recursos
e, se possível, com sentença favorável
ao coração." (CH²)
A vida nem sempre é um caminho de flores. Muitas vezes, o vento sopra forte e as dificuldades aparecem para testar a nossa paciência e a nossa fé. Mas eu aprendi uma coisa importante: quem tem raízes fortes e confia em Deus, não cai.
Mesmo diante de todas as lutas, eu decidi que me manterei firme. Não é só por mim, mas por todos aqueles que estão ao meu redor. Ser esse porto seguro para a minha família, para a Carla e para os nossos amigos é o que me dá forças todos os
Cuidar de quem a gente ama é a missão mais bonita que existe. Seja nos momentos de alegria em nossos acampamentos, ou quando o dia está cinzento, eu estarei lá. Estarei firme como aquele viaduto de ferro que a gente tanto gosta, resistente ao tempo e sempre pronto para segurar o peso que vier.
A nossa vida em Itaipuaçu, cercada pela natureza e pelas bênçãos de Deus, é o que me renova. Olhar para as nossas flores, para o nosso cantinho e sentir a proteção dos anjos me faz ter a certeza de que nada vai nos separar e nada vai nos derrubar.
Seguimos juntos, com o pé no chão e o coração em Deus. Onde houver dificuldade, eu levarei cuidado. Onde houver cansaço, eu serei o apoio.
DeBrunoParaCarla
Às vezes parece medo…um amor sem explicação, tão vasto quanto o universo, infinito no que faz sentir. São desejos profundos, silêncios que dizem mais que palavras, e olhares que param no tempo…
como a lua perdida na imensidão do seu olhar. E mesmo sem entender, sem conseguir dar nome ao que é, eu só sei que existe e isso já é tudo.
DeBrunoParaCarla
Hoje, pintaria um lindo quadro sobre seu dia,
Talvez não tenha a devida capacidade,
Talvez não tenha a devida honraria,
Pois, pintar sua vida, Marcele,
Requer a atenção e maestria
Dos grandes olhares da poesia,
Sem se preocupar com a vida acelerada,
Usar a mesma concentração de Van Gogh,
Quando pintou a "Noite estrelada,"
De da Vinci, quando pintou" Monalisa",
De Velasquez, quando pintou as ""As meninas"".
Porque você, preciosa filha,
É minha obra de arte,
É assim que te vejo,
Exatamente como Klint,
Quanto pintou o "Beijo".
Eu construí meu castelo com as pedras que atiraram em mim,
fiz do silêncio meu elo,
para um novo e forte motim.
Não serei mais o mesmo que antes
eu juro que não serei,
sou agora as minhas variantes
Em tudo que me tornei.
Me reinventei, sim, me refiz
Com a luz que em mim encontrei,
Enfim, me achei, fui feliz,
E para sempre serei.
"Muitos buscam em Jesus um modelo de perfeição moral para validar sua própria conduta, mas Jesus não veio ao mundo para ser um troféu dos 'corretos'. Ele veio para ser o Servo dos caídos.
A verdadeira identidade de Jesus é revelada na Cruz — o lugar onde o Único Perfeito foi tratado como o maior dos pecadores, para que nós, os imperfeitos, pudéssemos ser tratados como filhos. Se tentamos ser 'o Cristo' para os outros através da nossa própria justiça, apenas os ofuscamos com nosso orgulho. Mas, quando servimos a partir da nossa fraqueza, nos tornamos o espelho que reflete a única Luz que realmente salva.
Não somos a fonte; somos apenas embaixadores de uma Graça que nos alcançou quando nada tínhamos a oferecer. Que as próximas gerações não vejam em nós pessoas 'sem defeitos', mas sim pessoas que foram profundamente amadas e transformadas pelo Único que é Santo."
Amor que Transcende
"Existe um amor que não cabe nas regras,
não entende de tempo nem de distância.
É alma que reconhece, coração que insiste,
desejo que não se apaga.
Mesmo no silêncio, ele fala.
Mesmo na ausência, ele arde.
É conexão que desafia a lógica
e insiste em ser eterno."
— Naldha Alves
Como quem protege um jardim.
Sou passo leve, atento ao detalhe escondido,
Guardo o mundo nos olhos, nada passa esquecido,
Cuido das palavras como quem protege um jardim,
E no silêncio dos gestos, revelo quem sou em mim.
Carrego a verdade como um peso sagrado,
Não sei vestir mentira, nem fingir outro lado,
Minha voz não negocia com atalhos ou ilusão,
É reta como estrada aberta no meu coração.
Prefiro o caminho difícil que me deixa em paz,
Mesmo quando o erro é fácil e o certo custa mais,
Escolho o que é justo, ainda que doa escolher,
Pois sei que é no caráter que aprendo a viver.
Mas perto dela eu perco o controle que construí,
Minha razão se desfaz no desejo que senti,
Não confio em mim mesmo quando estou ao seu redor,
Pois o querer me domina… e eu me torno algo maior.
Os meus lábios querem o seu.
