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Às vezes, as pessoas só precisam de um tempo para elas mesmas.

E para enfretar a piração, só mesmo respondendo com mais loucura.

A gargalhada era aterrorizadora porque acontecia no passado e só a imaginação maléfica a trazia para o presente, saudade do que poderia ter sido e não foi.

Clarice Lispector
A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Viver Ă© como amar: nenhuma razĂŁo o sustenta, sĂł o instinto o apoia.ÂŽ

É assim: de vez em quando, uma coisa sĂł começa mesmo a existir quando vocĂȘ tambĂ©m começa a prestar atenção na existĂȘncia dela.

Eu sĂł fui perceber que tinha amor quando fiquei longe dele. Assim mesmo, percebi isso vagamente, e voltei tambĂ©m vagamente por causa disso. Eu perdi, eu tenho consciĂȘncia absoluta de que eu perdi a oportunidade de amor mais viva e profunda que me foi oferecida atĂ© hoje. E agora eu nĂŁo posso fazer mais nada.

Olha, sĂł nĂŁo esquece do amor, porque ele Ă© a base de tudo.

Não sei porque ainda me explico. Não devo explicaçÔes. Só para os meus pais, e somente até aos 18.

Como pois inaugurar agora em mim o pensamento? e talvez sĂł o pensamento me salvasse, tenho medo da paixĂŁo.

Clarice Lispector
A paixĂŁo segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

A gruta Ă© Ășmida escura fria. NĂŁo tenho roupa, nĂŁo tenho fome, nĂŁo tenho sede. SĂł tenho tempo, muito tempo, um tempo inĂștil, enorme, e este farrapo de folha de livro. NĂŁo sei, atĂ© hoje nĂŁo sei se o prĂ­ncipe era um deles. Eu nĂŁo podia saber, ele nĂŁo falava. E, depois, ele nĂŁo veio mais. Eu dava um cavalo branco para ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas essas coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos cocos, atĂ© com a minha carne eu construĂ­a um cavalo branco para aquele prĂ­ncipe. Mas ele nĂŁo queria, acho que ele nĂŁo queria, e eu nĂŁo tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguĂ©m fique, a gente constrĂłi qualquer coisa, atĂ© um castelo.

SĂł queria pedir uma coisa, acho que nĂŁo Ă© difĂ­cil, Ă© sĂł isso, uma coisa bem simples: quando vocĂȘ voltar outra vez veja se vocĂȘ me traz uma maçã bem verde, a mais verde que vocĂȘ encontrar, uma maçã que leve tanto tempo para apodrecer que quando vocĂȘ voltar outra vez ela ainda nem tenha amadurecido direito.

Só às vezes piso com os dois pés na terra do presente: em geral um pé resvala para o passado, outro pé resvala para o futuro. E fico sem nada.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Ninguém entra na sua vida só pra te fazer sofrer ou só pra te fazer sorrir.

Quero viver muitos minutos num sĂł minuto.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Quando a gente estĂĄ se sentindo assim Ă© sĂł olhar em volta - dar o tal de look-around -, aĂ­ vocĂȘ vai ver que nĂŁo estĂĄ tĂŁo mal assim.

SĂł hĂĄ amor quando nenhuma autoridade existe. Essa coisa "autoridade" Ă© uma das coisas mais perigosas da vida. Eu nĂŁo quero ser "autoridade". NĂłs temos e podemos criar um mundo novo. Ó gente! Eu estou perguntando a vocĂȘs, cabe a vocĂȘs achar essa resposta. Se aceitar a verdade de outrem nĂŁo serĂĄ a sua resposta. HĂĄ um imenso trabalho para fazermos juntos, isso nos acrescenta uma enorme responsabilidade. Devemos ser revolucionĂĄrios; dentro em nĂłs deve se operar uma profunda revolução psicolĂłgica.

(...)Eu sĂł queria que ele aparecesse, o homem que vai me olhar de um jeito que vai limpar toda a sujeira, o rabisco, o nĂł.
O homem que vai ser o pai dos meus filhos e nĂŁo dos meus medos.
O homem com o maior colo do mundo, para dar tempo de eu ser mulher, Para dar tempo de eu seu ser criança, chorar para sempre.
Para dar tempo de eu ser para sempre.
Cansei de morrer na vida das pessoas. Por isso matei vocĂȘ.
Antes que eu morresse de amor. Matei vocĂȘ.
Eu sei que sou covarde. Surpreso? Eu nĂŁo."

“Não tenho medo de nada, afinal, a gente só tem medo do que a gente ama.”

Todos os dias vemos sempre o melhor caminho a seguir, mas sĂł andamos pelo caminho que estamos acostumados.

Tenho tudo pronto dentro de mim e uma alma que sĂł sabe viver presentes. Sem esperas, sem amarras, sem receios, sem cobertas, sem sentido, sem passados. É preciso que vocĂȘ venha nesse exato momento. Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha. Quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates