Franz eemil silanpaa
“...Não há necessidade de sair da sala. É suficiente sentar-se à mesa e escutar. Nem sequer é necessário escutar, é só esperar. Nem sequer é preciso esperar, é só aprender a ficar em silêncio. O mundo se oferecerá a você livremente para ser descoberto..!”
Normalmente a pessoa de quem se anda à procura vive mesmo ao lado. Isto não é fácil de explicar, temos de simplesmente aceitá-lo como um fato. Tem raízes tão profundas que não se pode fazer nada, mesmo com esforço. A razão é que nós não sabemos nada deste vizinho de quem andamos à procura. Ou seja, não sabemos que andamos à procura dele nem que ele vive na casa ao lado, mas então ele vive mesmo na casa ao lado. É claro que podemos saber isto como um fato geral na nossa experiência; só que sabê-lo não tem qualquer importância, mesmo que guardemos isso em mente.
"Agora que já vi tudo, vou-me embora."
"O senhor ainda não viu tudo"- respondeu-lhe o homem inocentemente
"Não tenho interesse em ver tudo"
O animal arrebata o açoite de seu amo para açoitar-se a si próprio, pensando que assim se transforma em senhor, mas ignora que tudo isso não passa de uma fantasia, criada por outro nó que o amo fez em seu açoite.
A liberdade, tal como nos é possível tê-la atualmente, é uma planta bem frágil. Mas de qualquer forma é liberdade, de qualquer forma é um patrimônio.
Acordar cedo assim deixa a pessoa completamente embotada (...). O ser humano precisa ter o seu sono.
eu preferia não nos reviver
é tão doloroso ter que nos rever
sao tantas péssimas memórias
as mas dolorosas histórias
eu não queria nos rever
eu te dava meu peito, esperançoso
mas me enganei, você mentiu
trouxe um cenário conflituoso
porque eu te adorei
e parecia que você me prezava tanto
tinha tanto que você me mostrava
cada olhar cheio de encanto
são tão gozosas memórias
cada toque era tão proveitoso
cada toque de lábio era tão prazeroso
eu gostaria tanto te ter
eu gostaria tanto de nos rever
eu gostaria tanto de te ver
mas eu nunca vou poder
eu faria de tudo para nos reviver
isso me enche tanto, quero morrer
só queria parar de te querer
voltar ao momento que não esperava te perder
eu queria tanto
ah, esse é meu mais árduo pranto!
mas eu nunca vou poder
mas eu nunca vou...
Minha atividade de escritor tratava de ti, nela eu apenas me queixava daquilo que não podia me queixar junto ao teu peito.
E lá ficaram, mas não tão entregues como durante a noite. Ela buscava algo e ele buscava algo, ambos furiosos, fazendo caretas; enterrando a cabeça um no peito do outro eles se buscavam e seus abraços e seus corpos arqueados não os faziam esquecer, mas lembrar-se da obrigação de continuar buscando; como os cães raspam desesperadamente o chão, eles raspavam os seus corpos e, desamparados, decepcionados, para alcançar ainda uma última felicidade, eles às vezes passavam à larga língua sobre o roso do outro. Só o cansaço os acalmava e os tornava mutuamente gratos.
Devemos participar também de todo o sofrimento que nos cerque. O que cada um de nós possui não é um corpo, mas um processo de crescimento que nos leva a experimentar todo tipo de dor. Assim como uma criança evolui através de todos os estágios da vida, até à velhice e à morte (cada um desses estágios aparentemente inatingível a partir do outro, seja por medo ou frustrado desejo), também evoluímos nós (não menos profundamente ligados à humanidade do que a nós mesmos) através de todo o sofrimento deste mundo. Não há lugar para justiça ao longo desse processo, da mesma maneira que não há para o medo da dor ou a atribuição de qualquer mérito a ela.
(Contos, fábulas e aforismos)
