Boa noite
Em meu coração eu vejo
Estrela de toda noite e dia
No meu olhar me perco
Tento me encontrar
Me vejo em seus braços
Sinto seu calor me rasgar
Onde posso me encontrar
Não poderia estar em melhor lugar
Chega a hora de partir
Te deixo e fico louco pra ficar
E não vejo a hora de voltar
No calor dos seus braços me encontrar
Aqui é o meu lugar ......
Ano Novo
Meia-noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.
Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça
nada ali indica
que um ano novo começa.
E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.
Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta).
Noite de Gelo -
Longe, embora perto,
o murmurio rouco e confuso
de vozes na noite
num Porto sempre por achar!
Estranha noite aquela,
noite em que me vi só,
tão só ...
Poço! Onde mãos, corpos,
Almas se confundem, se tocam,
se contaminam ...
Distancia imensa,
dolorosa e sangrenta.
Coitos de morte,
onde gestos amargos,
inquietos, obcessivos
nascem da memória de outros gestos.
- Esses, onde a Vida corre
e a ternura é o fio.
Em mim, uma plena consciência
do marulhar desse pantano humano
e distante.
- Uma fracção de voz,
um grito, um gemido.
Em mim, um imenso desidério,
cósmico, Lunar afastamento.
- Misto de Luz e frio,
proximidade real,
lonjura sem alcançe!
Noite I -
Não há nada! Ninguém!
Só o pó do dia que passou.
As pedras congeladas, ao frio,
num imenso Céu aberto.
Nem o vento se ouve ...
Não há nada! Não há gentes!
Só solidão! Saudade!
Folhas caídas no chão.
Casas sem idade.
Mas onde? No Além?!
Lá também não há ninguém!
Meu querido R, é tarde da noite e eu nem deveria estar te escrevendo e sim dormindo. Porém, eu sou uma criatura noturna e necessito escrever quando as palavras vêm até mim. As palavras vieram trêmulas, trôpegas, desorganizadas, mas vieram e eu as acolho, e eu as abraço e as amo. Eu não sei explicar ao certo o motivo pelo qual lhe escrevo aqui e agora. Na verdade, eu sei. Para quem estou mentindo? Se estou escrevendo esta carta significa que estou apaixonada. Completamente, e de repente há Sade e Djavan ressoando-me aos ouvidos. Há música e poesia e o mundo está colorido de novo e fazia tanto tempo que eu não sentia isso. Agora tudo brilha sob o sol e eu nem lembrava como era me sentir assim....você me proporciona todo carinho e ao mesmo tempo o mais doce tabu e eu temo estar viciada em você.
Selenofilia ll
Hoje, minha alma acordou sedenta!
Dia e noite esperando sua volta.
Neste céu à qual passeia, Espreito-me nas frestas das nuvens.
Entre as árvores, ela vem.
Brincalhona, aparece em quartos de seu todo
Às vezes tímida, se escondendo de meus olhares
Fui andando em seu rastro
Estiquei as mãos para tocar em seu véu de nuvens
Em noites serenas, te olhando firmemente, usei as cordas do varal para compor serenatas de amor para ti
Em tom maior, me envolvi em suas nuvens
Dançando juntos, usando o infinito do espaço, eterno reduto de paz.
Sol e lua
As estrelas cintilantes sorriam
Imaginárias flores brilhantes
Acomodo- as em um jardim suspenso, longe do perigo
Em seu quintal, fui colhendo seus sorrisos
Emolduro- te com o dourado do amanhecer
Entrego-te nas manhãs perfumadas.
Eu sou Noite -
Eu sou noite!
E vim de parte incerta.
Espaço que não existe ...
Eu sou noite!
Sou vento que resiste - que insiste ...
Vim amar-te - sem meta!
Cheguei e estou aqui!
Eu sou a tua noite, agora,
sem tempo, nem hora ...
Perdão -
Quando passaram todos e quedou silêncio
sobrou a raiz da noite onde só é presente
o que sabemos vão!
E eis que quando a dor já de ninguém
se esconde, tudo na Vida é contradição.
Senhor, Senhor que nos foi dado Amar,
porque nos afogamos nós, sem nadar,
em Águas-de-solidão?!
Perdão Senhor ... perdão ...
Hoje -
E hoje?!
Que se passa hoje em meu Coração?!
Amanheceu o dia e a noite cobre-me ainda!
Estranha solidão que me aglutina os sentidos,
- dia turvo e vazio!
E onde estou?! Onde?! Onde fiquei?! ...
Ó Senhor que me não vem a menor
consolação de Ti ...
Porque me tens tão esquecido?!
Tão cego e possuído ...
Quando eu olho para céu eu vejo uma noite estrelada tão linda que parece que é algo mais lindo e belo que isso não existe. Mas me lembro de você com seu olhar profundo intenso e com seu sorriso lindo encantado. Dai em diante para mim as estrelas viram um monte de pontos brilhantes no céu que perdeu toda glamour só por você existir.
