Carne

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Do que tens pouca carne e não saber-te comê-la?

Não adianta sentir calafrios se sua carne quer o prazer

A medicina da Palavra de Deus está acima da medicina dos homens: cura a carne, descansa a alma e limpa o espírito.

Morto estou, só na carne, porque no espírito
estou vivificado.

Urubu só pousa em terra para comer carne putrefata; demônio só encarna no corpo para comer a alma.

É cansativo demonstrar ser forte o tempo todo. Às vezes, estamos despedaçados, moídos como carne processada em açougue, mas precisamos mostrar que ainda estamos inteiros.

Ninguém se importa com a dor alheia, se coloca no lugar de quem está sofrendo. As pessoas dissimulam e até mesmo debocham da sua vida, do seu processo, da sua tristeza.

É por isso que muitos tentam de todas as formas esconder o seu sofrimento, as suas angústias, porque sabem que não possuem onde buscar ajuda.

Tudo é uma engenhosa mentira humana, sempre dissimulando oferecimento de apoio, preocupação com as causas alheias.

Mas a grande verdade é que, se não lutarmos por nós mesmos, jamais conseguiremos resistir ao mal de cada dia.

Portanto, me levanto a cada instante de onde insisto em me prostrar para ajudar a mim mesmo.

Me ofereço ajuda para vencer o mal de cada dia que tenta tragar a minha vida.

Porque eu compreendi que sempre haverá a necessária importância de ajudar meu eu.

⁠Há um silêncio que não cala — entre o sopro do mundo e a carne da dúvida, é lá que o ser se inventa.

25- crônica


O Arquiteto e os Robôs de Carne


O Primeiro Ciclo:

A Semeadura

Ele navegava pelo vazio quando encontrou o protótipo: um mundo rochoso, bruto e silencioso. Para o Arquiteto, aquela era a Terra dos Robôs, embora eles ainda não passassem de potencial adormecido na poeira. Com um gesto preciso, ele depositou os reagentes fundamentais. Injetou oxigênio e nitrogênio para criar o fôlego, e espalhou o carbono, a peça de encaixe universal para a vida. Ele sabia que, através da química, a evolução começaria o longo processo de montar os robôs biológicos que um dia seriam sua imagem e semelhança.
O Segundo Ciclo:

O Ajuste de Rota

Eras depois, o Arquiteto retornou. O planeta estava vibrante, mas o projeto corria perigo. Criaturas colossais e escamosas — os répteis — dominavam o cenário. Eles devoravam os ovos das aves e das pequenas linhagens que deveriam dar origem ao "robô humano". O sistema estava em desequilíbrio; a inteligência não teria espaço para florescer sob o peso daqueles gigantes.
Ele buscou em seu inventário algo simples, mas letal. Retirou uma esfera mineral, pequena como uma bola de gude nas mãos de um gigante cósmico, e a lançou contra uma península. O impacto foi o "reset" necessário. A poeira baixou, os répteis tombaram, e o caminho ficou livre para que os robôs primitivos iniciassem sua escalada tecnológica e neural.
O Terceiro Ciclo:

O Código da Empatia

Na terceira visita, os robôs já caminhavam eretos, mas seus sistemas estavam corrompidos por falhas de processamento: o medo, a guerra e religiões confusas. No dia 25 de dezembro, o Arquiteto manifestou-se como uma luz intensa, detectada pelos sensores ópticos de três observadores da época.
Para se comunicar, ele realizou o sacrifício máximo: retrocedeu sua própria evolução. Ele comprimiu sua consciência infinita em um hardware limitado de carne e osso, nascendo em Belém. Ele não veio como uma máquina de guerra, mas como um programador de almas. Trouxe um novo sistema operacional baseado no algoritmo do Amor.

