Boa noite

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Eu não dormi —
atravessei a noite armada de silêncio.
Havia um mundo em colapso
respirando atrás das paredes,
soldados marchando dentro do tempo,
e eu…
com as mãos cheias de nomes que amo.
Corri.
Não por mim —
mas por cada pedaço de mim
que anda solto no mundo
com o meu coração no peito.
Havia códigos escondidos no ar,
segredos costurados nos bastidores,
e eu entendia tudo
como quem carrega um mapa
que ninguém mais pode ler.
Mas o preço da lucidez
é nunca descansar.
—
Te levaram.
Não com gritos —
mas com laços delicados,
fitas de cetim preto
que pareciam suaves demais
para aprisionar um universo inteiro.
E ainda assim…
prendiam.
Me ajoelhei diante do poder
não por fraqueza,
mas porque o amor
às vezes se curva
para não se partir.
E então eu dancei.
Dancei com o medo,
com a guerra,
com o absurdo de um mundo
que tenta domesticar o que nasceu livre.
Dancei com você.
E em cada movimento
desatei um nó invisível
até que a liberdade coubesse de novo
no seu corpo pequeno.
—
Meus outros amores
ecoavam à distância,
como estrelas que não se apagam
mesmo quando o céu desaba.
Eu os guiava em silêncio,
em bilhetes invisíveis,
ensinando-os a sobreviver
sem que vissem o meu tremor.
Porque mães
não têm o direito de desmoronar
quando o mundo pede estratégia.
—
Mas eu sei.
Eu sei demais.
Sei do que se move por trás,
sei do que ninguém diz,
sei do fio tênue entre proteger
e desaparecer de si mesma.
E talvez seja isso
que me atravessa agora —
essa guerra que não terminou
quando abri os olhos.
—
Hoje,
eu ainda seguro a espada
mas minhas mãos tremem.
E tudo que eu queria
era lembrar
que não preciso salvar o mundo inteiro
para manter o amor vivo.

Nuvens sem águas, pássaro sem ninho, noite sem lua, dia sem sol, estrela sem céu; é assim que me sinto, sem Cristo.

Quem te habita?


Quem são os nomes que você chama quando a noite pesa?
Quem são as presenças que fazem sentido, que ficam?


Quem te enche o peito de amor sem pedir nada em troca?Com quem você pode tirar a armadura e ser só você?Com quem o silêncio é casa, e não guerra?


Quem te conhece por dentro?
Não a versão que você ensaia, não o que você poliu pra parecer ideal, correto, interessante...Mas o que você esconde até de si.


Com quem o seu tempo vira tesouro e não conta?


Porque quando a gente para pra olhar,
descobre: tem valor perdido pra resgatar.Tem gente que precisa chegar mais perto.E tem gente que precisa ir embora.


Tem os que dizem “conte comigo” com a boca cheia de contrato e o coração vazio de presença.


Amigo não se vende.
Amigo se reconhece.


_Jane Silva


27/06/2026

De dia somos esboço onírico dentro da realidade. À noite um nos braços dos outro tornamo-nos sonho alado.

A noite mais escura nunca conseguiu revogar o decreto da alvorada, e o dia mais claro aceita, em silêncio, o convite das sombras, viver é entender que a tempestade testa nossa raiz, enquanto a calmaria acolhe a nossa cura.

​"Passando para desejar que a sua noite seja leve, que os seus sonhos sejam doces e que o seu coração encontre o descanso que merece. Desconecte-se de tudo e apenas sinta a paz desse momento. Boa noite!"

***
"Acordei durante a noite,
e observei várias palavras
que tinham asas,
e voavam a minha volta,
mas não faziam parte da minha escrita...mas era APENAS um sonho,
eu sempre guardo o dicionário em baixo do travesseiro..."
😔
***

​"A noite não é apenas o fim de um dia, mas o espaço perfeito para silenciar os ruídos do mundo e acolher a paz que habita em nós. Que o seu descanso seja profundo e restaurador. Boa noite!"

A seletividade de nossos sentimentos

Zapeando canais de YouTube em uma noite qualquer, deparei-me com uma notícia que reportava um incêndio de grande proporção.

