José Echegaray

Cerca de 19707 frases e pensamentos para a busca por José Echegaray;

⁠O GIRO DA RODA
Rodei a roda que roda,
No caminho da roda que roda.
Vesti a roupa da moda,
Na estação que me alegra e me molda.
Como o trem que chegou à estação,
Veio à chuva entoando a canção.
Como a moda que marcou geração,
Veio à praia no calor do verão.
A roda que roda é paixão,
Como a trava do medo é razão.
A minissaia de uma gaveta qualquer,
Traz com o verão, mais beleza à mulher.
Dança redondo quem ensaiou no quadrado,
Versou destreza no ritmo improvisado.
É do samba, do tango e do fado,
A dança leve e o vestidinho rodado.
Élcio José Martins

Inserida por elciojosemartins

⁠CARTAS DE AMOR
“Escrevo-lhe essas mal traçadas linhas pra dizer que te amo!...”.
Nas cartas de amor muitas lágrimas já caíram,
Num papel em branco, escrito à mão.
São dessas cartas de amor,
Que a paixão virou canção.
Muitas cartas na sua origem foram rasgadas,
Outras cartas, nem sequer, foram enviadas.
Algumas viraram bolinhas de papel,
Graças ao amor, a maioria cumpriu o seu papel.
Muitos amores se consumaram,
Outros, certo dia terminaram.
Tem aquelas cartas que nem chegaram, pelos caminhos desviaram,
Mas tem aquelas, onde dois corações se encontraram e apaixonaram.
Havia muito sofrimento à espera da carta chegar,
Uma dor latente, estranha, e uma vergonha em lamentar.
Um canto triste soava até o coração se acalmar,
Um sentimento d’alma, daquele que deixou-se amar!
Quem uma carta escreveu, o amor viveu,
Algo muito bom aconteceu. O sentimento fluiu e criou asas.
De um simples gesto, veio o abraço, veio o beijo, e o amor aconteceu.
Com a mão a escrever o que o coração tinha a dizer, tinta preta ou azul, o papel foi todo seu.
Élcio José Martins

Inserida por elciojosemartins

⁠É certo que o que os olhos não veem o coração não sente. Mas, o que os ouvidos escutam, a mente cria uma visão que o coração pode sentir. É preciso ser forte para lidar os boatos!

Inserida por Cabinda

⁠Demonstre amor enquanto as pessoas possam perceber, pois nunca sabemos o momento da separação

Inserida por silva_bj

⁠Viva cada instante da sua vida, pois nunca se sabe quando vai partir. 
A fila tá andando, porém não sabemos quem é o próximo. Nesse processo seletivo a inscrição é automática, e melhor, todos estão  aprovados, então sossega o seu coração, não precisa furar a fila até porque não tem fila, a ordem de chamada é Deus quem controla, quando chegar a sua vez, Deus te chama.

Inserida por silva_bj

⁠Somos o que somos

A quanto tempo deixamos de aprender...
Que somente o desenrolar nos ensina...
Mas agora chegou a hora de compreender...
O que emana desta Orbe Celestina....
É o nosso momento de ver o velho Pergaminho...
É sua a escolha de qual caminho...
O irresponsável o levará à dor....
Mas pelo outro, somente ao amor.....
Somos nós que escolhemos....
Escolhemos porquê amamos...
Amamos por que humanos somos...
Somos por resultado de Divinos cromossomos...

By José Schmitsler Filho
#jsf

Inserida por jose_schmitsler_filho

⁠Mas Mestre, por que não podemos ter gurus que abram as nossas mentes ?
Meu caro jovem, todos os gurus são seus contemporâneos, portanto, passageiros; se quer exemplos de verdade não tenha gurus, tenha Avatares, pois estes não são contemporâneos e nem passageiros, os seus ensinamentos remontam a milênios e o maior de seus ensinamentos e que devemos traçar nosso próprio caminho, pois se seguíssimos outro já traçado, iríamos apenas onde outro já teria ido...

