José Echegaray

Cerca de 19707 frases e pensamentos para a busca por José Echegaray;

O HERÓI QUE CAIU DA TARDE
.
.
Morreu o herói,
Como morria a tarde.
Para ele, o silêncio estendeu seu manto
Sem o feroz fulgor das festas; sem fazer alarde
.
Ah, tu,
Que tantas lutas vingaste
Contra as tiranias que derrubaste.
Agora já não há glória; já não queimam fogos.
Somente o último calor suave: apenas o calar dos pássaros
.
Como é possível, a um herói,
Morrer sem fogos, sem a luz que arde?
Como é possível este pôr dos olhos, como um cair da tarde?
.
Os pássaros, à sombra, não respondem,
O riacho murmura e cala:
Morreu o Herói
Ao cair
da
Tarde

⁠

Inserida por joseassun

⁠A MÁSCARA (ou: Pequeno Enigma para ser lido de mil maneiras)
.
.
O Homem Velho sentou-se ao bar
onde costumava tomar um gole
Pediu daquela vez um suco
antinatural
ao invés da cerveja
quase habitual
.
Despiu o par de luvas brancas
revelando a mão inédita
Olhou, em torno, as caras sempre as mesmas
todas desfiguradas por uma triste alegria
Eternamente tão banal
.
E num gesto novo, já premeditado,
ele arrancou do rosto o que era máscara
desfazendo a falsa face do Homem Velho
na nova imagem, ainda nunca desvendada
.
E aquela gente, entre-surpresa e fascinada,
fitou o Homem Novo que então se revelava
mas logo dissolveu-se tudo em riso escárnio
e a multidão zombou do que se lhe mostrara
.
Não que a face nova fosse em si ridícula
ou contivesse traços engraçados
Simplesmente era destoante
ao olhar convencional e redundante
.
Ou nem isso, apenas dissonante
em seqüência imediata à velha face
à cuja imagem bem comportada
todos os olhos se acomodaram
.
Diante do riso o Homem Novo
Por um momento de fraqueza envergonhou-se
Mas logo percebeu que não eram faces que riam
mas outras máscaras ainda não tiradas
.
E removendo do seu ser os últimos resíduos
do Homem Velho que antes fora
abandonou na mesa a vergonha
que a sua face nua já não irradiava
..
Nunca mais retornou àquele bar
e os homens de máscara que ficaram
jamais souberam que algo mudara
senão por um Homem Velho que faltava



[publicado em Falas Breves, nº9, 2021]

Inserida por joseassun

⁠Façamos o nosso melhor, pois fazer o que é possível, qualquer um faz, fazer o seu melhor, o coloca perto do que é impossível de fazer, até que você o faça, neste instante, o impossível equipara-se ao seu melhor..

Inserida por jose_schmitsler_filho

⁠seria tão bom que fosse mos amados pelos filhos da mesma maneira que os amamos e que compreendessem que ao envelhecer mos não temos mais forças pra ir até eles, então que eles venham a nos é tudo que esperamos de um filho carinho e compreensão.

Inserida por jose_bento_amador

⁠O universo está em festa, pois uma parte dele esta fazendo aniversário, como resultado de uma Supernova e dotado de alma e espírito o ser humano é único , que este ser telúrico hoje 
chamado Arthur, mas que já teve outros nomes, seja o resultado de uma evolução espiritual a caminho do maior e do melhor, para atingir o todo e o tudo. Feliz Aniversário Sir Arthur, meu netinho e que a força esteja sempre com você.

