Carne

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⁠O amor não é tudo

O amor não é tudo: nem carne nem
bebida, nem é sono, lar da gente,
nem a tábua lançada para quem
se afunda e volta e afunda novamente.
O amor não pode encher o pulmão forte,
pôr osso no lugar, tratar humores,
embora tantos dêem a mão à morte
(enquanto o digo) só por desamores.
Bem pode ser, na hora mais doída,
ou da minha franqueza arrependida,
buscando alívio à dor, seja capaz
de vender teu amor por minha paz
ou trocar-te a lembrança pelo pão.
Bem pode ser que o faça. Acho que não.

⁠Você se esconde em sentimentos tão superficiais quanto o vapor da própria carne.
E chora…
E sangra pelas idolatradas trivialidades e tão rápido quanto tempo de um suspiro, você cai.
Entrega-se ao medo e se esvazia em uma velocidade mordaz, porém o vazio não nasce da dor. Ele faz parte dos seus pilares primordiais. Se o vazio te incomoda é porque você é raso demais!

Os Disfarces Que Me vestem


Carrego no rosto mais do que carne, mais do que expressão: carrego um fenômeno. Aquilo que se vê não me encerra. O que aparece não sou eu — sou o que sustenta o aparecer. O rosto é palco, sim, mas não de encenação: é o lugar onde o ser tenta se afirmar contra o nada. E o sorriso — ah, o sorriso — não é máscara, é tradução imperfeita de algo que não cabe em palavra. Ele não pretende enganar, apenas sobreviver ao indizível.


Não há essência em mim — só processo. Não sou uma, sou intervalo. Um entre: entre o que fui, o que sou, e o que ainda não fui capaz de ser. Vivo no desequilíbrio, na oscilação contínua entre o desejo de permanência e a força da mudança. E as camadas que me vestem — aquilo que o mundo chama de disfarce — não escondem: sustentam. São defesa, mas também revelação. São o modo como meu ser suporta o insuportável: o peso de ter que ser, sem jamais poder ser por completo.


Habito o tempo com angústia. O que sou hoje já está se desfazendo. Não fui feita — estou me fazendo, constantemente, sob o risco de não conseguir. Ser é lançar-se, é escolher sem garantias. Não sou essência descoberta, sou projeto arriscado. E cada escolha é feita à beira do abismo. A finitude me cerca — e ainda assim, escolho. Sou liberdade que se debate contra as paredes da situação.


Fui moldada na facticidade — nas circunstâncias que não escolhi, mas que me exigem respostas. Minha forma não é dom, é ato. Contingência tornada existência. Não reivindico beleza porque a beleza é estética sem responsabilidade. O que reivindico é coerência: mesmo no absurdo, mesmo quando tudo parece ruir, ainda posso decidir não me dissolver.


Rir, para mim, não é leveza — é lucidez. É saber do abismo e, ainda assim, não recuar. É o som de quem se recusa a ceder ao desespero. E se brilho, é apenas reflexo da luta: uma luz nascida da tensão entre o que sou e o que o mundo exige que eu negue em mim.


Sou presença fraturada, sempre em tensão. Liberdade sitiada. Pergunta aberta diante do outro, do mundo, do tempo. Sou ser-para — para o outro, para o mundo, para a morte. E se ainda permaneço, é porque intuo, mesmo sem certezas: a existência vem antes de qualquer definição.

Os Disfarces Que Me vestem




Carrego no rosto mais do que carne, mais do que expressão: carrego um fenômeno. Aquilo que se vê não me encerra. O que aparece não sou eu — sou o que sustenta o aparecer. O rosto é palco, sim, mas não de encenação: é o lugar onde o ser tenta se afirmar contra o nada. E o sorriso — ah, o sorriso — não é máscara, é tradução imperfeita de algo que não cabe em palavra. Ele não pretende enganar, apenas sobreviver ao indizível.


Não há essência em mim — só processo. Não sou uma, sou intervalo. Um entre: entre o que fui, o que sou, e o que ainda não fui capaz de ser. Vivo no desequilíbrio, na oscilação contínua entre o desejo de permanência e a força da mudança. E as camadas que me vestem — aquilo que o mundo chama de disfarce — não escondem: sustentam. São defesa, mas também revelação. São o modo como meu ser suporta o insuportável: o peso de ter que ser, sem jamais poder ser por completo.


