Bolo
POEMINHA BOBO SOBRE A VIDA
Demétrio Sena, Magé – RJ.
A vida é bela;
é bala e bolo.
Bola pra frente.
Também é bule
de café,
e tem a bula
de andar pra frente,
de andar com fé,
com pé na tábua
de surfar
no mar aberto
e na maré
de se sentir
que a vida é baile...
é pra dançar
como ela é.
A vida é braile
de se ler
com dedos doces...
e lambuzados...
de prazer.
Boleira é sinônimo de riqueza.
A riqueza da manhã com gente, café e bolo arretado;
o luxo de uma mesa com forro xadrez, pé de moleque e beiju a vontade;
o muito desejado por poucos, mas o pouco que muitos não sabem o que verdadeiramente esse luxo tem a nos proporcionar: sensações e vínculos que dificilmente enfraquecerá.
O bolo do sucesso tem seus principais ingredientes, a saber; gratidão, propósito bem definido, auto estima e entre outros, se inaliza com a humildade.
Receita do quitude chamado Amor
Não existe , não é receita de bolo , tantas gramas disso , uma pitada daquilo .....
Não!!!! Ele começa a ser feito , com certos ingredientes que aparecem do nada brotam dos nossos sentimentos e anseios ,como um certo sorriso , um olhar , um clamo , um aperto fugaz de mão , um cheiro de um beijo , uma pitada de um abraço, enfim, por muitas coisas ou ate um rápido entre -olhar !!!!
Quando misturamos tudo isso , e deixamos descansar , para dar ponto , ele cresce tão rápido, que as vezes trasborda na panela de coração de tal maneira , que mesmo antes de estar no ponto , dá um apetite terrível .
É um quitute tão gostoso , imprecindível que quando experimentamos , nos faz ficar monofágico de tanta vontade de comer e se deliciar desse tal de AMOR .
Não sei mais o que dizer para com você que junta tudo o que lhe digo como uma receita de um bolo para deliciar-se sem o mínimo constrangimento;
Eu nem tenho para onde ir, prefiro ficar e te cultuar encontrando o meu tempo para te felicitar;
Só existe miséria no Brasil porque esperamos o bolo crescer, para depois de frio, dividir! Esse processo letárgico sacrificou nosso país!
"Imagino os recursos como um bolo, porém os que chegam primeiro comem a maior porção e ainda repartem às migalhas com os que logam chegam, mesmo já estando saciados!"
Ditamos e somos ditados, conceituamos a racionalidade. Afinal o que temos realmente nós pertence? O que nos da o direito em dizermos que merecemos mais que o outro? Até quando quem não girar a roda será desprivilegiado de quem a gira?!
Hoje, te canto parabéns, compartilhando um bolo de palavras, as velas são energias positiva, luz de bênçãos para te fortalecer, nos enfrentamentos! Que neste teu nascer, não importe o quantos anos vc faz, mas importe, o que vc fez, e faz, em cada um deles,
o que aprendeu, quem vc alegrou em cada despertar, quem te amou e ainda ama, não importando onde vc esteja, quem vc aqueceu, com seu sol de verão? Então? Qual a reflexão de sua linda jornada? Você é a pessoa que nasceu para iluminar, representa também, cada ancestralidade, em seu caminhar, porque está luta resistência é de cajado passado, e vc respeita e reconhece, chegaram até você, por merecimento, por competência, para dar seguimento, as pessoas, são singulares, sempre deixam algo em nós, e leva um pouco de nós com elas, É isso, somos um pouco de cada um, somos composições! O especial disso, é viver, e saber que nada esta perdido, somos a equação resultante do amor maior! Por isso em meu coração, sempre recordarei sua trajetoria e tua oratória em memórias, templo sagrado e divino das recordações, que fazem bem e orienta! Por isso não da para esquecer, hoje é um dia muito especial! FELIZ ANIVERSÁRIO!
Pior do que bolo que desanda e música tocada ao contrário, é o sujeito arrogante que acha possuir a unica verdade do mundo!
Exposição "Bolo no Buzu"
de Lilian Morais
É com imenso prazer que apresentamos a retrospectiva da exposição "Bolo no Buzu", uma jornada artística inquietante e multifacetada da artista visual Lilian Morais. O título aparentemente simplório revela-se uma metáfora intricada, cuja complexidade desafia nosso entendimento convencional. O "bolo" presente nesse contexto pode ser interpretado de várias formas, desde o bolo de aniversário celebrado dentro do coletivo até o bolo humano, símbolo de amontoados de pessoas, como punição ou resultado de promessas não cumpridas.
Ao adentrarmos essa exposição de impacto, somos confrontados com a realidade crua e desafiadora das condições precárias do transporte urbano. Lilian Morais capturou, com maestria, a essência dessa vivência coletiva, oferecendo-nos um espelho para refletir sobre as desigualdades sociais e as lutas cotidianas enfrentadas por aqueles que dependem desses meios de transporte. Através de suas telas, somos transportados para dentro e fora dos ônibus, testemunhando assaltos, abordagens policiais e a presença marcante de personagens políticos que, ironicamente, muitas vezes nos dão "bolo" ao não cumprirem suas promessas.