Inserida por jose_schmitsler_filho

⁠[AS ESCRITAS DO TEXTO URBANO - a Cidade como texto]



⁠A aplicabilidade da metáfora da “escrita” à cidade pode incorporar, certamente, diversos sentidos. Existe por exemplo a escrita produzida pelo desenho das ruas, monumentos e habitações - em duas palavras: a escrita arquitetônica de uma cidade. Trata-se de uma escrita sincrônica, que nos fala daqueles que a habitam, e também de uma escrita diacrônica, que nos permite decifrar a “história” da cidade que é lida através dos seus ambientes e da sua materialidade. A cidade em permanente transformação, em muitos casos, vai dispondo e superpondo temporalidades, ao permitir que habitações mais antigas convivam com as mais modernas . Em outros casos, a cidade parece promover um desfile de sucessivas temporalidades, quando deslocamos nossa leitura através de bairros que vão passando de uma materialidade herdada de tempos antigos a uma materialidade mais moderna, nos bairros onde predominam as construções recentes.

É também importante notar que os próprios habitantes reelaboram a escrita de sua cidade permanentemente. Por vezes imperceptível na passagem de um dia a outro, este deslocamento da escrita urbana deixa-se registrar e entrever na longa duração. Os prédios que em uma época eram continentes da riqueza e símbolos do poder, podem passar nesta longa duração a continentes da pobreza e a símbolos da marginalidade. Os casarões do século XIX, que eram habitações de ricos, degeneram-se ou deterioram-se em cortiços, passando a abrigar dezenas de famílias mal acomodadas e a configurar espaço habitacionais marginalizados. Nesta passagem marcada pela deterioração do rico palacete em cortiço miserável, deprecia-se também a imagem externa do bairro e o seu valor imobiliário, de modo que o espaço que um dia configurou uma “área nobre” passa em tempos posteriores a configurar uma zona marginalizada do ponto de vista imobiliário.

Este ‘deslocamento social do espaço’ também acaba por se constituir em uma forma de escrita que pode ser decifrada. As motivações para este deslocamento podem ser lidas pelo historiador: a história da deterioração de um bairro pode revelar a mudança de um eixo econômico ou cultural, uma reorientação no tecido urbano que tornou periférico o que foi um dia central ou um ponto de passagem importante. Ou, ao contrário, pode ocorrer o inverso: um bairro antes periférico ou secundarizado no tecido funcional urbano torna-se, subitamente, valorizado pela construção de um centro cultural, pela instalação de uma fábrica, por uma mudança propícia no eixo viário, pela abertura de uma estação de metrô, ou por diversos fatos de redefinição urbana. .Enfim, de múltiplas maneiras o próprio espaço e a materialidade de uma cidade se convertem em narradores da sua história.



[trecho extraído de BARROS, José D'Assunção. Cidade e História. Petrópolis: Editora Vozes, 2007, p.42-43]

Inserida por joseassun

⁠[A CIDADE COMO TEXTO]


Entre as diversas metáforas operacionais que favorecem a compreensão da cidade a partir de novos ângulos, uma imagem que permitiu uma renovação radical nos estudos dos fenômenos urbanos foi a da “cidade como texto”. Esta imagem ergue-se sobre a contribuição dos estudos semióticos para a compreensão do fenômeno urbano, sobretudo a partir do século XX. Segundo esta perspectiva, a cidade pode ser também encarada como um ‘texto’, e o seu leitor privilegiado seria o habitante (ou o visitante) que se desloca através da cidade - seja nas suas atividades cotidianas para o caso do habitante já estabelecido, seja nas atividades excepcionais, para o caso dos turistas e também do habitante que se desloca para um espaço que lhe é pouco habitual no interior de sua própria cidade. Em seu deslocamento, e em sua assimilação da paisagem urbana através de um olhar específico, este citadino estaria permanentemente sintonizado com um gesto de decifrar a cidade, como um leitor que decifra um texto ou uma escrita.



[trecho extraído de BARROS, José D'Assunção. Cidade e História. Petrópolis: Editora Vozes, 2007, p.40].

