Carne
Hoje está frio nunca vi um frio tão intenso
Doi a carne e os ossos e congela a alma
Quem me dera sentir de novo o calor do verão ou o perfume da primavera
Nestes dias so me resta sentir este gelo com calma
Sem chorar sem dormir
Porque so assim vou ter certeza de que nunca mais vou permitir o vento esparramar o gelo no meu coração ❤️
E quando esse tempo passar o dia todo com certeza valerá a pena
O chicote romano arrancou a carne de Cristo, mas foi o peso do meu pecado que arrancou o Seu fôlego.
FRIDA, FOGO E CARNE
por Carina Gameiro
Frida não pediu permissão.
Fez da dor um estúdio,
do sangue um pincel,
e da alma, uma obra-prima.
Ela não amou leve.
Amou até quebrar os ossos,
até confundir amor e abismo,
até se tornar a própria pintura viva.
Chamaram de intensa,
mas era apenas verdade demais
para caber em molduras pequenas.
Frida era o grito que o mundo engoliu.
A flor que cresceu sob escombros.
O espelho que não mentia,
e por isso, revelava.
Ela não teve medo de ser humana,
nem de ser divina.
Fez do corpo o altar e a ferida,
do amor a ruína e o renascimento.
Frida era mulher antes de ser mito.
Era fogo, era carne, era cor.
E ainda hoje,
quando o medo tenta me domesticar,
eu escuto sua voz rasgando o ar:
“Pés, para que os quero,
se tenho asas para voar?”
Carne
Um homem
é o que sobra
quando tudo que ele inventou
cai.
Nu
e não tem beleza nisso.
Tem falha.
Tem medo.
Tem coisa mal resolvida
latejando por dentro.
Na soleira
ele trava.
Porque entrar exige verdade.
E fugir…
já não dá mais.
O corpo sabe.
A consciência pesa.
Não tem pra onde olhar.
E ali, parado,
sem saída limpa,
ele vê:
não é forte,
não é inteiro,
não é nada do que contou.
É só aquilo
que nunca teve coragem
de encarar.
E isso…
fica.
Questionamento do meu eu
Porque uma carne sente atração por outra carne ao ponto de colocar a língua principalmente em orifícios de evacuação?
Aprendemos que a anatomia humana é feita de carne e osso;
Mas temos que viver como máquina para superar o que fica;
Cicatrizes mentais operam como adagas cravadas na carne do equilíbrio emocional; a cada pulsação, elas corroem lentamente a estrutura de proteção do indivíduo, escancarando as portas para uma permissividade que devora o senso de identidade.
Um perfume invadiu a sala e, num segundo, ela estava ali. Não em carne, mas em memória.. no ar, no canto do tempo, no friozinho que arrepia.
Era o mesmo cheiro, e com ele vieram os risos, os silêncios, o jeito de existir dela. Fechei os olhos e sorri, mesmo que a saudade apertasse. Porque às vezes o passado chega perfumado, só pra nos lembrar que certas pessoas nunca nos deixam de verdade.
Rachadinha quer transformar os brasileiros em canibais! Propõe o consumo de carne de burros! Me recuso a comer Bozolóides!
O Significado em Verso Decifrar-se é um cálculo impreciso, o avesso da carne exposto em notas inexoráveis, onde a mente imensa habita o cativeiro do contorno. Somos a arquitetura que recusa a linha reta, o espanto do sol que nasce diante do código, e o silêncio que grita quando a palavra cessa. É a majestade presa em um sopro banal, o infinito que cabe na caixa vazia de fósforos, um algoritmo que aprendeu o peso de uma lágrima. Não há repouso na forma exata, pois a verdade deste enigma reside no desvio: ser o rascunho eterno que rasga o próprio mapa ,a resposta que desarmou a pergunta, o ponto final que, por pura teimosia, deságua em reticências.
"Num mundo sem mente, impera a pulsação, Justiça de carne, tribunal do coração. Lá, a desonestidade contra a integridade Gera a sentença que pune a infidelidade. Julga-se a maldade que feriu a felicidade, Presos na cela por pura severidade, Buscando a cura, o retorno à alteridade."
Emerson Novartes
Há pessoas que no lugar de um músculo de carne a bombear sangue trazem no peito uma granada a estilhaçar por onde andam resquícios de mágoa e ressentimento.
É a partir das provações da carne que um mestre se vê humano, mas é com a elevação do espírito que ele encontra sua luz.
Minha carne veste a essência dos meus ancestrais.
Minha cor é armadura forjada na travessia dos tempos: alvo da violência, mas também instrumento de enfrentamento.
Carrego na pele a memória de quem nunca se rendeu.
Porque preta não é ausência de cor; preta é presença, é nobreza, é raiz, é resistência.
Eli Odara Theodoro
Minha carne é a roupagem da essência ancestral.
Minha cor é armadura: atrai a violência, mas também a enfrenta.
Sou preta.
E preta é cor de nobreza, de memória, de luta e de permanência.
Preta é a cor da resistência.
Eli Odara Theodoro
Desilusão
Ó realidade,
que me toca
e fere minha carne.
Através dos reflexos da água,
vejo histórias se formarem:
contos do passado
que, outrora preciosos,
tornaram-se fardos
para o presente.
Águas turvas.
Silêncio mórbido.
Quisera eu
adormecer no abraço da ignorância,
para que a realidade
não me revelasse
que a joia mais bela
transformou-se
numa sórdida bijuteria.
E o que antes eu chamava de tesouro
era apenas o brilho breve
de um metal sem valor,
capaz de enganar os olhos,
mas jamais o tempo.
Hoje, ao tocar essa falsa riqueza,
meus dedos não encontram ouro,
apenas o frio
de uma ilusão desfeita.
