Andre guide
BRINCADEIRAS DA VIDA
A vida embala
A bala embala a vida
A vida embala a bala
Bala perdida
A vida esquece
Aquece e esquece a vida
A vida esquece e aquece
Aquece bebida
A vida castiga
Formiga castiga a vida
A vida castiga a formiga
Formiga caída
A vida abriga
A briga abriga a vida
A vida abriga a briga
A briga vivida
SONHOS PERDIDOS
Labuta
Grande labuta
Perigosa labuta
Prazerosa labuta
Luta
Grande luta
Perigosa luta
Prazerosa luta
Onde estão meus sonhos?
Quais caminhos agora percorrem?
Ainda ontem, tive-os tristonhos
Sonhos estes que me socorrem
Gerei ontem mesmo,
Em minha consciência
Tantos sonhos a esmo
Esparsos e sem paciência
Sonhos meus
Onde foram parar?
Tantos esforços seus
Para nunca se realizar?
ANIMAL HUMANO
Que dizer do ser humano
Animal mais repugnante
Sem piedade e sem engano
Vivendo o ódio pulsante?
Que dizer da humanidade
Que caminha para o abismo
Ombro a ombro e sem piedade
No áugie do snobismo?
Que dizer das pessoas
Que sem piedade se maltratam
Da moral são desertoras
E nossa dignidade arrebatam?
Teremos um fim perverso
Ou esperaremos sentados
O fim do nosso universo
Sem, contra isso, termos lutado?
O EU DE ONTEM
Se um dia
Olhar pra trás e perceber
Chorando de tristeza
O eu de ontem
Entre tantos problemas padecer
Se um dia
Olhar pra trás e perceber
Brigando como um leão
O eu de ontem
A nenhum problema ceder
Se um dia
Olhar pra trás e perceber
Rangendo os dentes de esforço
O eu de ontem
Lutando mesmo sem entender
Se um dia
Olhar pra trás e perceber
A luta, o esforço e a vitória
O eu de ontem
Com alegria vou compreender
Que tudo terá valido a pena
Pois olhando, vou entender
Que devido às cicatrizes
Do eu de ontem
Jamais vou perecer
VIVEMOS NUMA ÉPOCA
Vivemos numa época
Que a política é controlada
Pela expectativa de reeleição
Vivemos numa época
Onde o projeto de poder
Vale mais que fazer a coisa certa
Vivemos numa época
Onde nada mais importa
Não importa se o país quebrar
Vivemos numa época
Onde ladrões nos governam
Banqueiros vivem a nos comandar
E trabalhamos apenas para consumir
Vivemos numa época
Onde os bandidos se reelegem
Pois por mais que o povo se inflame
No final, nas urnas, onde importa, tudo é perdoado
ONDE ESTÁ A JUSTIÇA
Onde está a justiça?
foge de nossas mãos
quem sabe na suiça
pois aqui não tem não
Trabalho, sou assaltado
não trabalho, fico devendo
sozinho e sem aparo
assim mesmo vou sofrendo
Levaram tudo o que suei
pra ganhar com honestidade
me vi ser lesado e chorei
impotente, perdi a vontade
Sem vontade de trabalhar
mesmo assim vamos levando
pra, quem sabe, alguém terminar
mais um dia me roubando
Mata a dor
Mato e faço borboletas das cinzas
Viro pó na fornalha do seu pensamento
Mato e espalho átomos pelos espaços
Criando novos agravos em um novo descompasso
Mato mesmo é a morte da palavra maldita
Essa navalha que raspa sua ternura
E aos poucos mata em mim o quase tudo que é desejo Sobrando dúbios poemas imperfeitos
Cadê?
Quando perdemos sentimos o que temos
Através da ausência presente como uma sombra sem luz
Um tipo de desejo invertido
Catapulta o pensamento num tipo de dor
Mostra o quão distante é o finito...