Inserida por joseassun

⁠⁠[O CAMINHANTE E O TEXTO URBANO]


Ao caminhar pela cidade, cada pedestre apropria-se de um sistema topográfico (de maneira análoga ao modo como um locutor apropria-se da língua que irá utilizar), e ao mesmo tempo realiza este sistema topográfico em uma trajetória específica (como o falante que, ao enunciar a palavra, realiza sonoramente a língua). Por fim, ao caminhar em um universo urbano onde muitos outros caminham, o pedestre insere-se em uma rede de discursos - em um sistema polifônico de enunciados, partilhado por diversas vozes que interagem entre si (como se dá com os locutores que se colocam em uma rede de comunicações, tendo-se na mais simples ‘conversa’ um dos exemplos mais evidentes).

Enfim, se existe um sistema urbano - com a sua materialidade e com as suas formas, com as suas possibilidades e os seus interditos, com as suas avenidas e muros, com os seus espaços de comunicação e os seus recantos de segregação, com os seus códigos de trânsito - existem também os modos de usar este sistema. A metáfora linguística do universo urbano aqui se sofistica: existe a língua a ser decifrada (o texto ou o contexto urbano), mas existe também o modo como os falantes (os pedestres e habitantes urbanos) utilizam e atualizam esta língua, inclusive criando dentro deste mesmo sistema de língua as suas comunidades linguísticas particulares (dentro da cidade existem inúmeros guetos, inúmeros saberes, inúmeras maneiras de circular na cidade e de se apropriar dos vários objetos urbanos que são partilhadas por grupos distintos de indivíduos)


]trecho extraído de BARROS, José D'Assunção. Cidade e História. Petrópolis: Editora Vozes, 2007, p.43-44 ].

Inserida por joseassun

⁠O CEGO, E O OUTRO QUE VIA


Havia na estrada do mundo
um Cego, e um Outro
que via

O Cego tinha uma estrela
cujo brilho não sabia
A Noite não lhe era um mal
pois não via o que não devia

O Outro tinha três olhos
e pelo excesso sofria
pois via com o olho da sobra
tudo aquilo que não podia

Numa flor via seus átomos
e nessa profundidade desastrada
Toda beleza se perdia

No perfume sentia cheiros
(cada nota em separado)
pelo nariz lúcido e enfermo
que todo aroma dissolvia

E assim, pela estrada do mundo
Ia o Cego, e o Outro que via

O que via indagava a causa
e o Cego gozava o efeito
Sendo feliz porque não via

Contava-se nas estalagens
Por onde a estrada passava
Que Um era a sombra do Outro
E os Dois, partes de um mesmo ser
Cuja felicidade de ver
Somente estava onde não devia


[publicado em Recital, vol.3, nº1, 2021]

Inserida por joseassun

⁠Se você se acha ignorante, é um sinal de INTELIGÊNCIA. Porém se você se acha inteligente, é um sinal de IGNORÂNCIA. 

Inserida por JoseClaudemir

⁠CONTROLE EMOCIONAL significa não ser mais escravo das próprias emoções. 

Inserida por JoseClaudemir

⁠Somos responsáveis por aquilo que dizemos e não temos qualquer responsabilidade por algo dito por outrem, supostamente por palavras saídas da nossa boca.

Inserida por ze_vilela

⁠[HISTORIOGRAFIA - Definição]



A Historiografia – ou História – pode ser compreendida como o vasto universo de realizações produzidas até hoje por todos os historiadores e autores de História. Neste sentido, a Historiografia é a “História escrita”; de modo que não é à toa que a expressão indica literalmente isto (historio-grafia). Oportunamente, veremos ainda que – se o universo de realizações historiográficas inclui tudo o que já foi produzido em termos de livros de história, artigos ou conferências sobre os mais diversos temas históricos – há muito mais que isto envolvido na ideia de historiografia. Afinal, constituem igualmente realizações historiográficas os próprios sistemas conceituais desenvolvidos pelos historiadores, as metodologias por eles criadas ou empregadas, os diversos paradigmas teóricos que foram por eles construídos coletivamente, as hipóteses levantadas para abordar os diferentes objetos de estudo, e a própria ciência histórica tal como esta é compreendida hoje.