Habito o tempo com angústia. O que sou hoje já está se desfazendo. Não fui feita — estou me fazendo, constantemente, sob o risco de não conseguir. Ser é lançar-se, é escolher sem garantias. Não sou essência descoberta, sou projeto arriscado. E cada escolha é feita à beira do abismo. A finitude me cerca — e ainda assim, escolho. Sou liberdade que se debate contra as paredes da situação.


Fui moldada na facticidade — nas circunstâncias que não escolhi, mas que me exigem respostas. Minha forma não é dom, é ato. Contingência tornada existência. Não reivindico beleza porque a beleza é estética sem responsabilidade. O que reivindico é coerência: mesmo no absurdo, mesmo quando tudo parece ruir, ainda posso decidir não me dissolver.


Rir, para mim, não é leveza — é lucidez. É saber do abismo e, ainda assim, não recuar. É o som de quem se recusa a ceder ao desespero. E se brilho, é apenas reflexo da luta: uma luz nascida da tensão entre o que sou e o que o mundo exige que eu negue em mim.


Sou presença fraturada, sempre em tensão. Liberdade sitiada. Pergunta aberta diante do outro, do mundo, do tempo. Sou ser-para — para o outro, para o mundo, para a morte. E se ainda permaneço, é porque intuo, mesmo sem certezas: a existência vem antes de qualquer definição.

Uma brasa queima meu pescoço.
Acho que deve ser minha inocência.
Carne trémula.
Olhos e olhares.
Imaculados desejos.

Nenhum poema se faz de matéria abstrata.
É a carne, e seus suplícios, ternuras,
alegrias...
num reino
mais duro do que rocha da esperança
mais duro do que a nossa frágil carne,
nossa atônita alma...
Não há poema isento.
Há é o homem.
Há é o homem e o poema.
Fundidos.

A nossa carne não tem que entender a vontade do nosso espirito, ela simplesmente tem que se prostrar de joelhos quando temos sede de Deus.

"O vegetariano e o vegano, não são melhores do que as pessoas que comem carne.
Não é uma competição... é uma filosofia de vida pela vida.
É aceitar uma nova forma de alimentação e de consumo consciente, tentando evitar ao maximo o sofrimento de todos os animais.
Sei que minha decisão não mudará os fatos do mundo...
Mesmo assim continuo nessa caminhada, em passos hoje muito mais leves,com novos e belos horizontes...
com o meu coração e minha consciência em paz."

Com a carne não se negocia: ou vc mata ou morre.
O inimigo que você poupar, vai ser o mesmo que vai te destruir.

A verdade é que se todo ser humano que come carne tivesse que matar o animal, limpar e cortar, a maioria deles deixaria de comer. Se você não mataria um animal com as próprias mãos, não pague para que outro ser humano o faça...

Permanecer é duro, mais vale desistir do que permanecer, a carne é fraca, mas a mente nos torna mais forte para permanecer...

A vida é uma máquina de moer gente, só não entendo quem traz carne nova para ser moída de tão bom grado.

Quem ama a carne,
não ama.
O verdadeiro amor é um sentimento muito mais sublime,é espiritual.

Só vai beber da minha água quem me ajudou a cavar o poço!
Só vai comer a carne na minha mesa quem comigo roeu o osso.

Envelhecer é caro.
É um corpo que cobra pedágios a cada passo,
um tempo que arranca juros da carne e da memória.

É dolorido.
A pele se rasga em silêncios,
os ossos gritam,
a mente tropeça nos próprios vazios.

É triste.
Nada de auréolas douradas,
nenhum encanto escondido.
Tentam pintar flores sobre a ferrugem,
inventar poesia no apodrecer,
mas a verdade é dura:
a velhice é o desastre que ninguém quer nomear.

E o humano, com sua mania de suavizar tormentas,
cria palavras doces para açucarar o fel.
Mas no fundo, todos sabem:
o peso dos anos não tem romance,
tem custo, dor e solidão.

"Não somos carne. Somos a consciência — a manifestação do invisível querendo forma."

No futuro, o mundo será dominado por máquinas, mas não de metal ou circuitos, e sim de carne e osso: humanos que, seduzidos pela facilidade da tecnologia, se tornam mecânicos, perdendo sua humanidade, o amor e o afeto pela vida

Eu sacrificaria pedaços da minha carne, mas mesmo assim seria considerada egoísta por querer manter meus ossos.

És um sonho que se transformou em carne

Muitas vezes se deve ser Deus em carne e osso e ajudar alguém.