Inserida por jose_schmitsler_filho

⁠O amor é um dia sentimentos mais puros dados por Deus. Expressados na morte de Jesus na cruz no calvário. Por essa razão quem não ama seu irmão nunca conheceu a Deus e nunca conhecerá. Porquê Deus é amor e quem não consegue amar quem ver como amara a Deus que nunca vil. Lembre-se Deus é a maior expressão de amor que existe, no entanto amou o mundo de tal maneira, que deu o seu única filho para morrer para nos libertar da servidão do pecado.

Inserida por bispojosenildolima

⁠Isolar imagens de cenas filmadas com ações comprometedoras é o mesmo que descontextualizar palavras de um texto com intenção de tirar vantagens de situações constrangedoras.

Inserida por ze_vilela

⁠KNOCK, KNOCK, KNOCKING
.
.
Um dia, bati à porta do Castelo:
– Lamento, mas fui eu !!
Fui eu que venci o Dragão
Que atravessei abismos
Que enfrentei estrelas
Que derrubei destinos...
.
Mas a princesa esperava olhos verdes
Cabelos claros e músculos azuis
Cuidadosamente retorcidos na Academia
.
Esperava, ademais,
(pois isso confessou a uma das alcoviteiras)
um príncipe habilidoso
que a contorcesse na cama
.
[ – Mas porque não eu,
se também tenho meus truques?
Posso não ter dormido com princesas,
Mas levei camponesas às nuvens]
.
Tudo isso lhe disse, marejado
Enquanto lhe oferecia em brinde
– um cálice de Santo Graal
.
Por fim, mostrei-lhe um colar de pérolas
feito com olhos arrancados a doze dragões
[queria ofertá-los a ti]
.
.
Tudo em vão ...
.
.
A Princesa dormia
e sonhava príncipes ...
.
.
[publicado em Entrelinhas, vol.13, n.2, 2021]

Inserida por joseassun

⁠[DEFINIÇÃO DE HISTÓRIA]


A História, já dizia Marc Bloch, é a “ciência dos homens no tempo”. Com esta simples frase, aparentemente tão singela, o célebre historiador francês conseguiu destacar algumas das principais questões que instigam todos aqueles que são fascinados pela história e amam a Historiografia. De um lado, a definição proposta postula que a História é uma ciência. Esta posição, tem sido a predominante a partir do século XIX, quando a História passa a ser vista pelos seus praticantes mais especializados como um saber de tipo científico, ou pelo menos um saber cientificamente conduzido. Existem até hoje, é claro, debates que questionam se a História é ainda um gênero literário específico e uma arte ou meio artístico de expressão – o que não impede que ela também continue a ser uma ciência mesmo quando incorpora estes atributos – e há mesmo os polemistas que procuram por em suspensão a cientificidade da História, sugerindo que ela não produz o tipo de “conhecimento verdadeiro” que se espera habitualmente de uma ciência típica [...] Não obstante, de modo geral a sociedade tem reconhecido os seus historiadores como praticantes de um saber que precisa ser aprendido seriamente, com suas normas e procedimentos, com suas teorias e métodos próprios de investigação e análise. Da mesma forma, todas as universidades, nos dias de hoje, localizam efetivamente a História entre os saberes científicos. 

  [...] A definição proposta por Marc Bloch também chama atenção para outras duas coisas importantes. É uma ciência “dos homens” (ou melhor, dos seres humanos), “no tempo”. Dizer que a história é uma “ciência dos seres humanos” – isto é, uma ciência humana – é reconhecer que o “humano” a envolve em três diferentes dimensões: a história fala de seres humanos, é escrita por seres humanos, e dirige-se aos seres humanos que serão os seus leitores ou ouvintes. Estes seres humanos também estão todos no “tempo”: os historiadores escrevem sobre homens e mulheres, e sobre sociedades, que viveram em tempos diversos; enquanto isso, eles mesmos – historiadores – estão ligados a um tempo que é a sua própria época, assim como os seus leitores. A História, enfim, é “humana” e “temporal” – e isto tanto no que concerne ao seu objeto de estudo, ao sujeito que produz este tipo de conhecimento (o historiador), e aos sujeitos que irão usufruir das realizações daí decorrentes como leitores ou espectadores.