A transformação da História escrita em uma modalidade científica de saber, a partir do trânsito do século XVIII para o XIX, é de fato a maior realização historiográfica de todas. Neste sentido, pode-se dizer que a Historiografia  também termina por incluir dentro de si o próprio campo de saber mais específico que tem sido construído pelos historiadores desde os seus primeiros tempos e até o momento contemporâneo: um campo de saber ou disciplina que – ao mobilizar diferentes aportes teóricos e as mais variadas metodologias – estuda a própria história.


[trecho extraído de BARROS, José D'Assunção. "Historiografia e história: todas as relações possíveis" In: A Historiografia como Fonte Histórica. Petrópolis: Editora Vozes, p.15].

Inserida por joseassun

⁠⁠PINDORAMA CONTRA BRAZIL


Pindorama estava em guerra
Contra um país chamado Brazil
E uma gente vestida em verde
Veio convocar a juventude
Para lutar do lado errado

Aos que não foram, deram um paredão
Uma venda e um pelotão do outro lado
E uma coisa abstrata chamada morte
Mas que talvez não passasse de uma passagem
Para o Campo de Caça Feliz

Aos que foram, deram um fuzil
Prometeram uma medalha e disseram
– Vai, e me traz um índio!

Aquela guerra estava fadada a não terminar nunca
Porque também era a guerra contra os passarinhos
Contra as borboletas, e o que sobrou de ar puro

Para vencê-la, seria preciso matá-los todos
Ou convertê-los à cor cinza

Quanto a mim – este índio civilizado –
Ficarei para sempre no espaço
Intermediário que chamam de limbo

... A floresta, ali não entrarei
A cidade... jamais entrará em mim...



[publicado em Ponto de Vista, vol.10, nª1, 2021]

