Swami Paatra Shankara
Verdades pessoais são intransferíveis, pois batem no escudo das verdades dos outros. Pare de achar que é a consciência do mundo ou que o mundo tem alguma consciência sobre você.
Não podemos agradar a todos e pelo menos é sinal que estamos fazendo algo certo, pois sempre há mais detratores que admiradores. Os inimigos sempre são mais reais quando se trata de tentar nublar o que somos. Os amigos aplaudem, os inimigos se armam. Isso ajuda muito nosso caminho.
Os malogros mais difíceis de serem consentidos são os que nunca chegam. A ansiedade da pressa não vai mudar nada.
Há pessoas elegantes e outras enfeitadas que acham que são elegantes. Para muitas, falta elegância na alma.
Você é como um espelho quebrado em milhares de pedaços onde cada um reflete o que ou quem é. Somente o amor, a compaixão, a evolução espiritual, as coisas verdadeiras que faz para si mesmo e para os outros vão pouco a pouco colando esses pedaços para finalmente você enxergar o que ou quem realmente é. Mesmo assim, algumas coisas, fica para a próxima vez.
A experiência não passa de memórias. Ter conhecimento não tem nada a ver com sabedoria e sim esta nos faz experienciar de modo que a mente tenha agora a capacidade de ir ao encontro de cada problema de alguma forma diferente de encarar, como algo novo. Experiências todos temos, mas se não temos sabedoria para lidar com essas mesmas experiências, elas apenas ficarão gravadas no recôndito da alma e não servirão de grande coisa, quando realmente - quem não tem? - precisar de usar a sabedoria. Ter a mente aberta é mais considerável do que aprender, muito embora o aprendizado vivido possa servir à sabedoria, depende de cada um. Os néscios, muitas vezes, são mais sábios que os letrados, pois viveram a cada segundo a experiência e dali retiraram a sabedoria. O contrário também é verdade.
Quem me olha com fita métrica não me preocupa tanto, pois o que pensam a meu respeito pertence somente a elas, baseadas que possam estar nas suas próprias vidas. Cada um tem um caminho e seguir o meu, não é seguir o seu.
A grama do vizinho é sempre mais verdinha - não diz o ditado? - mas não nos ocupemos demais com isso, deixando a nossa própria grama murchar.
Quem é taciturno diante das coisas erradas, seria inócuo gritar quando semelhante peçonha lhe atingir. Os outros podem estar reticentes nesse instante.
Diga a alguém que está errado e ele gastará boa parte do seu tempo - mesmo errado - em te provar o contrário. Diga que ele está certo - mesmo errado - e ele gostará de você pelo elogio, mas terá dúvidas do seu senso crítico. Lá no fundo, talvez bem fundo para alguns, todos sabemos quem somos.
O possível fazemos agora. O impossível não pode ser analisado como fato e sim apenas como uma opinião. Quem se detêm diante de opinião torna o impossível, impossível.
Sempre há um momento de cada um que tem duas ou mais estradas a seguir. Espero que siga a certa, mas seu coração deve ser consultado. Quem usa demais a razão fica confuso com as encruzilhadas.
Algumas pessoas só mudam se a dor for maior de ser quem é. Ainda assim é uma mudança hipócrita e racional, pois ela acontece apenas para não sentir dor e não por uma vontade vinda do coração e do espírito.
O problema - tão atual - não é eu não lhe aceitar como você é. Problema maior é você achar que eu devo. Você aceita eu não lhe aceitar? Aliás, que importância tem a minha opinião? E que importância tem a sua? Se é feliz com o que é e eu sou feliz com quem eu sou, o resto é o resto.
Ao se doar, pelo simples prazer da doação, é nunca pensar em receber nada em troca. É isso, precisamente, o que você faz quando não menciona sua generosidade para os outros. Sua recompensa, então, passa a ser os sentimentos calorosos que exalam da doação em si. Quando você fizer algo realmente bom para alguém, guarde isso consigo e se contente com a grande graça pelo que fez.
