Boca
Na sua boca vibro.. Todas as sensações se tornam redundâncias, todo pensamento se transforma em poesias, palavras brincam com a magia de tornar tudo mais sereno, mórbido, morrendo para as esferas normalistas, vivendo para uma vida mais promiscua. Sensação de poder e passividade, de agressão e liberdade, sentimentos que só posso sentir te beijando, tenho obsessão por seus lábios, esdrúxulo porem necessário para minha sobrevivência, não posso defenestrar aquilo que quero só para mim. Descobri que se pode voar, não com asas, mas com pensamento e palavras.
Dor
Quando dizia que te amava
não era brincadeira
nem da boca pra fora
te amei de verdade isso eu sei
em voce me apeguei
pra vc me entreguei
mas você não queria nada comigo
só curtição brincou comigo
e com meu coração
Não sabia oque fazer
Pois sem você não saberia viver
Não tinha vontade de fazer nada
Não tinha vontade de comer
Fiquei muito tempo trancada no quarto
esperando a morte vim me pegar
só que por um instante
parei para pensar
e abri o olho
ainda me doi muito
mais estou feliz sozinha
sem voce na minha história
sem você na minha vida.
O tempo tem uma boca imensa. Com sua boca do tamanho da eternidade
ele vai devorando tudo, sem piedade. O tempo não tem pena. Mastiga rios, árvores, crepúsculos. Tritura os dias, as noites, o sol, a lua, e as estrelas. Ele é o dono de tudo. Pacientemente ele engole todas as coisas, degustando nuvens, chuvas, terras lavouras. Ele consome as histórias e saboreia os amores. Nada fica para depois do tempo. As madrugadas, os sonhos, as decisões, duram pouco na boca do tempo.
Sua garganta traga as estações, os milênios, o ocidente, o oriente, tudo sem
retorno. E nós meu neto, marchamos em direção a boca do tempo.
Sabe pelo que me apaixono?? Pelos olhos. Por um olhar verdadeiro, sincero, forte, gentil. Com a boca se pode mentir, com os olhos não. São tão honestos, que nos convidam a mergulharmos no outro ser. São nossos cartões de visita. Eles mostram de imediato tudo que a pessoa é, sem ser necessário pronunciar uma palavra. Por isso que dizem: "Os olhos falam mais que mil palavras", cabe a nós descobrir o que esses tagarelas falam.
Eu não suporto imaginar alguém beijando sua boca, tocando o seu corpo.
Segurando o meu mundo nas mãos.
A sua boca eu vou beijar
no teu olhar eu vou me perder
no teu coração eu vou me encontrar
com sua voz eu vou sonhar
com você eu quero estar.
Amor não é aquilo que dizemos sentir, apenas dito da boca para fora; mas sim, aquilo que sentimos verdadeiramente, mesmo sentido em silêncio!
Gosto do teu sussurro firme ao meu pé do ouvido.
Da tua língua cor de cereja me invadindo a boca.
Do teu respirar difícil e quente sufocando o meu, fébril.
Gosto do teu perfume doce impregnando a minha roupa lentamente.
Do teu sorriso manso cheio de pretensões.
Do teu decote firme e infinito.
Gosto do teu sabor de puro e todas as tuas más intensões.
Ter e ao mesmo tempo não ter
Abro os meus olhos,
Porém, não enxergo.
Abro minha boca,
Mas a voz não sai.
Toco em tudo,
Não consigo sentir nada.
De orelhas em pé,
Não ouço ninguém.
Provo de tudo,
Não sinto gosto de nada.
Às vezes a vida é assim,
Você pode ter tudo
E ao mesmo tempo nada.
É tudo artificial,
Nada é seu,
Tudo lhe pertence.
Afinal de contas,
Estou vivo ou morto?
Será que sou um zumbi?
Abra a boca para falar,todas as idiotices possiveis...
Mas prepare os ouvidos para ouvir as verdades,que se encontram caladas!
PRESO
Como eu poderia ter-me em minha boca
Para o beijo e para o verbo,
Se o sabor de tudo isso sentido
Continua a ser detrás,
Daquele tempo que não se parte.
E para atender estes teus olhos
Cor da clara noite, lanternas acesas.
Como posso? Dos meus olhos
Deixei lá atrás nas encostas de orvalho
No vidro límpido que debaixo dele
Viajam peixinhos graçapés
Que por minhas mãos nunca consegui prender.
Um só sequer. Apenas um para tê-lo em casa
Já numa arca de embalagem
Transparente pressenti-lo de perto
Em carícias por ele pelo lado de fora.
A minha boca ficou no desejo da manga rosa
Dos cajus no seu tempo, onde experimento
Qual o mais doce ou qual o mais acre.
Salvo meu beijo, que não o dei,
Na forma de toda a ansiedade
Na menininha irrequieta e tímida
Por minha vontade que não se expressava.
E até o beijo da minha boca
Ficou solidificado, nos lastros das árvores.
Nas mãos dos meus pais, dos meus avós
E de meus padrinhos, na santa devoção
De estar beijando também outro pai.
De onde tirarei de mim para te ofertar
Por este amor sentindo em mim
E que há em mim somado
Ao que deixei do que eu era todo
Retidos no azedume das frutas ruins
De ternuras que foram desta maneira
Tocados pelos meus olhos,
Entretidos nos corpos de seda
Das afeições, caminhos, não resolvidas
Mas que em mim, detidos
Repassam a mim as fragrâncias e o desejo
Que preteri, em vez de fazê-lo.
Pegar minha baladeira e sair
Depois de uma chuva de inverno.
Ele não é muito bonito mas dá para o gasto. Dá para andar de mãos dadas na rua, dar beijo na boca e chamar de meu amor.