Inserida por joseassun

⁠POR QUE SOU LADRÃO
.
.
Por que sou ladrão?
Esta pergunta me fez
O fiscal da transgressão
.
Senhor, porque estudei...
Como porque estudaste?
Retruca-me o bom fiscal,
Pedindo explicação.
O que estudaste que justifica
Que tu sejas um ladrão?
.
Respondi-lhe, a contragosto:
Economia, História, Meteorologia,
Religião...
Apatetado, sem pouco crer,
Volta-me o fiscal
– Bom fiscal da transgressão:
.
Até a Religião?
Principalmente
A de todo o bom cristão...
Afinal, não esteve junto a Cristo
O bom ladrão?
.
A questão, meu bom fiscal,
Não é se tu és ladrão
Mas se és um bom ladrão
.
Deixemos então em paz
A ciência da religião
Em que a Economia te autoriza
A ser um bom ladrão?
.
Vá lá, meu bom fiscal...
Já ouviste falar
Que a propriedade é um roubo?
Quem o disse foi Proudhon
Mas quem sentiu pela vez primeira:
Foi operário, camponês, escravo
Ou qualquer trabalhador
Sob a clave da exploração.
E ainda acrescento o dito de Lenin,
Profeta da Revolução:
O que é o roubo de um banco
Diante da fundação?
.
Incorrigível Ladrão,
Deixemos a Economia...
Estudaste também a História?
Em que te ajuda, na questão?
.
Ah, meu caro fiscal
Estudei todos os temas
Das guerras ao comércio,
Da realeza à escravidão
Da livre empresa
À colonização.
Seria possível chegar
Partindo-se de um ponto da História
 A qualquer outra conclusão?
.
Para! Sinto que não há fim
Se adentrarmos esta ciência.
Também disseste algures,
em teu relatório confuso,
Que foi a Meteorologia
Que te ensinou a ser ladrão?
.
Senhor bom fiscal,
Estudei, como aprendiz,
As propriedades do ar
Cruciais para a respiração
.
Se fosse sólido
Não passava pelo pulmão
Se fosse líquido
Derramava-se no chão
Se tivesse cheiro
Rescendia a poluição
Se fosse visível (preto, talvez)
Virava tudo escuridão
O ar é desse jeito
Porque, segundo creio,
Assim o fez a Criação
.
O ar, no corpo,
Diz algo
Mas espalhado no mundo diz tudo
Fala-nos de tempestades
Explica-nos o tempo bom.
Concentrado ou diluído
Difunde-se enquanto gera
Sua própria distribuição
.
Sim, mas e daí com isso?
Disseste que as propriedades do ar
– Ou compreendê-las –
Fizeram de ti ladrão?
.
É que a certa altura, meu bom fiscal,
Eu flexionei a questão.
Pus-me a perguntar, a certo clarão,
E a certa altura do diapasão,
Não pelas propriedades do ar
Mas pela propriedade do mesmo
Dita no singular
.
Imagina um meliante
Este sim,
O verdadeiro ladrão
(Não como estes, que apenas roubaram
Um litro de leite,
A passagem de um trem,
Uma bala de açúcar,
ou um pedaço de pão)
.
Nosso meliante inventa uma máquina
Capaz de sugar todo ar
E depois o começa a vender
Todo o ar do planeta
A dois reais a ração
.
E a partir daí tem cada vivente
Ao comando de sua mão
Subjugado e indefeso
– Revertido à escravidão!
Diante da propriedade do ar
Não acharias justa e necessária
Uma boa rebelião?
.
E se esta ainda não vem
Não acharias mais justo
Que lhe invadissem a mansão
Para respirar da cruel máquina
O ar roubado pelo mau ladrão?
.
Agora, meu bom fiscal,
Troca o ar pela terra que pisamos,
Pelo tempo de nossas vidas,
Pela saúde arrancada
Ao camponês, de antemão
– Aquele que é explorado de sol a pique
Condenado à velhice, ainda jovem,
Se não morrer de insolação
.
Troca o ar pela própria vida
 Do soldado condenado à morte
(Sua e de seus irmãos)
Aquele soldado infeliz
Que ao contrário do General
Não espia a guerra do alto
De um posto de observação
Ali está ele, dormindo em pé,
Condenado a desarmar minas
Quando não é bucha de canhão
.
Ou, por fim, troca o ar
Pelo teu trabalho digno
Já que te fizeram aceitar
(Para não ficar do outro lado)
Ser um fiscal de transgressão
.
Para, chega!! Vai-te embora
Sinto que, se ficas mais um pouco,
Vais me roubar o coração!
A propósito, por curiosidade,
Qual foi mesmo o teu delito?
Dize-me com precisão.
.
E antes de sair,
Olharam-se o bom fiscal
E, claro,
Este que vos fala,
um simples bom ladrão:
.
Roubei
Um pedaço de chão


[publicado em Transgressões, vol.9, nº1]

Inserida por joseassun

⁠A REGRA DO ESTADO DE EXCEÇÃO
.
.
A Boa Classe Média só percebe as ditaduras
Quando lhe invadem as casas
Quando violentam as suas intimidades
Quando lhe pedem documentos com aquela cara
De “tu és ladrão”
.
A Boa Classe Média só percebe as ditaduras
Quando não lhe deixam sair mais com a sua cor predileta
Quando a fuzilam – primeiro com os olhos –
Por causa de suas opiniões
.
Também percebe a ditadura, a Boa Classe Média,
Quando lhe dirigem preconceitos de cor
Apesar dos seus ternos cuidadosamente engomados
Agora, suas mulheres ouvem piadas
E o assédio dos chefes foi liberado.
Seus filhos são preteridos,
quando tentam entrar para certas universidades,
pois estas são destinadas aos de maior patente
.
.
A Boa Classe Média só percebe as ditaduras
Quando arrombam a porta de suas casas
Quando mancham de fardas policiais o seu lar
Quando lhe despejam o arrogante arbítrio
Como um balde gelado de água
Quando lhe tiram o emprego sem aviso prévio
.
.
Já os pobres, estes mal percebem as ditaduras,
Pois já fazem todas essas coisas com eles
Durante todo o tempo



[publicado na revista Nós, vol.2, nº3, 2021].