Quero chegar perto, esse sou eu.
Meu corpo se expressa sem ter achado voz.
Querendo ficar tão perto que não tenha nem ar entre nós.
Tomara que dê !
Tomara que dê, estou certo que que vai dar ! Pois serei um capoerista, da Tribo de Judá.
Tomara que dê, estou que vai dar! Pois serei um capoerista, da Tribo de Judá.
Ser um capoeristra, eu sempre sonhei !!
Mas, na Tribo de Judá, meu sonho realizei.
Obrigado mestre, Tadeu é o seu nome ,
Que Deus abençoe, a vida desse grande homem.
Ser capoeirista é ter um sonho realizado, agradeço a Deus e aos nossos, atenpassados.
Até quando?
Até quando Deus,
Até quando Senhor,
Vou viver no mundo,
Com um povo sem amor.
Não tem compromisso,
Povo sem compaixão,
O coração pervertido,
Cheio de ilusão.
De Cristo não querem saber,
Amam o pecado e sentem
nele o prazer.
Agridem o Espírito Santo,
Falam um monte de besteira,
Por isso muitos perecem, com
a boca cheia de bicheira.
Às vezes, no meio do percurso sinuoso e agreste da vida, por entre selvas e desertos, chego a um oásis, a uma clareira, a um jardim, pacifico, agradável e perfumado... e dou comigo a pensar se é nesse momento que estou mais em paz, consciente, mais maduro, mais tranquilo... Ou se são apenas momentos de insanidade, breaks em que a alma relaxa o corpo e nos quais me é permitido pensar que agora está tudo bem, está tudo no caminho certo... Mas no fundo, nada disso é real, são breves momentos no olho do furacão da existência...
Na realidade, a vida, até chegarmos a um ponto de equilíbrio consciente baseado no desapego e despreocupação, é uma tempestade brutal. E estes oásis são meros momentos pacíficos de loucura que nos fazem acreditar que, afinal, a vida só é boa se formos suficientemente loucos para a desfrutar.
MANIFESTO HUMANISTA DE LIBERDADE
(um manifesto agnóstico sobre autonomia, responsabilidade e empatia)
O pior tipo de escravo é aquele que não consegue perceber as correntes que o aprisionam.
Vivemos num sistema que, por todos os lados, tenta nos domesticar: dizendo como devemos viver, o que devemos desejar, no que devemos acreditar. Impõem regras, dogmas e modelos prontos, moldando consciências para que tudo continue funcionando em favor de uma casta privilegiada que se mantém no topo da pirâmide às custas da nossa dor, do nosso medo e da nossa fragilidade emocional.
Foi ao compreender essa engrenagem que despertei. A partir desse momento, entendi que minha vida — e tudo o que faço ou deixo de fazer dela — é de minha inteira responsabilidade. Não delego mais a outros o direito de decidir por mim. Não preciso de pastores, padres ou de sistemas morais impostos de fora para me dizer qual caminho seguir, porque toda obediência cega é apenas mais uma forma de servidão.
Mas assumir a própria liberdade não significa viver isolado, nem fechar os olhos para o outro. Pelo contrário: é justamente quando deixo de agir por medo, culpa ou submissão que passo a responder conscientemente por meus atos. Compreendo então que cada ser humano que encontro é uma continuidade de mim mesmo — não porque sejamos iguais, mas porque compartilhamos a mesma condição de vulnerabilidade, dor e desejo de sentido.
A dor que bate à minha porta é a mesma que bate à porta do meu próximo. Somos partes de um todo, e esse todo não existe fora de nós. Por isso, viver em plenitude não é viver sem limites, mas viver sem mentiras: sem negar a própria liberdade e sem negar a humanidade do outro.
Dói na alma ver um brilho de um olhar te encontrar e ao mesmo tempo desaparecer.
Mas ao mesmo tempo a fortaleza do espírito nos prepara e nos molda a nos acostuma que nem sempre as escolhas mormentâneas são as melhores...
Sempre o sentimento foi algo que me desmantelou de alguma maneira, de uma forma tão profunda o apego as pessoas se tornam tão profundo!
Às vezes dá medo, sabe, pensar que em um piscar de olhos não temos o bem que tanto tivemos zelo a aqueles que se tornaram especiais em nossas vidas...
Amar uma pessoa não é como colar uma figurinha e depois tirar, isso está num íntimo onde é mistério, e muitas vezes nem o tempo consegue apagar!
Quando a gente vai reescrevendo as memórias, um furacão vem de dentro e nos fulmina; sim, o ser humano é frágil como se fosse um papel.
Que pode ser queimado e amassado, mas até onde o vento pode levar as cinzas de memórias que ficaram e marcaram?
Não, ninguém até hoje foi sábio o suficiente para saber como cê pode apagar uma memória, como poder apagar as mais amargas e as doce memórias, os simples momentos...
Isso ficou eternizado em nosso corações, e vira e mexe a gente está revirando e tendo que experimentar os resquícios que ficaram!
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