Boca

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A minha boca quer
imergir na ensopada
profundeza da tua
tórrida intimidade.

Os teus beijos
sabem a poesia:
adoro escrever
os teus beijos
na minha boca.

Amar é acordar ofegante
de um sonho que
tinha a tua boca.

Adoro quando tu tiras-me
as palavras da boca com a tua boca
e as colocas a derreter na tua pele.

“Quero beber da sua boca como quem encontra abrigo depois de uma longa tempestade… devagar, sentindo cada beijo seu me tirar do mundo por alguns instantes.”

Bendita seja a visão que nos abre as portas da luz!
Bendita seja a boca que mais que nos fazer sentir gostos, nos permite pronunciar palavras de curam!
Bendito seja os ouvidos que em silêncio nos possibilitam ouvir todos os sons da vida e o que ela não é capaz de dizer!
Bendito seja o toque que nos faculta sentir e transmitir emoções inenarráveis.
Bendito seja o olfato, essa capacidade sensorial que nos aproxima das flores e nos brinda com uma explosão de odores!
Benditos sejam os sentidos que nos proporcionam a riqueza de ver, ouvir, falar, cheirar, tocar e sentir a vida em toda a sua diversidade e intensidade.

Manhãs são como sorrisos desabrochando na boca colorida das flores.

De nada adianta viver com a boca cheia de amor e o coração vazio.

vem abrir a boca para dizer que o sistema é corrupto mas voce é o santo que fecha a boca pra nao comer o pao do mendigo, vai la santo, olha o tamanho da sua barriga que nao dividiu o pao filho da corrupcao

⁠FOLHA MORTA

Se a minha boca não te surpreende
se o meu corpo não te satisfaz,
o que te falta para ir em frente,
pra seguir teu rumo, me deixar em paz?

A vida a dois não é cláusula pétrea
se for por força de obrigação
o amor definha, vira folha morta
logo um se despede, outro fecha a porta
é o fim da rota de contradição.

Mas o medo de ficar sozinho
fecha o caminho da libertação
se não há coragem pra pular no abismo
prefere-se o cinismo, vida de ilusão.

Logo tudo cala, quando ninguém fala
a porta se fecha e a luz se apaga
e os dois se encaixam na mesma prisão.

​O Último Espetáculo


​A boca, que era um arco avermelhado,
Caiu em um traço de amargura.
O choro, antes tanto disfarçado,
Hoje transborda em linha pura.
​Não há aplausos na lona vazia,
Não há piruetas na escuridão.
Atrás da capa da dita folia,
Bate um cansado e ferido coração.
​O circo desfez sua lona de ilusão,
A piada perdeu a graça e o sentido.
Na solidão de sua própria solidão,
O palhaço não está mais sorrindo.
​As roupas largas pesam como chumbo,
Os sapatos gigantes não sabem para onde andar.
Perdeu a graça, perdeu o rumo,
Só restou o silêncio para chorar.

Quero ser a língua que a tua boca procura quando o fogo te queima por dentro.

Habitue a mente à serenidade, pois quem não a disciplina acaba ferido pela própria boca.

A tarde era um cálice demarrado sobre os campos verdejantes de ramagens escarlates na boca que pronuncia a verdade sublime no instante exato de brilhar estrelas no céu e suas grandes constelações. E eu diria que seus olhos são dois abismos onde a eternidade repousa em minha memória densa de lembranças esquecidas, pois passa rápido a vida e as mãos desconhecem despedidas se acenam e não seguem em frente. Paradas, absortas no esvair de uma saudade abstrata, cuja raiz pousa os pés na terra vermelha e nascem constatações intermitentes, pois afirmar pode ser uma forma de negar indubitavelmente. E tudo é sempre mais do que parece ser, quando bem me faço entender, se a lógica diz e cala na escuridão da sala. A memória é um jardim de estátuas cobertas de musgo, já que a ação inexorável do tempo envelhece artefatos humanos enquanto a natureza cresce para além de si mesma em sua opulência e grandeza. O perfume dourado das magnólias adormece o crepúsculo e eu busco um impulso para encarar a noite e suas torrenciais correntezas. Ao ouvir o azul da tarde a doçura prateada da lua adormecia na perspicácia dos centros comerciais onde tudo tem um preço, até mesmo esquecer tinha a moeda do tempo no silêncio macio de sol envolvendo pensamentos na arquitetada paisagem da cidade planejada em minúcias para muitos e para poucos, quando se janta o almoço, em um alvoroço de viver freneticamente enquanto ainda temos um corpo. A aurora despertou lentamente os montes adormecidos e no café quente do copo eu questionava os minutos de sossego na inquietude melódica do dia a espraiar certezas vagas como um relógio antigo há muito tempo atrasado. Mas porque comer o passado se o presente tem sempre novos recomeços e a ternura genuína dos afetos alcançam glórias humildes no aconchego de um dia feliz?

Quero fazer a colher de recipiente - mas, só me es útil para levar comida à boca.

Com o passar do tempo, nossos ouvidos acabam exercendo mais funções do que nossa boca, nossas dúvidas cedem espaço ao silêncio, e a agitação é trocada pela tranquilidade e reflexão.

A elegância de um homem está na seriedade com que ele utiliza as palavras que saem de sua boca.

⁠Fui comer duas batatas e a que estava em minha boca caiu diversas vezes, "Por quê?" você poderia indagar, pois eu busco três.

A boca revela o que
o coração esconde;
por isso o sábio
purifica primeiro
a alma antes de falar.

Quem guarda a
boca protege a
alma das armadilhas
do inimigo.