Sidney Silveira
"Tudo diminui ao dividir-se, menos a caridade – que tanto mais é quanto mais se doa livremente a si mesma".
"O medo desgovernado destrói a capacidade deliberativa, sem a qual não existe real instinto de sobrevivência. Acuado por fantasmas, o ser humano não vê o precipício onde se atira pensando defender a própria vida.
Os grandes manipuladores conhecem de cor esta lição: embacem a inteligência de um homem pela inoculação do medo, e ele será uma perfeita marionete a reagir por reflexo condicionado".
"O medo e a maldade têm um dramático traço comum: chegados a determinado ponto, ambos são capazes de destruir a consciência de uma pessoa, transformá-la num monstro moral que sobrevive, neuroticamente, de autoenganos sombrios".
"O perseverante é fiel aos princípios em quaisquer circunstâncias; o obstinado, apaixonado pelas circunstâncias mesmo quando estas atropelam os princípios".
"A alma genuinamente devota não exibe a sua devoção como se fora um troféu. É discreta, contida, austera, quase envergonhada do amor que traz no coração.
Como diz Santo Tomás no belo comentário que fez a um Salmo, há lágrimas que lavam delitos ("lacrymae lavant delictum"), e estas são justamente as da alma devota — que chora compungida por não se sentir à altura do amor que sente, ao qual quer fazer jus.
Tamanha delicadeza só é possível em segredo; só Deus a pode ver".
"Os ciúmes não podem ser piores do que quando são a própria vaidade a tremer de ódio.
Na escala das glórias nanicas, a vaidade espiritual leva a palma de ouro, seguida da vaidade intelectual. Não é por mero acaso que nos ambientes intelectualizados imperam a murmuração, a detração e a calúnia, nesta ordem".
O malicioso começa por ver o bondoso como alguém ingênuo, e termina por odiar não apenas a bondade, mas a pura e simples idéia de bondade.
