Sidney Silveira
"O covarde é secretamente sádico: esconde do mundo a alegria que sente ante a desgraça do corajoso. Em breves palavras, o fracasso do corajoso é o prazer íntimo com que o covarde ameniza a sua má-consciência".
"Ou a erudição serve ao amor, e à humildade que é o seu instrumento próprio; ou serve à soberba – e por conseguinte à vaidade, que é o seu sintoma agônico".
"A opinião temerária costuma expressar-se em tom de assertividade afrontosa, e assim acaba por seduzir incautos e pessoas carentes de quem lhes diga o que pensar e como agir. A propósito, os grandes demagogos, como também os vaidosos incuráveis de todos os tempos, dizem enormidades com o ar grave de um hierofante que revelasse os arcanos divinos a palermas.
Ao se levarem grotescamente a sério, esses aspirantes a Prometeu redivivo atraem uma singular fauna de escrupulosos, de gente que precisa consultar rubricas, biobliografias, máximas de mestres ou pseudomestres para dizer que o azul azuleja e o calor aquece.
Dita com aparente circunspecção e profundidade, a opinião temerária serve de chamariz para os covardes, para os que decidem delegar a terceiros o dever de decidir sobre coisas óbvias, atinentes única e exclusivamente a suas vidinhas inseguras.
Por trás de toda opinião temerária há uma alma não muito honesta".
"O genuíno amor é pródigo no que dá e insatisfeito com o que deu. Se uma pessoa acha que deu tudo, é porque amou pouco".
"Ninguém jamais se arrependeu de manter a paz interior; de tê-la perdido todos se arrependem, cedo ou tarde".