Imediatamente minha atenção foi sequestrada, fazendo parar o cursor por alguns segundos, suficientes para identificar que o fato ocorreu em outro estado, e então segui zapeando.

Subitamente retornei a consciência, e refletir sobre seletividade de meus sentimentos.

A dor é mais intensa a depender da proximidade, um familiar assaltado, nos abala bem mais, que a morte de um desconhecido. Assim é, mas não deveria ser.

Nossa seletividade, revela nossa frágil humanidade.

Onde foi que nos perdemos? talvez tenha sido o excesso de rotulagem, que só produz divisão, a cada grupo identitário, enfraquecemos a fraternidade universal.

Devemos unir lados, generos, cor e classes sociais.

Devemos quebrar as barreiras da religião, e considerarmos todos como irmãos.

Era noite. Um encontro inesperado. Ele estava com outra, um caso. Inesperadamente um ato violento, ele grande forte partiu pra cima, ela pequena e frágil, traída, sofrida. Sim… ele a espancou, bateu nela com todo ódio que tinha em seu coração. O motivo é simples, ele nunca a amou, estava apaixonado por outra e não sabia como dar fim no seu atual relacionamento. Ele a espancou e com a surra também levou embora tudo que ela sonhou ter um dia com ele.

A lua esboçava um sorriso e uma estrela fazia companhia numa noite de constelação de sonhos.
Não pude identificá-la na minha quase solidão... você não brilha mais em mim.

⁠#O #GAMBÁ

Armei armadilha...
E peguei um gambá...
Toda noite era festa em meu forro...
Sempre a me atormentar...

Botei linguiça para ser a isca...
Se tivesse posto cachaça...
Tinha pego político seria outra bisca...

Quando que essa praga vai acabar ?
Se não é um gambá...
É uma "autoridade" para mentir e roubar...

Bicho feio, esquisito...
Igual a político...

Só anda aprontando...
Se eu reclamo...
Sai rosnando...

Hoje fica na gaiola...
Amanhã dou sumiço...
Levo para bem longe...
Solto com um sorriso...

Esse mamífero...
Posso até soltar sem perigo...
Mas o político...
Desconfio...

Sei que aqui ...
Não mais há de voltar...
Mas o diplomático...
Que de 4 em 4 anos se mostra simpático...
Tenho medo e lido com cuidado...

O bicho feio...
Com medo fede...
O oficial público me dá medo...
E até me estremece...

É tanta falsidade...
Minha gente , vou dizer...
As vezes prefiro o gambá...
Do que outros safados...
Que a gente tem que também prender...

Amanhã eu solto...
Lá perto do ribeirão...
Enquanto do outro passo longe...
Bem de largo...
Não aperto a mão...

Tenho certeza...
Vou dizer...
Amanhã à noite...
Armo outra armadilha...
Pego mais gambá ordinário...

Mas de político safado...
Passo longe...
Não sou otário...

Sandro Paschoal Nogueira

Saio sem mapa...
Sem promessa no bolso...
A noite aberta...
Um talvez no olhar...
Não espero milagres...
Só deixo o vento decidir onde vai dar...

Levo expectativas leves, quase nada...
Pra não pesar o passo...
Nem o coração...
Se vier riso, ótimo.
Se vier estrada, que seja canção...

Talvez um encontro...
Talvez o vento...
Um bar qualquer...
Conversa sem fim...
Ou talvez apenas um simples momento...

Vou assim: “vamos ver o que acontece”,
Sem cobrar do mundo...
Sem pedir um sinal...
Porque às vezes é quando a gente não espera...
Que a vida resolve surpreender no final.

Sandro Paschoal Nogueira

Malandro tem cheiro de noite,
de rua quente, de tentação.
Não toca, mas deixa nos dedos
a memória da intenção.
✨
Quem olha sente o risco,
quem fica perde a razão.
É calma que acende incêndio
sem pedir permissão.
✨
Ele dança parado,
provoca sem se mover.
O desejo se oferece
só de imaginar o que é.
✨
Não promete eternidade,
mas entrega o agora inteiro.
Quem cruza seu passo lento
nunca sai do mesmo jeito.
✨
Malandro não seduz —
ele deixa acontecer.
E quando você percebe,
já quis sem nem querer.