Neste ponto, a definição proposta por Marc Bloch continua sendo bastante atual. Ela também chama atenção para outras duas coisas importantes. É uma ciência “dos homens” (ou melhor, dos seres humanos), “no tempo”. Dizer que a história é uma “ciência dos seres humanos” – isto é, uma ciência humana – é reconhecer que o “humano” a envolve em três diferentes dimensões: a história fala de seres humanos, é escrita por seres humanos, e dirige-se aos seres humanos que serão os seus leitores ou ouvintes. Estes seres humanos também estão todos no “tempo”: os historiadores escrevem sobre homens e mulheres, e sobre sociedades, que viveram em tempos diversos; enquanto isso, eles mesmos – historiadores – estão ligados a um tempo que é a sua própria época, assim como os seus leitores. A História, enfim, é “humana” e “temporal” – e isto tanto no que concerne ao seu objeto de estudo, ao sujeito que produz este tipo de conhecimento (o historiador), e aos sujeitos que irão usufruir das realizações daí decorrentes como leitores ou espectadores [...]


[trecho extraído de BARROS, José D'Assunção (org.). A Historiografia como Fontes Histórica. Petrópolis: Editora Vozes, 2022, p.7-9]

Inserida por joseassun

⁠[A HISTÓRIA DE HOJE SOBRE UMA OUTRA ÉPOCA, É UMA REALIZAÇÃO DA NOSSA PRÓPRIA ÉPOCA, E TRAZ AS MARCAS DE NOSSA ÉPOCA]


Ainda que certamente úteis para compreender as épocas que estudaram, as obras produzidas pelos historiadores de todos os tempos não deixam, também, de falar enviezadamente sobre suas próprias épocas [...]  Ao escrevermos sobre Zumbi, e sobre a revolta e guerra de quilombolas contra um poderoso sistema escravista que os violentava, falamos também das nossas desigualdades atuais – muitas delas herdadas do período escravista – e das variadas formas de lutar contra estas desigualdades. Zumbi, Chico Rei, Xica da Silva, ou outros personagens históricos negros – além do que tenham sido efetivamente na história que ficou para trás no tempo – representam também distintos modos de ação ou programas de luta contra desigualdades que precisaram e precisam ainda ser enfrentadas, nas diferentes ressignificações que os historiadores lhes dão. A História é este fascinante gênero literário e científico no qual os diferentes tempos se entrelaçam através de discursos e esquecimentos. Ao falar ou silenciar sobre os índios que habitam ou habitaram nosso continente em diversas épocas, ou ao mostrar interesse em ler um livro de História que fale sobre estes, os homens e mulheres que habitam as nossas cidades falam também de suas relações com os índios da atualidade. Falam de sua admiração pelos índios, de seu estranhamento, culpa, solidariedade, preconceitos, sentimentos de identidade e alteridade. Falam dos projetos públicos de preservação das populações indígenas, ou das ameaças de extinção e aculturação que as espreitam em nossa própria época.


[trecho extraído de BARROS, José D'Assunção (org.). Petrópolis: Editora Vozes, 2022, p.10]

Inserida por joseassun

⁠[A HISTÓRIA ESTUDA A HISTÓRIA]


A História (ou Historiografia) é um dos poucos campos de saber cujo nome da própria disciplina coincide diretamente com aquilo que ela estuda. A História estuda a história. A Astronomia estuda os objetos celestes de todos os tipos, em suas múltiplas relações; a Biologia estuda a ampla diversidade de seres vivos e seus modos de existência; o Direito estuda tudo aquilo que diz respeito às leis e à organização dos sistemas jurídicos. Mas a História estuda a própria história. Ou seja: por um lado. História é o nome de uma disciplina ou campo de saber; e por outro lado a história é um objeto (ou mesmo um universo) a ser estudado: é o conjunto de processos, acontecimentos e sociedades que já existiram ou se manifestaram até hoje no tempo. Todos nós estamos literalmente mergulhados na história, pois ela vai se desenrolando no tempo através de um devir sem fim que nos arrasta junto às sociedades nas quais vivemos. Mas parte desta história – quando temos fontes e outros recursos para acessá-la de alguma maneira – pode ser estudada mais sistematicamente por uma ciência específica que também é chamada de História. Alternativamente – um pouco para evitar a confusão entre os dois diferentes significados impostos pela relação entre História e história – podemos chamar a História também de Historiografia (“escrita da História”).