Sétimo
Revanche dos dias
Repouso da carne
Estado da graça
Domingo Sala escura filme de terror
Tarde no fim um barato
Quem sabe na segunda eu escapo
Circo encantado
A fila de ingresso as suas graças
Criança ansiosa não disfarça
O palhaço Lelé
Roubando Mulher
O Garboso apresentador e sua voz de locutor
La vem o truque da risada, palhaçada!!!
Pipoca no algodão doce
Sombra e luz, embaixo da lona o circo vem a tona!
Globo da morte e quase bateu
Trapezistas com sorte, a corda é forte?
Quase caiu num suspiro cheio de silêncios
O mundo pendurado por um fio
Malabares e Trapézio
Destreza e firmeza
Suspense e mistério
A cigana vem a Lona e põe fogo na roda
Borboletas psicodélicas
Voam pelos cabelos
Sensualidade em forma de brinquedo
O susto e a cortina se abriu
Os pequenos sorrindo
O mundo é lindo
A verdade é a grande imitação
Na próxima semana o mágico não me engana
Já acabou?
Sexta feira dia 13
Gatos pretos vasculham seu medo
Ansiosos ao receios das surpresas
Na noite cheia do azar e da sorte
Onde muitos nascem
Outros morte.
Vontade que dá, esse seu cheiro de sumiço
Passa sem vontade na memoria que não há
Esse amor suplico em direção contrária
Eu ando pela rua e você calçada.
Enquanto eu te defendo de outros elementos
Olho pro seu vento e não encontro sua soprada
E penso: será mesmo nossa a mesma estrada?
VIDA Liquida
O que é da tua alma senão água!
Os fluídos do teu corpo, o teu sangue!
O que te corre, o que te escorre, o que tu excretas...
A tua saliva, as tuas falas bem ditas...
O teu suor, o teu pensamento...
A tua urina, o teu amor em ruína;
A digestão das tuas células...
E mais! As tuas lágrimas;
A tua perene inexatidão!
O que banha a tua carne
O que te estremece...
Ainda que tu te aches de pé
O que há em ti nada, Nada!
A VIDA Liquida!
Condensas e precipitas
Vais de mar a mar
No pó da tua ferida
Teus dias roem noites de ferro
Tuas luas, desventuradas meninas
Se desencarnas a rosa rubra
É como bruma que te vêem pela janela!
Se for pra ser, será. Se for pra dar errado, dará. Se for pra dar certo, dará. O destino gosta de brincar, mas você não é obrigado a se preocupar, a vida é mais feliz quando se é mais simples.
Se tiver que entrar, entra com medo mas com respeito. Faça o que tiver que fazer e saia. Olhe nos olhos, nunca levante a cabeça demais e deixe-a baixa o suficiente para entenderem seu receio. Mostre o que quer mostrar, a realidade ou o que todo mundo imagina. Seja o padrão ou fuja dele.
Por medo de mostrar quem realmente são, e principalmente, por medo do que os outros vão pensar, muitas pessoas se escondem atrás de um muro de mentiras. Mas, todos nós sabemos que algum dia todo muro pode desabar, ai meu irmão, quando isso acontecer, vai ser tarde de mais. Afinal, quem é você ? Mostre a sua cara !
Capim de saudades
Comprei frutas frescas
Correndo rindo, me levei de criança
E espalhei tudo pelo seu jardim
Penduradas uma a uma em mim
E as suas flores todas que eu vi lá
Abriram se como se eu as deixasse
Num cair de cada pétala, feito plumas
Roçado fino na solidão de espinhos
Dançando no vento em num “polir” do chão
Feito pensamento que desmancha...
De maços vagos me catapulto em anseios lúdicos
Enrolados como fumo de raízes de amor puro
E aquelas cores todas de no seu pomar e as folhas soltas...
Foi-se no tempo tornando-as ocres, terra nova que pousava
E aquelas frutas-eu que eras pra te aguçar
E morder me suculenta em matar sua fome
E foi-se temporada...
E agora da varanda daqueles seus sorrisos
Alegrava se uma saudade feita de um casal na rede
Dessas paixões de boa tarde
Delicado tempo venta porta de trás
Até me invade porta a frente
Capim de saudades
