Franz eemil silanpaa
Você é a lição de casa. Por todos os lados, nenhum aluno.
Do adversário de verdade flui uma coragem sem limites para dentro de você.
Compreender a felicidade de que o solo sobre o qual você se mantém não pode ser maior que os dois pés que o cobrem.
A partir de certo ponto não há mais retorno. É este o ponto que tem de ser alcançado.
Fotografam-se coisas para expulsá-las do espírito. Minhas histórias são uma maneira de fechar os olhos
Estar sozinho é algo que tem um poder sobre mim que nunca falha. Meu íntimo se solta (superficialmente, por enquanto) e se revela disposto a deixar emergir coisas mais profundas.
A felicidade não é, pois, a coragem, e sim o destemor, sereno, de olhar franco, capaz de suportar tudo.
Não deixe que o mal o faça acreditar que você poderia guardar segredos diante dele.
Não evito as pessoas para poder viver em paz, e sim para poder morrer em paz.
Aquele que ainda em vida não se acerta com a vida precisa de uma das mãos para, com ela, afastar um pouco o desespero com o próprio destino – o que só se dá de maneira muito incompleta; com a outra mão, pode então registrar o que vê debaixo dos escombros, porque ele vê de outro modo e vê mais que os outros; afinal, morto em vida, ele é o verdadeiro sobrevivente.
Um momento de reflexão: Dê-se por satisfeito, aprenda (aos quarenta anos, aprenda) a ter paz no momento (sim, no passado você conseguia). Sim, no momento, no momento terrível. Ele não é terrível, é apenas o medo do futuro que o faz assim.
Como pode um coração, um coração não muito saudável, suportar tanta insatisfação, tamanha ânsia a dilacerá-lo sem cessar?
A desproporção do mundo parece ser, de maneira consoladora, apenas numérica.
Quem renuncia ao mundo tem de amar a todos os seres humanos, pois também renuncia ao mundo deles. A partir daí começa a pressentir a verdadeira essência humana, que não é outra coisa senão poder ser amado, pressupondo-se que esteja à altura disso.
A verdade é indivisível, portanto não pode ter conhecimento de si mesma; quem quer que diga conhecê-la está se referindo a uma mentira.
Nossa arte consiste em sermos ofuscados pela verdade: a luz sobre o rosto horrível que vai recuando é verdadeira, de resto nada.
É ridículo como você coloca arreios em si mesmo para este mundo.
"Se você sabe o que é certo, faça. Se não sabe leia os dez mandamentos ou Arte da Prudencia. Isso faz de você mais humano.
Oriente quem não sabe pra você ver ouvir."
"Muitas vezes ali se deixava estar durante toda a noite, sem dormir a esfregar-se no couro, durante horas a fio. Quando não, reunia a coragem necessária para se entregar ao violento esforço de empurrar uma cadeira de braços para junto da janela, trepava para o peitoril e, arrimando-se à cadeira, encostava-se às vidraças, certamente obedecendo a qualquer reminiscência da sensação de liberdade que sempre experimentava ao ver à janela. De fato, dia após dia, até as coisas que estavam relativamente pouco afastadas se tornavam pouco nítidas; o hospital do outro lado da rua, que antigamente odiava por ter sempre à frente dos olhos, ficava agora bastante para além do seu alcance visual e, se não soubesse que vivia ali, numa rua sossegada, de qualquer maneira, uma rua de cidade, bem poderia julgar que a janela dava para um terreno deserto onde o cinzento do céu e da terra se fundiam indistintamente. Esperta como era, a irmã só precisou ver duas vezes a cadeira junto da janela: a partir de então, sempre que acabava de arrumar o quarto, tornava a colocar a cadeira no mesmo, sítio e até deixava as portadas interiores da janela abertas".