[trecho extraído de BARROS, José D'Assunção. "História e Historiografia: todas as relações possíveis" In A Historiografia como Fonte Histórica. Petrópolis: Editora Vozes, 2022, p.16].

Inserida por joseassun

⁠[A COMUNIDADE HISTORIOGRÁFICA E SUA INFLUÊNCIA SOBRE OS HISTORIADORES]


Como em todo campo de saber – da Física à Biologia ou à Antropologia – os praticantes deste campo que é a História também precisam de seus pares, não se achando deles descolados, ainda que conservando a sua evidente autonomia. Esta comunidade invisível e indefinida, mas bem real, pressiona cada historiador de muitas formas, impedindo que ele se afaste significativamente da matriz disciplinar da História sob pena de que seu trabalho perca a legitimidade entre os praticantes reconhecidos da área. A comunidade historiográfica – formada por todos os historiadores atuantes no campo – pressiona cada um dos seus pares conforme o seu lugar na rede humana configurada pela totalidade de historiadores. Estes enfrentam os limites que o campo lhes oferece em cada época: podem desafiá-lo, inovar, introduzir desenvolvimentos inesperados, propor novos temas, mas sempre enfrentando pressões para que não se afastem muito daquilo que se espera de um historiador em cada momento da história da historiografia. Obviamente que, se não tivessem coragem ou vontade para desafiar em alguma medida o campo, ainda que respeitando os limites implícitos, os historiadores sempre escreveriam as mesmas coisas e do mesmo jeito, e a historiografia como um todo se modificaria muito pouco. Mas não é isto o que ocorre, como sabemos, pois existe uma relação dialética entre cada historiador e a comunidade historiográfica como um todo. Se a comunidade historiográfica pressiona cada historiador a observar os seus limites , níveis de reconhecimento e interditos, também cada historiador que faz parte do campo – e todos eles em combinações diversas – são capazes de exercer pequenas ou grandes pressões na comunidade historiográfica como um todo e com vistas às mudanças que vão ocorrendo na historiografia de cada época.


[BARROS, José D'Assunção. "História e Historiografia – todas as interações possíveis" In A Historiografia como fonte histórica. Petrópolis: Editora Vozes, 2022, p.29].

Inserida por joseassun

⁠Não devemos subestimar nem superestimar as pessoas, por vezes podemos estar minando o terreno próspero de alguém, por outras podemos estar minando pó em chão infértil. Cada um, a sua maneira, a seu tempo aprende a verdadeira MATEMÁTICA.

Inserida por jmarcelo001

⁠[A CRITICIDADE É A PÉROLA DA OPERAÇÃO HISTORIOGRÁFICA, E A PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DOS HISTORIADORES PARA A SOCIEDADE]


O que mais fizeram os historiadores ao longo de dois séculos de aprimoramento de sua ciência histórica foi adquirir capacidades de analisar criticamente os textos. Quando um historiador examina uma notícia de jornal, ele não a toma meramente como fonte de informações, mas sim como discurso a ser analisado, compreendido, problematizado. Fazemos isso ao ler criticamente um jornal do século XIX ou da primeira metade do século XX: identificamos o seu polo editor, o conjunto dos seus anunciantes, as suas diferentes faixas de leitores, a polifonia de textos que estão abrigados em um exemplar de um jornal diário. Ao analisar um texto jornalístico, avaliamos o seu vocabulário, bem como a escolha, nada neutra, de palavras. Deciframos o conjunto de interesses que o movem, indagamos sobre as pressões que o confrontam, identificamos as distorções e manipulações, avaliamos as informações seletivas que são oferecidas pelo texto, e os silêncios que gritam nas suas entrelinhas.

