Herta muller
O Silêncio como Morada do Ser
Oh, o silêncio…
Não apenas a ausência de sons,
mas a presença plena do que é essencial.
Quando tudo ao redor se cala,
o ser humano reencontra a si mesmo —
e compreende que a quietude
não é um vazio, mas uma forma mais alta de existência.
No silêncio, a consciência se expande.
Ali descobrimos que a paz não é algo a ser alcançado,
mas algo que sempre esteve disponível,
embora oculto sob o peso do barulho e da pressa.
O silêncio nos devolve o centro,
recoloca cada pensamento em seu devido lugar
e revela a profundidade que o cotidiano tenta encobrir.
O tempo, nesse espaço silencioso,
mostra-se não como inimigo,
mas como mestre da revelação.
Ele nos ensina que só existe um instante real: o agora.
E é somente nele que podemos agir, compreender e transformar.
É por meio do tempo
que a sabedoria se desdobra lentamente,
quase imperceptível,
como uma chama que cresce sem alarde.
Essa sabedoria — a mais elevada das virtudes humanas —
não se adquire por excesso de palavras,
mas pela escuta atenta do próprio ser.
E, quando finalmente silenciamos,
percebemos que há em nós
algo que não é afetado pelo tumulto do mundo:
uma centelha do divino,
uma presença íntima e eterna
que só se revela a quem tem coragem de ouvir o próprio silêncio.
E é curioso como a liberdade surge dentro desse mesmo mistério.
Somos livres — sempre fomos. Há uma força suave na liberdade, mas uma força que muitos não compreendem.
Hoje repito, com a serenidade que o tempo concede:
Nós somos livres.
Livres para desejar.
Livres para mudar.
Livres para nos reinventar diante da própria vida que criamos.
Então aqueles passos de quem apenas começava, fizeram-no diminuir o ritmo e a medida dos seus para que conseguissem andar juntos... Nesses tantos momentos, nem lhe ocorria que, passada uma vida, aqueles mesmos pés lhe esperariam, retribuindo a compreensão do passado...
Wander von Müller – Visão Terminista
A visão terminista é a ânsia de encontrar respostas definitivas para tudo, como se a vida pudesse ser aprisionada em certezas. É o desejo de corrigir fatos, de mudar pessoas, de apressar o curso natural do mundo. Mas o universo não se curva à nossa pressa; ele se move com seu próprio ritmo, e nós, humanos, somos mutáveis, instáveis, transitórios.
Ao receber qualquer informação, não a aceite como verdade absoluta. Cada palavra, cada ensinamento, é apenas uma porta para a reflexão. Busque, explore, aprofunde-se. Evite a presunção, pois a arrogância é a sombra que obscurece a sabedoria.
As respostas que você procura, aquelas que dizem respeito a quem você é de fato, já habitam em seu interior. Elas nascem de uma sabedoria silenciosa, infinita, quase divina. Nenhum ser humano é superior ou inferior a outro; cada existência segue seu próprio tempo, único e insubstituível.
Se cada um possui um tempo próprio, cabe a nós habitar o nosso com consciência e inteligência. Viver plenamente não é apressar-se, mas cultivar a felicidade, respeitar o próprio ritmo e o dos outros.
Quando nos tornamos inteiros em nós mesmos, quando abraçamos a vida em seu fluxo natural, espalhamos harmonia. A felicidade que floresce em nós ecoa ao redor, e, de repente, o mundo parece mais sereno, mais inteiro, mais verdadeiro.
Lauro Müller
Encantos do Sul profundo
fazem que eu more você,
Lauro Müller com a força
da imigração italiana unida
a nossa gente brasileira,
uma terra honrada fizeram crescer.
Da tua herança e da coluna Whitte
levo indômita e oro por Santa Catarina
e por nossa Pátria amada
que me fazem amar
e agradecer por esta terra bonita.
O teu nome é homenagem a líder
Dr. Lauro Severiano Müller,
A tua gente é acolhedora e sabe
muito bem quem vem de fora receber,
Não me canso de orgulhar de você.
Pela majestade infinita
da Serra do Rio do Rastro,
pela beleza celestial
dos cânions da Serra Geral,
por todas as riquezas naturais
e pela poesia que só o tempo oferece,
em ti tenho tudo o quê
engrandece.
inédito pensar
na sutileza do papel-manteiga
e nos vários detalhes diários
até ontem diluídos em pressa
hoje tão claros na pausa
Para a grama verde lá fora
Virei cenário
Agora é ela que me observa
Presa aqui, na moldura da janela