Mas a ousadia de Lilian Morais vai além. Nesta exposição, ela apresenta uma instalação de impacto assustador que nos transporta para os escombros de uma casa demolida pelas chuvas. É uma releitura poética da obra "preta, Bahia preta", do renomado poeta Jorge Carrano. Nessa reconstrução fragmentada, encontramos roupas, brinquedos, pedaços de madeira, fragmentos de móveis e um pé preto, medindo 1,80 metros de altura. É uma representação poderosa das consequências das forças implacáveis da natureza e das desigualdades sociais que afetam de maneira desproporcional as comunidades marginalizadas.
Essa instalação nos convida a refletir sobre a vulnerabilidade das estruturas sociais e a resiliência daqueles que enfrentam as adversidades diárias. Ela nos lembra que, apesar da destruição, a esperança e a resistência persistem nas histórias dos indivíduos que se reerguem diante das dificuldades.
A exposição "Bolo no Buzu" vai além do espaço tradicional das galerias e museus. Ela transcende fronteiras, unindo arte e realidade de forma inovadora. Como parte integrante da experiência, a exposição conta com a participação de poetas performáticos e atores que trazem à vida os personagens retratados nas telas, envolvendo-nos em narrativas intensas e envolventes. E, mesmo que o coquetel seja inexistente, Lilian Morais surpreende ao trazer ambulantes que normalmente vendem bebidas nos pontos de ônibus para o interior do museu, proporcionando uma experiência inusitada e inédita. Essa abordagem disruptiva desafia as convenções estabelecidas, ampliando ainda mais o impacto da exposição.
Em meio a esse cenário complexo, a artista nos convida a questionar o papel do transporte público como um microcosmo da sociedade, onde as desigualdades se manifestam diariamente. As obras de Lilian Morais nos fazem refletir sobre nossa interconexão e a importância de reconhecermos as histórias individuais que se desdobram dentro desses espaços. "Bolo no Buzu" nos convoca a enfrentar as injustiças sociais, a repensar as estruturas vigentes e a encontrar soluções criativas para as questões prementes que afetam nossa sociedade. Junte-se nessa jornada artística que desperta a consciência e ecoa as vozes daqueles que vivem à margem da sociedade. Esta exposição é um convite à reflexão profunda e à transformação social.
Paulo Müller
A vida não é como uma receita de bolo que segue passo a passo, ela não tem um manual de instrução, mas você pode desvendar os mistérios da vida.
“Os livros de autoajuda são como receitas de bolo. Até parece fácil tentar resolver os problemas da vida. Mas, não é bem assim. O grande desafio está em encontrar os ingredientes certos. No entanto, para quem não tinha perspectiva nem expectativa, ou talvez, nem soubesse como começar a mudar, eles estão ao nosso alcance para nos fazer reagir”.
O Bolo de Coco e os Dias da Semana
Por Diane Leite
Ainda deitada, com o corpo entregue ao travesseiro e a mente girando devagar,
ouvi a cena como quem assiste a um filme sussurrado pela casa.
Era manhã de domingo.
E por coincidência — ou delicadeza do destino —,
também era dia primeiro.
O bolo era meu.
Mas deixei meu filho de sete anos pegar.
Ele queria dividir com o irmão de vinte e um.
Só que o mais velho já tinha comido outro doce,
e eu disse:
“Come sozinho, meu amor. Esse é todo seu.”
E foi aí que a vida virou roteiro.
“Eu acho que eu não gosto tanto assim de bolo de coco…”
disse ele, pensativo, como quem descobre que cresceu um centímetro por dentro.
O irmão, curioso, perguntou:
“Mas que nota você deu?”
“Sete.”
“Por quê?”
“Porque hoje eu não tô gostando muito de coco.”
E o mais velho, com aquela sabedoria prática que só os irmãos mais velhos têm:
“Ah… é que você gosta de bolo de coco de segunda a quarta.
De quinta a domingo, você já não gosta tanto.”
Era domingo.
E eu sorri.
Porque entre uma mordida e uma conversa,
eles me deram a melhor metáfora para começar o mês:
— Tudo que é nosso pode ser ofertado.
— Tudo que sentimos pode mudar.
— E tudo que muda pode ser recomeço.
Na simplicidade de um bolo dividido,
aprendi de novo que o amor mora nos detalhes.
Que a escuta silenciosa é presença.
E que ser mãe é isso:
testemunhar o mundo sendo redesenhado todos os dias pelas palavras dos nossos filhos.
Às vezes, o bolo de coco é só bolo.
Mas às vezes,
ele é tudo que precisamos para lembrar
que até o amor tem gosto diferente dependendo do dia —
e tá tudo bem.
Porque amar também é isso:
respeitar o paladar emocional do outro,
e ainda assim, continuar oferecendo o melhor pedaço.
Tenta-se entender a vida que a maioria apenas vive, como quem saboreia um bolo sem pensar na receita.
