Jean la bruyère
Se a única segurança está no fim da jornada, o melhor trajeto até lá é caminhar entre o mais seguro e o menos inseguro dos paralelepípedos que calçam a estrada.
Hoje vi
Lá vem ela
Lá vem a Morena que é pura perdição
O teu olhar veste desejos
O teu sorriso exala paixão
O teu caminhar é pura sedução
Onde passas arremata corações
Cinderela, Flor mais bela
Esplêndida como Gabriela, cravo e canela
Quem diria se não te ver um dia, ficarei na melancolia
A Morena hoje vi o Horizonte distante, muito longe do alcance das minhas mãos
De todas as mulheres que amei ou amarei com certeza és tu a Morena que mais desejei.
Se navegar em sua mente, podes acalma-la, se deixar de navegar, nunca vai saber o que existe além do agitado.
Meio caminho está andando, outro meio falta andar ... quem sabe se bem lá no fim, não nos vem a vontade de recomeçar?Haveria de o caminhar da mesma forma em que o fiz ...se calhar com mais cuidado, porque este caminho trilhado,mesmo assim, é um caminho feliz "
"O espinho está lá ...bem afiado e bem visivel.
Uns evitam-no, não se picam e continuam a jornada.Outros, e saberá Deus porquê teimam em se picar, aumentando a sua dor, como se isso fizesse o espinho mais culpado."
Ter um culpado…
Colocaram fogo no restaurante comigo ainda lá dentro. As chamas lambiam as paredes como línguas de uma ira que nunca foi minha, mas, de alguma forma, sempre me escolheu como alvo. O calor não me assustou. Pelo contrário, senti uma espécie de familiaridade com ele. Eu, que vivi tantos incêndios na alma, agora era apenas mais uma peça no cardápio do caos.
Enquanto o teto ruía e o ar se tornava pesado, percebi: não valia a pena gritar. Quem acendeu o fósforo já havia saído pela porta da frente, talvez assobiando uma melodia de inocência fingida. E quem passava pela calçada, ao ver as labaredas, não pensava em salvar quem estava dentro. Pensava apenas no espetáculo da destruição. Porque é isso que as pessoas fazem, não é? Elas assistem.
Então eu olhei ao redor. Louças estilhaçadas. Mesas tombadas. Cortinas em chamas. E, pela primeira vez, senti uma espécie de alívio. Uma certeza incômoda, mas libertadora: se é pra me chamarem de culpado, talvez eu devesse ser. Não me restava mais nada pra salvar — nem o restaurante, nem a mim. Peguei o que sobrou de força, virei o gás no máximo e, com um fósforo que achei no bolso, devolvi o favor. Explodi aquele lugar como quem assina um bilhete de adeus: com firmeza, sem remorso, mas com estilo.
Saí pela porta de trás, enquanto os destroços ainda voavam pelo ar. A fumaça subia, preta como os julgamentos que viriam. E eu sabia que viriam, claro. Sempre vêm. “Por que você fez isso?”, perguntariam. “Por que não tentou apagar o fogo? Por que não pediu ajuda?” Ah, os paladinos da moralidade, tão rápidos em condenar e tão lentos em entender. Mas eu não queria me explicar. Explicações são como água despejada sobre um incêndio: às vezes apagam, mas quase sempre só espalham mais fumaça.
Ser o vilão era mais fácil. Mais honesto. Assumir o papel de quem destrói é menos exaustivo do que tentar convencer o mundo de que você foi destruído. Porque, no final das contas, ninguém realmente escuta. Eles só querem um culpado. E, se é pra ser apontado de qualquer jeito, que seja com a dignidade de quem escolhe o próprio destino.
Não estamos falando de restaurante. Nunca estivemos.
"É tarde da noite,
lá fora somente
uma Lua Linda
há iluminar,
Brisa suave,
e sinto
o seu perfume,
sinto à
sua presença,
perto de mim,
me protegendo
de tudo
e de todos.
Sinto o
seu forte
abraço,
e antes
de deitar,
sinto um
delicioso
beijo,que
acalentou-me
até o sono
enfim chegar,
um beijo
de amor,
à embalar
os meus sonhos,
e em seus braços,
eu poder me
aconchegar..."
Tati Oliveira
21:35hrs
11.07.2014
Seja lá o que for que nos trouxe à existência... aqui, nos deixou tão confusos e desorientados a ponto de estarmos perdidos sem ["eira-nem-beira"] e condenados a um fim inexplicável.
Não abra a porta para os seus problemas, nem os potencialize, deixe-os lá fora. Enquanto cá dentro prepare-se para vencê-los.
Seja lá o que for que nos trouxe a existência, aqui nos deixou a deriva, confusos... e condenados a um provável fim inexplicável.
"A única coisa que tenho a dizer é que toda essa dor da distância que sinto de tê-la longe de mim, é o preço que pago por todos os pecados de ódio, raiva e todas as maldades que cometi no mundo.
A linha do horizonte está lá, alí e aqui na altura dos nossos olhos. Uma linha imaginaria, caminho percorrido por um ponto, dado em diferenças por conta dos pontos de vistas, uma possibilidade de vermos juntos o que individualmente imaginamos . E o acontecer da vida se dá lá, alí e aqui!
O tamanho da incoerência é diretamente proporcional ao dos argumentos utilizados para defendê-la. Quem advoga por causas ou pessoas, com justificativas que não são universais, nada mais é que um hipócrita!
Nossa vida social é como à água, quando em ilusão todos estamos lá embaixo na sujeira, porém quando no autoconhecimento você se limpa e sobe de nível, o que te impossibilita conviver no padrão antigo.
O maior ensinamento está nas palavras "vós sois deuses" e poucos de lá para cá compreenderam a grandiosidade dessa revelação dada por Jesus.
Se você se machucar eu irei te ajudar. Se você estiver com dor eu irei tomá-la para mim! Afinal, somos amigos não somos?
Olha lá o tal fiel.
Afogando seu cansaço entre um gole e outro na mesa de um bar.
Imaginando uma desculpa pra chegar em casa e terminar.
Terminar o namoro de dez anos ou quem sabe terminar aquela briga que o ciúme possessivo da mulher motivou.
Após dez anos o romance não é mais o mesmo.
O sorriso é forçado e as trocas de carícias depois da foda é obrigação.
Os ataques ciumistas de cada passeio e cada evento fora de casa tirou-lhe a paciência.
Tornou-se insuportável e ele agora tenta desfazer.
Desfazer contas em conjunto, desfazer o carinho da mãe pela moça, desfazer aquele batizado onde eles são os padrinhos, desfazer os orgasmos talvez.
Em mente a certeza que não é com aquela moça que irá se casar.
O pior ele passou em dez anos, já deu pra aterrorizar.
Quer sair fora e arrumar um jeito de explicar pra mãe que não dá mais.
Quer ir embora trabalhar no Rio com o pai. Tá aí uma desculpa perfeita pra dar fim nessa batata que a muito tempo esfriou, não dá pra comer mais, tá sem graça e sem sabor.
Alí, na mesa do bar, ele conhece os prazeres de uma traição que vem e alivia o cansaço.
O sorriso da moça ao lado é convidativo.
Tempo é algo que ele decidiu não perder mais.
De dose em dose e de corpo em corpo, fiel se torna professor na arte da traição.
