Boca

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Os antigos poetas e pensadores diziam que os olhos são os espelhos da alma
e as palavras da boca são flautas⁠

DESARMAMENTO


ESCOLHA
AS SUAS ARMAS.


MAS NÃO VALE
ESSE BEIJO NA BOCA.⁠

A dor mudou de formato, cara. Ela não é mais aquele soco na boca do estômago... Agora ela é uma presença silenciosa, tipo um vizinho barulhento que tu acabou se acostumando a ouvir através da parede.

Não existe corpo mudo. Muitas vezes ele fala mais que uma boca.

Todos somos fênix, renascendo das cinzas ,de uma boca assassina, usada por companhias sombrias...

Quem tem Deus no coração não usa a boca para ferir, pois sabe que xingar e maltratar entristece Aquele que só nos ensinou a amar.

Arranca-toco, bate-boca, castra-língua, dedo-negro, espanta-alma, fura-olho, grito-das-trevas, e outros demônios alfabéticos até a letra z, de zumbi-zaragata, são
hóspedes do diabo.

Cristão sábio não precisa abrir a boca quando alguém lhe acusa, porque já sabe que Deus é o seu Defensor.

A nação que atende à vontade do Senhor é feliz e a verdade aparece na boca do povo.

Pessoas ignorantes existem como aquelas que emburram nas contradições, põem a boca no trombone, não aceitam correções, quebram ordens e respeito; mas, no final, são exclusas da sociedade ou vivem rejeitadas por falta de decoro, educação e domínio próprio.

Combata toda forma de crítica, cuja boca não tem soluções, princípios, valores, apreço pela educação e pelas verdades.

Filhinha

Deus não é severo mais,
suas rugas, sua boca vincada
são marcas de expressão
de tanto sorrir pra mim.
Me chama a audiências privadas,
me trata por Lucilinda,
só me proíbe coisas
visando meu próprio bem.
Quando o passeio
é à borda de precipícios,
me dá sua mão enorme.
Eu não sou órfã mais não.

Adélia Prado
Poesia reunida. Rio de Janeiro: Record, 2015.

Venho de uma época em que a hóstia consagrada era recebida diretamente na boca, de joelhos, e com a patena sob o queixo.


Benê Morais

O Beijo

Ao me beijar
esqueceu uma palavra em minha boca

Devo guardá-la
embaixo da língua?
engoli-la como um comprimido
a seco?
mordê-la até sentir
seu gosto de fruta
estrangeira, especiaria, álcool
duvidoso?
devolvê-la
num beijo
a ele?
a outro?

É pequena e dura
mais salgada que doce
e amarga um pouco
no fim

- Ana Martins Marques

⁠Beijo os teus olhos
e a sua boca no meu
amoroso pensamento,
Desejando me tornar
parte dos seus sonhos.

(Essência de um despertar)

Murtillas na boca,
comigo no coração,
celebração de amor
e muita inspiração
com Versos Intimistas
para a consagração.

Os Bonecos do Berbigão do Boca
durante o sonho com os olhos abertos
quando estava a dançar contigo,
Pareciam que já estavam sabendo
que o amor era o nosso destino,
Então, até o Sol raiar fica comigo,
porque à partir de hoje não podemos
mais sair do nosso doce caminho.

A cor e o sabor da palavras
têm a verdade da Chanana.


Da minha boca e da caneta
só sai o que jamais engana.


O louco coração o amor
não nega jamais e proclama.


Te venero como quem espia
a Via Láctea e aurora cigana.

Na minha boca só mantenho
a sua pele, os seus beijos
e as melhores e mais finas palavras
misturadas com o aroma
do chá da macela reservada da colheita;
E não o que desejam incutir
para nos manter desorientados;
para nos fazer distanciados.


Os lábios e a carícias veneram
tudo o que se descobre em veios
de ágata deste nosso sul brasileiro
com o norte molhados de desejo
pelos teus lábios bonitos e capazes
de fundir com arte elevada o ródio.


Porque se eu for me perder
que seja na perfeição dos teus traços,
para que o prêmio nos tornemos laços
entre trocas e voluptuosos abraços.


O alucinante, o arrebatador e o viciante
definirão rumo aos nossos passos.
O flerte com a imprevisibilidade,
dissolução de um no outro,
a elegância, a abertura e a multiplicação,
trazendo à tona a inevitabilidade
das polaridades em perfeita rendição.


No painel ordinário dos dias
escrever, pintar e desenhar,
para no cotidiano formas dar
com as nossas cores suntuosas,
inspiradoras e inesquecíveis,
para que nos sintamos incríveis.


O corpo e a mente merecem
a concessão de alternância
para que o amor e o auge liderem,
e a intimidade escreva bela,
reservada e totalmente protegida
ao som do balanço das araucárias.


Para que a hierarquia natural
de quem dá e recebe prazer seja
preservada das influências externas,
para que a reverência não se perca.


Da elegância e rendição existencial
alcancem a pavimentação perfeita,
para que a polaridade se afine
de forma a entender e só responder
os nossos códigos de prazer
sensoriais, secretos e sagrados.

Concupiscência embaladora
e mútua feita para te dar
Cajazinho devagar na boca,
Do jeito que tu gosta,
para dar mostra hipnótica
e entregar o seu corpo
nos braços da deleitação,
No afã de cumprir o pacto
à altura tua provocação,
Com estro e todo o charme
na mente e no teu coração,
Para que o verbo não se cale
e o amor em ti se cumpra
em salto sem temer a altura.