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Cada dia sem gozo nĂŁo foi teu
Cada dia sem gozo nĂŁo foi teu
Foi sĂł durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, nĂŁo vives.
NĂŁo pesa que amas, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na ĂĄgua
De um charco, se te Ă© grato.
Feliz o a quem, por ter em coisas mĂnimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega
A natural ventura!
Pra mim tudo tem remédio, só a morte que não. Porque eu aprendi que mal de amor, se cura com o novo amor. Não deu certo com aquele babaca? Tenta com outro.
Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
SĂł que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom
Ă como se eu estivesse esperando⊠NĂŁo sei o quĂȘ, nĂŁo sei quem. Mas parece que estou aqui sĂł esperando que chegue, que chegue algo que vĂĄ mudar tudo.
Muitas vezes anda sendo assim, eu fingindo estar bem e sorrindo sempre. SĂł para nĂŁo atrapalhar a felicidade de quem estĂĄ junto comigo!
Ăs vezes, sei lĂĄ, sĂł queria ser importante para alguĂ©m - disse a garota que Ă© importante para alguĂ©m que ela nĂŁo dĂĄ valor.
NĂŁo sĂł por isso, nossas verdades quase nunca sĂŁo iguais as dos outros, e Ă© isso que gera o que chamamos de solidĂŁo, desencontro, incomunicabilidade. Talvez a maneira como me debato seja natural, e atĂ© positiva. Ă possĂvel que eu parta daĂ para um conhecimento maior de mim mesmo. EntĂŁo estarei livre. Acho que meu mal sou eu mesmo, esses cĂrculos concĂȘntricos envolvendo o centro do que devo ser. Mas sĂł poderei me aproximar dos outros depois de começar a desvendar a mim mesmo. Antes de estender os braços, preciso saber o que hĂĄ dentro desses braços, porque nĂŁo quero dar somente o vazio. TambĂ©m nĂŁo quero me buscar nos outros, me moldar ao que eles pensam, e no fim nĂŁo saber distinguir o pensar deles do meu.
"VocĂȘ estĂĄ sĂł. Viveu um grande amor, que durou alguns meses ou vĂĄrios anos, nĂŁo importa, e agora estĂĄ naquele perĂodo conhecido como entressafra: nada nesta mĂŁo, nada na outra."
E Ă© sĂł colocar o dedo no teclado (ou a caneta no papel), que o relĂłgio instantaneamente dĂĄ seu click. A imagem descongela. A pĂĄgina em branco toma vida. E a histĂłria começa â sutilmente â a se desenrolar. (Mesmo que dentro de mim).
NĂŁo tem jeito. Palavras ditam minha ordem. Moldam meus capĂtulos. Me mostram quem sou. (E quem, na verdade, eu poderia ser). Ao escrever, tudo torna-se possĂvel. Ă meu reino imaginĂĄrio, onde vez por outra encontro traços reais de mim mesma.
Em palavras, eu me encontro. Ă a hora onde eu me sinto mais livre. Mais completa. E descubro as minhas diversas faces. Fases. E frases.
Em versos, percebo meus lados incertos. Inversos. Minhas dĂșvidas, devaneios e reticĂȘncias... E, mesmo que me assustem, estou ali: escrita. Pronta para me ler. Reler. E me editar.
Primeiro eu queria um lindo, inteligente e fiel. Depois, lindo e inteligente. Agora, sĂł fiel mesmo.
Ăs vezes escrever uma sĂł linha basta para salvar o prĂłprio coração.
Porque enquanto eu amar a um Deus sĂł porque nĂŁo me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior nĂŁo se farĂĄ. Enquanto eu inventar Deus, Ele nĂŁo existe.