O Estado Atual e o Futuro
Hoje, quase 8 bilhões desses robôs habitam o planeta. Metade deles ainda tenta rodar o código teológico que ele deixou, mas muitos sofrem com "bugs" de agressividade e egoísmo. As guerras ainda são curtos-circuitos em nossa rede global.
No entanto, o Arquiteto observa de longe. Ele sabe que a evolução biológica terminou e a evolução espiritual começou. Ele previu que, um dia, o hardware de carbono se tornará tão sutil e refinado que a injustiça será logicamente impossível. Nesse dia, os robôs da Terra finalmente deixarão de ser primitivos para se tornarem, enfim, seres de luz.

Satanás ensina uma cartilha útil que ressalva o estilo de vida à base da carne.

Todo dinheiro oferecido às práticas dos prazeres da carne, da luxúria e das mentiras, aumentam os juros da vergonha, do abandono e do sofrimento, mas não cobre o seguro da morte espiritual.

Aprendemos que a anatomia humana é feita de carne e osso;
Mas temos que viver como máquina para superar o que fica;

Quem se justifica na carne, fracassa; fracassa no testemunho, nas realizações e na vida espiritual.

A inclinação da carne me leva ao pecado.
Mas a inclinação do meu espirito me leva aos pés da Cruz! Ali encontro graça!

" A carne é fraca, mas o pecado não é vitamina."

O cristão que vive segundo a carne torna-se presa fácil do diabo.

Que dádiva nos foi concedida:
A de esculpir, na própria carne, o nosso templo espiritual.
A vida é um lugar onde encontramos os instrumentos necessários para a construção dessa obra divina.
Os vários eu, nas minhas idas e vindas pela existência,
preparando-me para que um dia eu possa me tornar um
com Aquele que é único em todos nós.

Somos apenas fantasmas de carne e ossos. ⁠

O mundo ta pesado demais, a solidão esta entranhada na minha carne, no meu mau disfarce, no meu sorriso que não liga pro mundo.
A correnteza ta forte demais e ta levando o meu sono, minha esperança, a fonte da minha juventude, minhas mãos não estão mais conseguindo agarrar as pedras e to me afogando entre elas.
O vento ta soprando pra longe e me afastando do que eu amo, dos que eu amo, esta dissipando meus sonhos e fazendo tornado com as certezas que achei que tinha, mas no ar agora, vejo que não me pertenciam.
A terra não ta dando o fruto proibido, não ta florindo os meus olhos, não ta germinando a ideia de prazer, não ta tornando fértil minha imaginação, nem nutrindo o meu caule para que eu sustente todo o resto.
O fogo ja queimou minha força de vontade, ja transformou em cinza tanta coisa que eu acreditava ser concreta e tanto toque que me esquentava, que eu jurava ser brasa, era só faísca.

O Teatro do Inseto

Lágrimas são apenas o óleo que lubrifica esta engrenagem de carne.
O coração não bate;
ele se estilhaça como porcelana barata sob o pé de um gigante.

Hoje é o baile de máscaras.
Costuro um sorriso no rosto com linha de náilon, uma cirurgia amadora de alegria plastificada.
Sou o figurante de mim mesmo, um palhaço de gesso num palco que range.
À noite,
o teto baixa três centímetros.

As correntes não são de ferro, são de arame farpado invisível, enrolando-se nas vértebras, transformando o lençol em chumbo.
Levantar-se não é um movimento; é uma revolta.
É a metamorfose reversa: acordar homem e sentir-se bicho, esmagado pela bota de um Deus burocrata.

Quem habita este invólucro no centro do turbilhão?
Sou o estalo da mania ou o silêncio do abismo?
A moeda gira, mas o rosto é o mesmo:
Um lado é o chicote, o outro é a ferida.
A vida é um processo lento, um tribunal sem juiz.
E a morte... a morte é apenas a porta que não exige convite,
o único documento que não precisa de carimbo.

Resistir ao impulso dói porque consome glicose, mas cada 'não' dito à carne é uma nova estrada neural pavimentada por Cristo.