Quando o sol não brilhar, vou apreciar as nuvens, quando a noite chegar e tudo a minha volta escurecer, darei nome as estrelas, quando o que sou incomodar, não mudarei o que sou, mas mudarei de lugar. Hoje só me permito estar onde eu caiba por inteiro.
Resumo de a Solidão...
Silêncio quando a noite cai.
Silêncio quando a noite vai em busca...de alguém e em resposta o vazio, A madrugada é fria não perdoa, e a mente trabalha 24 horas. O medo se aconchega ao seu lado e você se cala.
O final de um Desejo se vai.... Tantos sonhos.. e lá se foi, Sem Boa noite e sem Bom dia.
Lago II
Esse doce crepúsculo onde a noite inspira o dia...
E o dia respira a noite e sua natureza se espelha...
Sempre é bom vê-la passeando adorada na imaginação.
Tu és a canção perfeita a gentileza da rosa e o cordel...
É lindo e rápido como um cometa,
Deixando rastro de mel no céu,
Arranjado de estrelas...
Agora o que tenho são tintas e papéis cheio de rimas.
E não posso apagar da arte essa verdade que arde no meus poros.
O suor o nó na saliva de querer beija-lá eterniza-la de dentro da alma...
Esse desejo de possuir a beleza a riqueza caliente.
Seus dentes mastigando entre os lençóis nosso cansaço...
O abraço eternizado no ato de te querer...
Morre saboreando toda adrenalina em cada curva do seu corpo de menina.
Difícil manter-se vivo
quando você impõe toda sua força...
Eu gosto desse seu corpo quente,
do seu olhar meigo de moça...
Quem sabe os anjos me ousa se acaso tiver tristeza...
Melhor remédio é quando sua beleza chegar de mansinho...
Meu tudo ressuscita feito passarinho e voa alto.
Eu te beijo no porta retrato do seu quarto.
E para a saudade não me machucar,
Como a semente que deseja o céu tocar,
Com suas folhas e o amor é tudo isso!
Ser semente e sonhar em crescer vivendo os riscos,
cada momento é simplesmente único
disso se faz o paraiso.
A paixão pela vida é só uma faísca
no céu de quem se arisca...
E você me abraça e nossa raça se multiplica.
Enfim abraçados voltamos a dormir...
13.10.2022 as 18hs a correção
Que durante toda a noite, enquanto você dorme e o seu espírito está vulnerável, o teu anjo da guarda esteja ao teu lado, velando teu sono, protegendo-te de todo mal, guiando-te entre a escuridão até a luz de novo amanhecer.
Não Pensei que Viesse -
Não pensei que viesse
na bruma da noite!
E meu corpo de espuma
fez-se de espanto.
Aquele desidèrio,
triste -quebranto,
ausencia, distancia
de quem amargou,
em espaços etèreos,
de repente, dissipou...
Não pensei que viesse
na bruma da noite!
O medo desfez-se,
a ilusão ardeu...
Dores, cansaços,
tudo desvaneceu!
No leito o aconchego
em cama de linho,
cobriu nossos corpos
como manto d'arminho.
Seus braços, intimos, lassos,
abraçaram meu corpo
"colaram" meus cacos...
Não pensei que viesse
na bruma da noite!
Agora partiu,
minh'Alma adormece
na Paz que sentiu...
Meu corpo de silêncio,
intimo, calado,
exala seu odor!
Não pensei que viesses
na bruma da noite!
- meu Amor ... meu Amor -
Tempo ao Tempo.
Exercício de humildade.
Exercício de humildade: em noite de céu estrelado aprecie-o sem moderação.
Após o espetáculo reflita e tire suas conclusões...
Juventude Incerta -
É longa e vil a noite
sem esperança ou finitude,
sem casa onde me acoite
nesta triste Juventude ...
É hora d'ir a parte incerta,
mas não sei aonde vou,
se vou sozinho à descoberta,
quem vai, se vai ou se ficou!
Deixai-me aqui com meu penar
que ao menos sofro desasado,
deixai-me aqui, quero ficar ...
Não quero nada! Só Alguém ...
Estou cansado, impoluto, desabado,
desabado, impoluto, sem Ninguém! ...
Soneto ao Conde de Monsaraz -
E escuto à noite, na Voz do Universo,
cálido, certeiro, feito de Estrelas,
uma Voz que ecoa, deixando-me imerso,
num manto doce de tímidas procellas:
"... há uma Paz infinita na solidão das herdades,
ó Alma das coisas mortas,
eu sinto que me confortas,
nos campos, quando me invades ..." *
E há um silêncio sinistro e misterioso
que me escorre a Alma num pálido sentir,
ora doce ora amargo, ora alegre ou doloroso ...
E sinto em mim, às vezes, vacilante e audaz,
essa voz Eterna, doce, a sorrir,
do Conde de Monsaraz ...
Tens em minha Casa um lugar onde podes pernoitar sempre que venhas.
Tens em meus braços um ninho de amizade que te espera.
Tens em minha Alma outra Alma que sempre esperará a tua Alma ...
*Quadra de António de Macedo Papança, Conde de Monsaraz. IN Musa Alentjana - 1908
