Boca
Os antigos poetas e pensadores diziam que os olhos são os espelhos da alma
e as palavras da boca são flautas
A dor mudou de formato, cara. Ela não é mais aquele soco na boca do estômago... Agora ela é uma presença silenciosa, tipo um vizinho barulhento que tu acabou se acostumando a ouvir através da parede.
Quem tem Deus no coração não usa a boca para ferir, pois sabe que xingar e maltratar entristece Aquele que só nos ensinou a amar.
Arranca-toco, bate-boca, castra-língua, dedo-negro, espanta-alma, fura-olho, grito-das-trevas, e outros demônios alfabéticos até a letra z, de zumbi-zaragata, são
hóspedes do diabo.
Cristão sábio não precisa abrir a boca quando alguém lhe acusa, porque já sabe que Deus é o seu Defensor.
Pessoas ignorantes existem como aquelas que emburram nas contradições, põem a boca no trombone, não aceitam correções, quebram ordens e respeito; mas, no final, são exclusas da sociedade ou vivem rejeitadas por falta de decoro, educação e domínio próprio.
Combata toda forma de crítica, cuja boca não tem soluções, princípios, valores, apreço pela educação e pelas verdades.
Filhinha
Deus não é severo mais,
suas rugas, sua boca vincada
são marcas de expressão
de tanto sorrir pra mim.
Me chama a audiências privadas,
me trata por Lucilinda,
só me proíbe coisas
visando meu próprio bem.
Quando o passeio
é à borda de precipícios,
me dá sua mão enorme.
Eu não sou órfã mais não.
Venho de uma época em que a hóstia consagrada era recebida diretamente na boca, de joelhos, e com a patena sob o queixo.
Benê Morais
O Beijo
Ao me beijar
esqueceu uma palavra em minha boca
Devo guardá-la
embaixo da língua?
engoli-la como um comprimido
a seco?
mordê-la até sentir
seu gosto de fruta
estrangeira, especiaria, álcool
duvidoso?
devolvê-la
num beijo
a ele?
a outro?
É pequena e dura
mais salgada que doce
e amarga um pouco
no fim
- Ana Martins Marques
Beijo os teus olhos
e a sua boca no meu
amoroso pensamento,
Desejando me tornar
parte dos seus sonhos.
(Essência de um despertar)
Murtillas na boca,
comigo no coração,
celebração de amor
e muita inspiração
com Versos Intimistas
para a consagração.
Os Bonecos do Berbigão do Boca
durante o sonho com os olhos abertos
quando estava a dançar contigo,
Pareciam que já estavam sabendo
que o amor era o nosso destino,
Então, até o Sol raiar fica comigo,
porque à partir de hoje não podemos
mais sair do nosso doce caminho.
A cor e o sabor da palavras
têm a verdade da Chanana.
Da minha boca e da caneta
só sai o que jamais engana.
O louco coração o amor
não nega jamais e proclama.
Te venero como quem espia
a Via Láctea e aurora cigana.
Na minha boca só mantenho
a sua pele, os seus beijos
e as melhores e mais finas palavras
misturadas com o aroma
do chá da macela reservada da colheita;
E não o que desejam incutir
para nos manter desorientados;
para nos fazer distanciados.
Os lábios e a carícias veneram
tudo o que se descobre em veios
de ágata deste nosso sul brasileiro
com o norte molhados de desejo
pelos teus lábios bonitos e capazes
de fundir com arte elevada o ródio.
Porque se eu for me perder
que seja na perfeição dos teus traços,
para que o prêmio nos tornemos laços
entre trocas e voluptuosos abraços.
O alucinante, o arrebatador e o viciante
definirão rumo aos nossos passos.
O flerte com a imprevisibilidade,
dissolução de um no outro,
a elegância, a abertura e a multiplicação,
trazendo à tona a inevitabilidade
das polaridades em perfeita rendição.
No painel ordinário dos dias
escrever, pintar e desenhar,
para no cotidiano formas dar
com as nossas cores suntuosas,
inspiradoras e inesquecíveis,
para que nos sintamos incríveis.
O corpo e a mente merecem
a concessão de alternância
para que o amor e o auge liderem,
e a intimidade escreva bela,
reservada e totalmente protegida
ao som do balanço das araucárias.
Para que a hierarquia natural
de quem dá e recebe prazer seja
preservada das influências externas,
para que a reverência não se perca.
Da elegância e rendição existencial
alcancem a pavimentação perfeita,
para que a polaridade se afine
de forma a entender e só responder
os nossos códigos de prazer
sensoriais, secretos e sagrados.
Concupiscência embaladora
e mútua feita para te dar
Cajazinho devagar na boca,
Do jeito que tu gosta,
para dar mostra hipnótica
e entregar o seu corpo
nos braços da deleitação,
No afã de cumprir o pacto
à altura tua provocação,
Com estro e todo o charme
na mente e no teu coração,
Para que o verbo não se cale
e o amor em ti se cumpra
em salto sem temer a altura.