Jamais examinamos um texto jornalístico apenas em si mesmo, como se ele dissesse tudo apenas com as palavras que nele estão abrigadas. Investigamos a sua intertextualidade, comparamos o texto em análise com outros, antecipamos os seus efeitos (que também foram antecipados pelos autores do texto jornalístico). Embora um jornal de determinada época possa trazer informações a um historiador, são principalmente os discursos que nele se entrelaçam que se tornam o principal objeto de análise. Abordar com capacidade crítica os discursos (e as informações que por estes são disponibilizadas, e como são disponibilizadas) é a base da metodologia de análise de fontes da qual precisam se valer os historiadores, e que tem sido a sua grande conquista metodológica ao longo de séculos. Tudo isso corresponde ao que poderíamos sintetizar em uma palavra-chave: ‘criticidade’.

A criticidade é o produto mais refinado da História enquanto campo de saber. Dos historiadores mais ingênuos que aceitavam acriticamente as descrições depreciativas elaboradas pelos antigos senadores romanos sobre os Imperadores, seus rivais políticos imediatos, aos primeiros historicistas que situaram estas descrições nos seus contextos políticos, sociais e circunstanciais, há um primeiro salto relevante. Das análises historiográficas ingênuas, que não decifravam os discursos laudatórios das antigas crônicas régias, aos métodos sofisticados de análises de discursos, temos um longo desenvolvimento que é talvez a principal conquista dos historiadores. De fato, dos primórdios da crítica documental aos dias de hoje, nos quais os historiadores diversificaram extraordinariamente as suas técnicas voltadas para a leitura e análise de textos, temos um potencial crítico-interpretativo que se desenvolveu extraordinariamente. Analisar os discursos presentes nas fontes, diga-se de passagem, requer a mesma capacidade crítica que deve ser conclamada para analisar os discursos contemporâneos. Por esta razão, quando alguém aprende a criticar fontes históricas de períodos anteriores, desenvolve concomitantemente a capacidade de criticar textos de sua própria época. Tenho a convicção de que a transferência social desta capacidade crítica é o bem mais precioso que os historiadores podem legar à sociedade que os acolhe, e que ampara a sua existência através das universidades que os abrigam e dos interesses de diversos tipos de público pelos livros de História.



[trecho extraído de BARROS, José D'Assunção. "História e Historiografia: todas as relações possíveis" In A Historiografia como Fonte Histórica. Petrópolis: Editora Vozes, 2022, p.74].

Inserida por joseassun

[⁠A HISTÓRIA É FREQUENTEMENTE PERSEGUIDA NAS DITADURAS E GOVERNOS DE EXCEÇÃO]


Costumam se fazer muito presentes, nos regimes de exceção e de opressão, os combates à História, seja na sua dimensão de pesquisa e de produção de análises historiográficas, seja na sua dimensão de Ensino e esclarecimento da população através da História Pública.  No Ensino, durante experiências ditatoriais, são conhecidas as experiências de diluição da História em uma disciplina amorfa, de modo a quebrar a matriz disciplinar de um saber que – além de milenar – apresenta em sua trajetória os resultados e conquistas de mais de dois séculos de historiografia científica e crítica. Tal expediente, como se sabe, ocorreu a certa altura do Regime Militar imposto à sociedade brasileira em 1964, quando a disciplina ‘História’ se viu diluída, no Ensino Básico, em um arremedo disciplinar intitulado ‘Estudos Sociais’. Nos tempos recentes, uma medida provisória excluiu a obrigatoriedade da disciplina no Ensino Médio . É sintomático que, nos momentos em que a democracia se vê abalada, e nos períodos mais brutais de ditaduras, explícitas ou não, a História seja combatida de tantas maneiras, inclusive na sua integridade como disciplina que deve fazer parte do currículo escolar.