Pior que aquele que não concorda com nada que você pensa e fala, é aquele é concorda com tudo. Cedo ou tarde, se não gostar das suas ideias, ele muda de time e vai ser o mais feroz inimigo, pois acha que você deve alguma coisa a ele por sempre ter concordado com você. O equilíbrio seria o ideal, mas infelizmente, utópico.
Nossos passos podem nos levar aonde queremos, para a caminhada que escolhemos. Devemos tomar o cuidado para mudar a direção sempre que precisarmos para acertar o caminho, pois esse é mais importante que a chegada.
Saber ouvir o outro, compreender suas dores e amenizá-las. O contrário seria também um bálsamo. Precisamos de mais do que isso?
Alguns seres humanos são indigestos. Se estão felizes com o que tem, seja material ou relacionamento, ficam na dúvida e acabam por tentar o tempo todo, afirmar para si mesmos que aquilo é real. Claro que o alvo sempre será quem lhe proporciona isso. Acabam por estragar o que seria bom para muito tempo, pois precisam constantemente algo que lhes confirme que o passa é verdadeiro. Acabam por arruinar o que conseguiram talvez por não se acharem merecedores de tal felicidade.
Haja paciência para resolver os espinhos da vida a dois, senão nada vai para frente. Dividir a vida com alguém que certamente terá hábitos diferentes dos seus e uma personalidade dissonante da sua. Sem uma certa dose de paciência, o pendor é haver muitas discussões. Relacionamentos são como contratos de relações não escritos, mas são reais. Um ou outro irá furar alguma cláusula intrínseca e isso faz parte da normalidade. E claro que em muitos momentos será preciso conversar, dialogar muito. Mas efervescência do sangue não ajuda em nada. A calma na "luta" é sempre um sinal de força e de confiança. A violência, qualquer forma dela, ao contrário, denota fraqueza e dúvida de si mesmo. Diálogos são para duas pessoas ou mais, mas monólogos sé se prestam a um. Portanto, haja paciência para resolver os espinhos da vida a dois.
Constranger, querer muito e exigir de outrem simplesmente são palavras que não se encaixam na sutileza imanente ao amor.
Quando se aposta em uma mudança de estilo de vida e até de personalidade do parceiro e ainda mais: acreditar que o outro vai se moldar ao que desejamos, como se ele fosse o barro nas mãos de um escultor que nos arvoramos, é meio caminho para a frustração e uma vida a dois repleta de desentendimentos. Você não consegue nem mudar a si mesmo. Pense. Seria bom uma pessoa igualzinha a você, repleta dos seus defeitos?
Os filhos foram feitos para o mundo e não para você. Se tem alguma ideia que eles nasceram para cuidar de você - ou de vocês - na velhice, eles poderão até fazê-lo, talvez renunciando a alguns muitos sonhos pessoais. Não falo da questão da pobreza extrema, mas daqueles que tendo como se cuidar, preferem que os filhos façam isso por eles, como se fosse uma espécie de pagamento por tê-los colocado no mundo. Ninguém, absolutamente ninguém, pediu para nascer. A mesma liberdade que tiveram ao sair do útero materno, é a mesma liberdade de não estar mais atado a ninguém, a não ser pelos laços de afeto e amor. Os laços podem ser fortes, mas não podem servir como arma de manipulação e isso denuncia que as amarras não são tão assim revestidas de amor, pelo menos por algum lado da questão. Manipular alguém não é um ato de amor, ser submisso também não é sentir amor por si mesmo. Os filhos vão se ferir? Essa é a sua desculpa? Você também não se feriu na vida? Não lambeu as feridas e seguiu adiante? Então deixe seus filhos terem a mesma experiência, pois só se cresce dessa forma. Não creia que eles serão eternamente as crianças que um dia você dizia o que podiam ou não podiam fazer. Libertar ou se libertar, também é um ato de amor.
