Ricardo Ferraz
[...] e essa coisa de amar demais vai deixando tudo tão grande que, de repente, a gente vira mar e nem percebe.
Há em você uma coisa que apenas eu vejo, talvez seja o meu olhar mais observador, ou talvez, aquilo que o seu olhar me provoca. Talvez seja algo que só exista em mim, ou talvez seja algo tão humanamente doce, que você não consegue segurar e deixa escapar sorrindo pelos olhos.
Você se cabe inteira em meus olhos, como parte de mim que nasceu fora do corpo, como uma necessidade de existir para que eu também exista. Queria que visse isso, queria apenas que soubesse disso.
A decepção nunca é com quem a gente esperava alguma coisa, mas com a gente mesmo, por acreditar que aquela pessoa fosse quem realmente ela nunca foi.
Às vezes penso que essa coisa de amor é uma mentira inventada pra te roubar seu tempo. Ele chega, te faz sonhar, até você descobrir que tudo não passou de miragem. E o que ganham com isso? Eu não sei, nunca estive do outro lado.
Às vezes nem é preciso estar junto, estar perto, olhar nos olhos. Às vezes é apenas questão de ver o que ninguém vê. Às vezes, é só uma questão de compreender sem dizer nada, é apenas uma conexão, uma linda conexão.
Você é perfeita em detalhes, não só pela beleza clichê que todos veem, mas pela luz que transcende de ti, e que em meu mundo consigo enxergar.
Eu nunca pude atuar com você, mas também nunca liguei em te observar por detrás das cortinas. Independente de como e para quem fosse ou seja o seu sorriso, o meu sempre foi e será pra você, como um fã maluco que jamais soube que existia, mas que sempre esteve ali do seu lado, te admirando, e você nunca viu.
"No meio do caminho tinha você, tinha você no meio do caminho." Roubei de Drummond a frase, pra falar de ti, e dei a mesma desculpa como outro poeta o fez: "que minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor, e a outra metade também."
Ricardo Ferraz