Sandro Paschoal Nogueira

Eu já vi rio secar da noite pro dia
Já vi corrente mudar de direção
Aprendi cedo com a água barrenta
Que quem endurece perde o chão

Eu não brigo com o vento que passa
Nem bato de frente com temporal
Tem hora que o silêncio é o caminho
E esperar também é sinal

Eu vou seguindo conforme a maré
Sem me perder do que sou por inteiro
Porque nesse mundo de pedra e vaidade
Quem força demais chega por derradeiro

Crocodilo que não abana o rabo
Morre afogado no fundo do rio
Eu aprendi a seguir com a água
Sem me perder do caminho

Eu fico quieto, mas vejo de longe
Eu sou do brejo, do tempo e da espera
Meu rumo é o rio quem vem ensinar
Sabedoria é saber esperar...

Crocodilo que não abana o rabo
Morre afogado no fundo do rio
Eu aprendi a seguir com a água
Sem me perder do meu caminho

Crocodilo que não abana o rabo
Morre afogado, pode acreditar
Quem quer viver muito tempo nessa vida
Tem que aprender a esperar...

Sandro Paschoal Nogueira

''Arrependimento Contínuo''
⁠essa noite eu acordei
havia 28 ligações perdidas
de um número desconhecido
voltei a dormir
fingindo que nada havia acontecido

logo quando eu acordei
na manhã do dia seguinte
havia mais 20 ligações
com o mesmo número
cujos dois últimos dígitos eram 20

dessa vez decidi não ignorar
liguei de volta
e procurei algo na caixa postal
mas o estranho é que só quando eu decidi procurar
quem era a bendita pessoa
que era dona do número
ele nunca mais deu sinal

por um certo período fiquei muito angustiado
passei algumas noites sem dormir
esperando algum recado
foi então que eu percebi
que eu não devia ter ignorado

e mesmo depois de 15 anos
tem vezes que eu ainda penso
e se naquele momento
eu tivesse retornado.

Vem o dia e tão logo vem a noite, o dia te deixa na luz e a noite te deixa na escuridão, mas quem poderá aquecer a chama do seu ❤️ é a sua paixão.

Só uma noite com ela, e eu transformaria em eternidade.

Uma Sexta-feira


Triste dia
tarde vazia
noite tão fria...
Tempo avança
deixando fatos
tristes lembranças.

A Porta da Liberdade — Paulo Fernando | Menino Confuso


Na calada da noite, acordei com alguém batendo na porta. Logo pensei que fosse na minha casa. Quando escutei a vizinha perguntando quem era, uma voz bradou dentro do meu quarto: um “sou eu” que estremeceu tudo o que há dentro de mim.


Levantei-me, andei pela casa, sentei, e logo pensei: poxa, será que nunca vou sair daqui? Será que ninguém vai notar que estou preso? Que preciso ver o sol raiar novamente? Que preciso de um abraço?


Com os olhos fechados, senti uma calmaria dentro de mim, e as lágrimas molhavam o meu rosto. Comecei a lembrar do meu pai, aquele que vem cuidando de mim mesmo eu não merecendo. Senti saudade de falar com ele. Eu tinha tanta coisa para conversar, mas ao mesmo tempo sentia vergonha, pois eu tinha me afastado, mesmo ele estando ao meu lado.


No estado decadente em que eu estava, me humilhei e me prostrei aos seus pés. Pedi perdão, pois compreendi que ele é a minha verdadeira liberdade. Em silêncio, ele estava ali me ajudando, e naquele chão ele começou a dizer o quanto eu era lindo, magnífico, sublime. Ali, matei a saudade do pai.


Quando abri os olhos, olhei para a janela. Me levantei e fiquei observando, esperando forças para poder abri-la. Então fui em direção à luz que ultrapassava pela fresta da janela e a abri.


O céu, a terra, as flores amarelas e azuis… um sol nascendo.


Não consegui segurar as lágrimas e deixei cair.


Precisei sair do meu cômodo para receber o que eu precisava: a minha liberdade. Pois ela já morava dentro de mim.


— Paulo Fernando | Menino Confuso