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Todos nĂłs vamos morrer, que circo! SĂł isso deveria fazer com que amĂĄssemos uns aos outros, mas nĂŁo faz.

Charles Bukowski
O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio. Porto Alegre: L&PM, 2003.

O amor Ă© formado de uma sĂł alma, habitando em dois corpos.

AristĂłteles

Nota: Adaptação de um trecho atribuído a Aristóteles.

De Tanto Amor

Ah! Eu vim aqui amor sĂł para me despedir
E as Ășltimas palavras desse nosso amor, vocĂȘ vai ter que ouvir
Me perdi de tanto amor, ah, eu enlouqueci
Ninguém podia amar assim e eu amei
E devo confessar, aĂ­ foi que eu errei
Vou te olhar mais uma vez, na hora de dizer adeus
Vou chorar mais uma vez quando olhar nos olhos seus, nos olhos seus
A saudade vai chegar e por favor meu bem
Me deixe pelo menos sĂł te ver passar
Eu nada vou dizer perdoa se eu chorar.

O tempo Ă s vezes Ă© alheio Ă  nossa vontade, mas sĂł o que Ă© bom dura tempo o bastante pra se tornar inesquecĂ­vel.

Charlie Brown Jr

Nota: Trecho da mĂșsica VĂ­cios e virtudes.

A propriedade privada tornou-nos tĂŁo estĂșpidos e limitados que um objeto sĂł Ă© nosso quando o possuĂ­mos.

Karl Marx
MARX, K., Early Writings

acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
sĂł nĂŁo fazia sentido

Vazio

A noite Ă© como um olhar longo e claro de mulher.
Sinto-me sĂł.
Em todas as coisas que me rodeiam
HĂĄ um desconhecimento completo da minha infelicidade.
A noite alta me espia pela janela
E eu, desamparado de tudo, desamparado de mim prĂłprio
Olho as coisas em torno
Com um desconhecimento completo das coisas que me rodeiam.
Vago em mim mesmo, sozinho, perdido
Tudo Ă© deserto, minha alma Ă© vazia
E tem o silĂȘncio grave dos templos abandonados.
Eu espio a noite pela janela
Ela tem a quietação maravilhosa do ĂȘxtase.
Mas os gatos embaixo me acordam gritando luxĂșrias
E eu penso que amanhĂŁ...
Mas a gata vĂȘ na rua um gato preto e grande
E foge do gato cinzento.
Eu espio a noite maravilhosa
Estranha como um olhar de carne.
Vejo na grade o gato cinzento olhando os amores da gata e do gato preto
Perco-me por momentos em antigas aventuras
E volto Ă  alma vazia e silenciosa que nĂŁo acorda mais
Nem Ă  noite clara e longa como um olhar de mulher
Nem aos gritos luxuriosos dos gatos se amando na rua.

Rio de Janeiro, 1933

Vinicius de Moraes

Nota: Poema constante da seção de poesia do site oficial de Vinicius de Moraes.

Hå esperanças, só não para nós.

Franz Kafka
BROD, Max. Franz Kafka: A Biography (1960).

VocĂȘ sĂł vive uma vez, mas se vocĂȘ fizer tudo certo, uma vez Ă© suficiente.

Certas idiotices sĂł sua melhor amiga entende.

Na verdade eu nem sei explicar direito o efeito, sĂł sei que eu viajava bastante nas mĂșsicas e nos pensamentos...

NĂŁo te quero ter porque em meu ser estĂĄ tudo terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados.

Vinicius de Moraes
Antologia poética

Nota: Trecho do texto "AusĂȘncia" de Vinicius de Moraes

...Mais

SĂł

Eu tenho pena da Lua!
Tanta pena, coitadinha,
Quando tĂŁo branca, na rua
A vejo chorar sozinha!...

As rosas nas alamedas,
E os lilases cor da neve
Confidenciam de leve
E lembram arfar de sedas

SĂł a triste, coitadinha...
TĂŁo triste na minha rua
LĂĄ anda a chorar sozinha...

Eu chego entĂŁo Ă  janela:
E fico a olhar para a lua...
E fico a chorar com ela! ...

SĂł

Desde a infĂąncia eu tenho sido
Diferente d'outros – tenho visto
D'outro modo – minhas paixĂ”es
Tinham uma outra fonte e
Minhas mĂĄgoas outra origem -
No mesmo tom nĂŁo despertava
O meu coração para a alegria -
O que amei – eu amei só.
Então – na infñncia – a aurora
Da vida atormentada – estava
Em cada nicho de bem e mal
O mistério que me prendia -
Da correnteza, da fonte -
Da escarpas rubras do monte -
Do sol que me rodeava
Em pleno outono dourado -
Do relùmpago nos céus
Quando sobre mim passava -
Do trovĂŁo, da tormenta -
E a nuvem tem a forma
(Quando o resto do céu é azul)
D'um demĂŽnio aos meus olhos.

Edgar Allan Poe

Nota: Tradução do poema "Alone".

Na solidĂŁo Ă© quando estamos menos sĂł...

Lord Byron
BYRON, L., "Childe Harold's pilgrimage: A Romaunt", Charles Griffin, 1826

Essas lembranças eram minhas e só minhas, pois aprendi que é melhor manter algumas coisas em segredo.

Nicholas Sparks
SPARKS, N. Dear John. London: Hachette UK, 2010.

Quando a verdade de outra pessoa fecha com a sua, e parece que aquilo foi escrito sĂł pra vocĂȘ, Ă© maravilhoso.

CONFRONTO

Bateu Amor Ă  porta da Loucura.
"Deixa-me entrar – pediu. Sou teu irmão.
SĂł tu me limparĂĄs da lama escura
a que me conduziu minha paixĂŁo."

A Loucura desdenha recebĂȘ-lo,
sabendo quanto Amor vive de engano,
mas estarrece de surpresa ao vĂȘ-lo,
de humano que era, assim tĂŁo inumano.

E exclama: "Entra correndo, o pouso Ă© teu.
Mais que ninguém mereces habitar
minha casa infernal, feita de breu,

enquanto me retiro, sem destino,
pois nĂŁo sei de mais triste desatino
que este mal sem perdĂŁo, o mal de amar."

Foi um beijo...

foi um beijo onde nĂŁo importava a boca
sĂł tuas mĂŁos quentes me apertando pelas costas
nada estava acontecendo na minha frente
e a ansiedade que havia nĂŁo era pouca
teus dedos perguntavam pra minha blusa
se meu corpo acolheria um delinquente
descoladas as lĂ­nguas um instante
minha resposta saiu um tanto rouca

Martha Medeiros
Poesia Reunida. Porto Alegre: L&PM, 1999.

Do meu telescópio, eu via Deus caminhar! A maravilha, a harmonia e a organização do universo só pode ter se efetuado conforme um plano de um ser todo-poderoso e onisciente.