Inserida por joseassun

⁠[CORPORATIVISMO NA HISTORIOGRAFIA]



Embora ocasionalmente um certo sentimento corporativo leve alguns dos historiadores de formação – ou seja, aqueles que se graduaram em História em uma universidade – a apenas considerarem como historiografia aquilo que foi produzido pelos historiadores profissionais e graduados, não vejo nenhum problema em que também consideremos como historiografia as obras produzidas por historiadores não-especializados. Há muitas maneiras de nos aproximarmos adequadamente, e de modo sério, de um determinado campo de saber, que não necessariamente através dos bancos escolares superiores. Dito isto, é claro que aqueles que pretendem escrever História sem terem se formado em História – se desejarem realmente escrever algo relevante e bem aceito na área – precisarão se aproximar seriamente do modus operandi dos historiadores, dos procedimentos bem aceitos no campo, das suas metodologias, dos seus modos de trabalhar conceitualmente evitando deslizes que são muito comuns entre aqueles que não estão efetivamente familiarizados com a ciência histórica.



[trecho extraído de BARROS, José D'Assunção. "Historiografia: todas as relações possíveis" In:  A Historiografia como Fonte Histórica. Petrópolis: Editora Vozes, 2022, p.17].

Inserida por joseassun

⁠A Pandemia
Em momentos passados de descontração, jamais imaginaria
Que iríamos viver uma grande pandemia
Nossas janelas se tornaram janelas de prisão
Lutamos com diversos momentos de solidão
A saudade de pessoas que gostamos
Sonhos e planos de viagem adiamos
Para muitos, sentamos e esperamos
Para outros nada mudou e continuamos
Mas em comum todos nós sonhamos
Muitos perderam pessoas queridas
Outras ganharam feridas
Emocionais que jamais serão esquecidas
Tudo se tornou tão diferente
Aonde passamos a dar mais valor
Até quem estava distante
Tratamos com mais carinho e amor
Tudo na vida vem como um aprendizado
Que nos tem que ser dado
Independente do resultado
Ele é vivenciado

Inserida por JoseAugustoSant

⁠Eu Sempre Estarei Aqui
Eu prometi sempre por você orar
Sempre por aqui estar
Sempre te cuidar
Se o dia que eu chegar a faltar
Peço a Deus que lá de cima eu possa te olhar
Que Ele me faça as asas criar
Para que aonde eu esteja poder te abençoar
E se até for precisar
Eu possa voar para te ajudar
E sempre poder te abençoar
Já que jurei a Deus eu sempre te amar
E não importa o que acontecer eu nunca vou te abandonar
Eu sempre vou estar aqui se precisar

Inserida por JoseAugustoSant

⁠Em Forma de Poesia
Deixo em forma de poesia
Para lembrar-me da época de alegria
Aquele passado
Que em palavras deixo registrado
Jamais acreditaria que nesse fim isso levaria
Que de mim você desistiria
No fim me abandonaria
E nunca mais te veria
Já que o tempo passou
E tudo aquilo de bom acabou
Tudo mudou
As vezes questiono se você se importou
Mas em meus pensamentos
Poesias e sentimentos
Tudo ainda é vivo nas minhas palavras
Tão puras e imaculadas
Te amei de forma tão intensa e bela
Que jamais quis deixar isso tudo morrer
Então comecei a escrever
Para esse amor continuasse a viver
Sei que hoje tudo e passado
E nosso caminho no destino já foi dado
Te perdoo por ter me maltratado
E seu bem te desejo de bom grado

Inserida por JoseAugustoSant