Herta muller
Algumas marcas permanecem imóveis, intactas
Algumas horas permanecem mortas, indivisíveis
Algumas vezes eu pareço certa, incontestável
Mas muitas vezes permaneço imóvel, incompreensível
Ainda ontem sonhei com você
Vi a resposta depois me esqueci
Você não sabe dizer que não quer
Mas não responde dizendo que sim
Eu não entendo minha própria fé
Acreditar no que você me diz
Sabe morena, pensei em você
Logo depois tive medo de mim
Deve ser tão bom ter sempre um passo
Que vem logo ao lado do seu passo e que lhe dê a mão
Alguém que te faça mais bonito
Mais agradecido e mais amigo como fosse um dom
Me deixa ser sua mulher
Me deixa arrumar o teu lar
Me ensina a viver como quer
Me toma, me torna, me tem
Me deixa passar teu café
Me deixa sorrir pra chorar
Me pega, me enche, me vê
Me mostra o que tem pra me dar
Me deixe só que hoje o mal veio me abraçar
Preciso entender minha fera pra ela não me controlar
Me deixe só que hoje o mal veio me abraçar
Preciso sanar minhas falhas pra ele não me devorar
- Fale sobre os cortes e o choro durante a depressão!
- Há, é uma dor da carne misturada com a dor da alma...
É Oito ou oitenta. Cala ou grita. Vai ou fica.
Sim ou não. Soma ou some. É tudo ou nada. Ou ama por inteiro ou não ama; Mas não me atrapalhe, não fique no meu caminho. Ou pega na minha mão e caminha comigo, ou solta e deixa eu ir sozinho...
Eu quero é te desonrar
Sujar teu nome pra esquecer
Que o erro foi te amar depois
E só querer te pertencer
Eu quero te fazer sofrer
Fazer você se importar
Com tudo que me fez sentir
Com tudo que me fez passar
Ana Muller-Fragmentar
Só há dois instantes reais: aquele em que nascemos e aquele em que percebemos que vamos
morrer. O resto é intervalo.
"Sou vários espelhos em revezamento
leio de novo e mudo o leitor
o texto me troca de eixo
o eu se refrata no ato de ler.
No jogo de linguagem
existir cobra senha de identidade
pede critérios e reidentificação
não aceita só o brilho do instante.
Penso é ato
existo soa estado
quando o verbo encena substância
escorrega a gramática do ser.
O cogito acende presença
não decreta essência
há pensamento
logo há um alguém em ato.
Heráclito passa
sou rio no próprio leito
cada papel é uma margem
cada respiração um começo.
Enquanto vivo sou processo
sou rastro que se redesenha
a definição chega tarde
quando a narrativa congela.
Não me encontro
me construo em variáveis
o encontro pertence ao que é
eu opero no que devém.
Assim falo ao cartógrafo cartesiano:
tua bússola marca o ato
não o continente
confundes faísca com metal.
Conclusão cantada em pedra líquida:
penso logo apareço
sou em ato
cogito ergo fluo.
Tradução precisa
do evento pensar
não se segue substância
segue presença
identidade é narrativa em curso."
– Daniel A. K. Müller
Abro o livro como quem abre uma cela
e a gramática entra com chaves de prata.
"Existo", diz o guarda. Eu assinto e, sem notar,
já aceitei que existir é estado.
Pergunta primeira, feita em voz de ponte:
quem fala quando digo "eu"?
Ato que cintila ou coisa que permanece?
Nomear é pôr moldura onde só há clarão.
Repito: penso.
E o verbo, inquieto, não se deita em camas de mármore.
Ele passa. Ele acontece.
O sujeito que o monta é aparição, não peça de museu.
No jogo de linguagem, a regra é simples e feroz:
"existir" cobra documentos de continuidade,
pedem-se sinais de reidentificação,
pedem-se cicatrizes que atravessem anos.
Mas o pensar não traz carteira;
traz pulso.
A cada batida ele inaugura um quem,
um rosto-em-ato que se desarma com o próprio eco.
Olha a armadilha:
quando digo "existo" após "penso",
troco o brilho pelo bloco,
confundo faísca com minério.
Se existir é ser algo, dize que algo és sem congelar o rio.
Dize quem retorna intacto do atravessamento.
A palavra "eu" acena, mas não garante o passageiro;
é índice, não monumento.
Releio e o leitor que sou me contradiz com elegância:
cada leitura me inventa um autor anterior.
Logo, o eu que decide entender é posterior ao entendimento,
e o entendimento, anterior ao eu que o celebra.
A gramática faz truques.
Transforma atos em estados, eventos em essências.
É ventríloqua do ser:
põe voz de mármore no que é água.
Heráclito entra, enxuto:
o nome é margem, o ser é curso.
Quem bebe duas vezes no mesmo "eu"?
Quem devolve a gota ao desenho antigo?
Então aperfeiçoo o silogismo como quem desarma um dispositivo:
se penso, há presença sem propriedade,
há comparecimento do sujeito-em-ato,
há luz que não promete estátua.
Daqui não se segue substância,
segue cena.
Não se prova o dono, prova-se o surgimento.
O cogito é bilhete de entrada, não escritura do terreno.
E se me pedem definibilidade, aponto o necrotério das narrativas:
o corpo já cessou, logo o relato pode fixá-lo.
No arquivo, sim, há estados;
na vida, há verbos.
Portanto, conduzo-te pelo corredor das palavras
até a célula onde "existo" queria trancar o ato.
Abro a porta pelo lado do uso e deixo o ar entrar:
o que havia ali era só o brilho do acontecimento.
Conclusão, escrita na água com letra firme:
penso, logo apareço.
Sou em ato, não como estado.
Cogito, ergo fluo.
– Daniel A. K. Müller
A resposta natural do Universo aos nossos mais ardentes desejos...
""" Fatal ou maravilhosissimamente!
Assim que você começar a desejar algo ardentemente...
Desde os mais profundos recônditos de tua alma e coração!
Misteriosa e assustadoramente...
...Quase de imediato!
As forças do Universo iniciarão irrefreáveis conspirações...
...Superhipermegaeficazes para atendê-lo.
Assim, esteja bem certo de que isso acontecerá!
Na mais completa e fiel cumplicidade...
...Com os teus mais ardentes desejos.
Quer esses tenham sido originados...
Na tua efetiva disposição para conquistas materiais ou sentimentais...
...Em pessoalíssimos ideais amorosos e humanitários!
Ou na busca direta da felicidade...
Mesmo que a tua busca
Seja por uma forma simples de felicidade!
Quiçá um tantinho só mais estendida...
... Que os esparsos e fugazes momentos felizes
Que a vida costuma oferecer a todos os seres humanos...
...Incondicionalmente. """
#ArmenizMüller.
...O arrazoador poético.
O relações-públicas é um agente de relacionamento que constrói, fortalece e solidifica a relação com o público. Todo planejamento, gestão de imagem, reputação e plano de ação passam, antes de tudo, pelo exercício da empatia. Nunca será sobre a gente, sempre será sobre o que o público quer e espera.
Saber comunicar é, antes de tudo, saber ouvir, interpretar, refletir e estruturar a fala. Depois disso, estamos prontos para transmitir.