Os historiadores, particularmente através de suas principais associações, são conclamados a resistirem. A responsabilidade social deve ser preconizada como um dos valores de resistência da nova Historiografia, no Brasil e no mundo. Através da ‘transferência de criticidade’ para os diversos setores da população – seja através do ensino escolar e superior, seja através da divulgação de obras que estimulem em seus leitores a capacidade crítica, ou seja, por fim, através da utilização adequada da própria mídia contra os interesses conservadores que costumam dominar o universo midiático – a História nestas décadas iniciais do novo milênio demanda combatividade, como já ocorreu em diversos outros momentos.



[trecho extraído de BARROS, José D'Assunção. "História e Historiografia: todas as relações possíveis" In A Historiografia como Fonte Histórica. Petrópolis: Editora Vozes, 2022, p.76].

Inserida por joseassun

⁠O ARQUEÓLOGO
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Foi quando vi, entre as pedras reviradas,
Um dedal de bronze.
De imediato, em meu ombro esquerdo,
Senti um toque suave.
Hesitantes e tímidos, mas afetuosos,
Os dedos oscilavam entre me chamar e acariciar.
Virei meu rosto, devagar,
Como quem não quer assustar
Um pássaro-criança.
E ali estava ela:
Linda e sorridente como uma camponesa
Que acaba de compreender seus ciclos.
Ela me tomou o dedal das mãos e correu
Feliz pela estrada que agora eu via,
A inaugurar o chão.
;
Tentando persegui-la, meus olhos deslizaram
E no lado esquerdo da trilha, vi uma ponta de sílex
Branca, polida, afiada
Feita de engenho, audácia e malícia.
Revirando a terra, ali estava a lança
E um som de guerra ecoava em meus ouvidos.
Cem mil shivas dançavam ao redor do fogo!
Um pequeno mundo estava por ruir:
Não ficou pedra polida sobre pedra lascada.
Duas bonecas sobrevivem – esquecidas ao rés do chão –
Junto às ruínas de um grande templo.
.
;
Mais eis que tudo se renova
Sem lugar sereno, sem aflição
.
O som, ritmado e envolvente, trouxe todos de uma vez:
Uma cidade se erguera, em torno da celebração!
Sacerdotes, virgens em transe, homens e mulheres
De todas as profissões.
A forja do ferreiro, a parteira de novas vidas,
O comerciante de idas e vindas – o vinho, o incenso, o pão!
O príncipe perante as classes,
Os pescadores e agricultores, a dama de amaranto
Exercendo a profissão...
.
Um jogo! Antepassado dos tabuleiros
Onde as pretas confrontam as brancas.
Eu vi os jogadores!
Olhavam-se friamente, com raiva e cálculo,
Aos passos e contrapassos, moviam os dedos, entre as peças
E um deles deixou um pedaço de unha
Preso na borda de um peão
.
Antes de saber o final da partida,
Os destinos de cada peça
Se dissiparam
Como a fumaça,
Que agora, preso à teia de sempre olhar,
Vejo sair da cabana, como uma aranha
.
.
Anoto tudo,
com paciência e assombro...

Inserida por joseassun

⁠UM HOMEM OLHANDO A SUA PRÓPRIA MORTE


Longe, o mundo se desfaz
Em cores, não há mais
A confusão repousa
O Universo era demais
.
Toda espécie de vida
Generalizou-se na morte
Toda diferença de outrora
A si mesma subtrai
.
Resta apena o nulo
Sem cor, talvez escuro
Resta apenas a dor
De não se ter mais dores
E a tênue liberdade
De não haver mais muro
.
Então é assim?
Diz a impiedosa pergunta
Que não mais se satisfaz
Então é assim...
Pulsa prá sempre a resposta
Que repousa no jamais



[publicado em  Terceira Margem, vol.25, nº45, 2001]



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Inserida por joseassun

⁠E o aprendiz em seu constante caminhar pergunta ao Mestre:
Por que temos que estar sempre preparados para mudanças?
Ao que o Mestre lhe responde:
Porque quando pensamos que sabemos todas as respostas, todas as perguntas são mudadas...

Inserida por jose_schmitsler_filho